Primeira reunião aconteceu na Escola Estadual Pedro II
O I Encontro com Jovens Estudantes Trabalhadores aconteceu na terça-feira (23/2) e teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre o Plano de Orientação do Ensino Médio Noturno e Educação de Jovens e Adultos (EJA), um manual orientador distribuído para as SREs e escolas, com sugestões sobre o processo de implementação das mudanças curriculares, de horário e de conteúdo pedagógico nos cursos noturnos, contidas nas Resoluções SEE nºs 2.842 e 2.843, de 13 de janeiro de 2016.
“Essa Resolução é para todas as escolas estaduais incluindo as que atendem no Sistema Prisional. Ela surge a partir do diálogo que foi promovido com a comunidade escolar, com estudantes e professores ,durante as rodas de conversa da Virada Educação Minas Gerais (VEM), que foram realizadas em todos os Territórios de Desenvolvimento do Estado. Também nos baseamos nas reflexões promovidas com o grupo de trabalho que foi construído para discutir e analisar o Ensino Médio noturno nas escolas”, destacou a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Augusta Mendonça.
As inovações tiveram como objetivo atender exigência da Constituição Federal de 1988, que determina atenção às especificidades do aluno que estuda à noite. O perfil de quem escolhe o turno noturno é, em grande parte, de alunos que trabalham ou estão em busca de trabalho ou emprego. Têm responsabilidades diferenciadas, muitos são pais ou mães.
A proposta é que esses alunos unam conhecimento e prática, elaborando projetos que conciliem suas potencialidades às necessidades de seu ambiente de trabalho ou estágio.
A SEE firmou parceria com diversos agentes de integração, para que possam dar suporte de conteúdo e pedagógico às mais diversas iniciativas. Os professores do Ensino Médio noturno estarão monitorando 200 horas de aulas não presenciais voltadas a trabalhos de conteúdos e interdisciplinares, realizados além dos muros da escola.
Um novo conteúdo pedagógico foi inserido na grade curricular desse segmento. Com a denominação “Diversidade, Inclusão e Mundo do Trabalho (DIM)”, a nova disciplina vai interagir com as quatro áreas de conhecimento: Matemática, Linguagens e Códigos e Ciências da Natureza e Humanas. Esse novo conteúdo será ministrado pelos próprios professores das quatro áreas.
O horário de início das aulas passou de 18 para 19h, visando atender aos alunos que trabalham em jornada integral e que geralmente se atrasavam para o primeiro horário. E uma nova estrutura de quatro horários por dia, com um horário semanal que será reservado à nova disciplina.
Para o diretor de Ensino Médio da SEE, Wladmir Coelho, o assunto é pertinente a todos: “quando dizemos mundo do trabalho, não nos referimos apenas ao trabalho remunerado, mas também aquele que muitas vezes não são reconhecidos como tais, por exemplo, o cuidador de pais ou avós idosos, ou aqueles que têm filhos pequenos entre outros”.
Jocimar Antônio de Oliveira, supervisor de área educacional do Centro de integração Empresa-Escola – Ciee, considera a proposta da SEE-MG muito positiva: “ela cria a possibilidade de o estudante colocar em prática no seu ambiente de trabalho ou estágio as teorias aprendidas em sala de aula. Permite uma interface entre escola e empresa”.
Patrícia da Silva do Nascimento, cursa o 3º ano na mesma escola onde a filha Lara Gabrielle do Nascimento Seixas, cursa o mesmo ano: Escola Estadual Professora Inês Geralda de Oliveira, no Juliana (região de Venda Nova). Ambas veem com grande expectativa o novo conteúdo pedagógico: “a forma democrática como vem sendo implementada é muito positiva, porque podemos discutir, sugerir e participar de todas as etapas”.
Poliana Nascimento, da Escola Estadual Maria Floripes, do bairro Ana Lúcia, fez estágio no CIEE e foi convidada a dar seu depoimento sobre sua experiência. “Tive a oportunidade de estudar à noite, onde as pessoas são mais maduras, mas responsáveis. Por outro lado, o estágio me proporcionou melhor controle sobre minha vida, inclusive financeiro.” Hoje ela é efetiva na empresa onde estagiou. Mateus Henrique Batista, da Escola Estadual Maria do Socorro Andrade, do bairro Nova Cintra, é estagiário do CIEE na OAB. “Para mim é uma possibilidade de crescimento. Essa nova disciplina me oferece oportunidades de continuar na entidade depois do estágio, pois me dá apoio a projetos que favorecem o meu desempenho profissional”.
Para o professor de geografia da Escola Estadual Inês Geraldo de Oliveira, do bairro Celestino, o processo democrático de discussão dessas mudanças é o ponto mais positivo: “Isso permite adequações ao longo do processo. Foi muito positivo o horário condizente com a capacidade do aluno e também estimulante a oportunidade de fazer e desenvolver projetos a partir da própria escola”.
Adequação de horários, maior oferta de vagas no horário noturno e a discussão comas bases foram os pontos destacados pela gerente pedagógica do Cesam (Sistema Salesiano) Dulce Regina Polita. Essa rodada de orientações e esclarecimento de dúvidas é a continuidade do processo que começou com as Rodas de Conversa. Essas práticas, segundo a coordenadora, apontam para mudanças significativas e de qualidade do Ensino Médio Noturno.