Estudos Olímpicos de professor de educação física expandem o universo de São Sebastião do Paraíso
Situada na pequena São Sebastião do Paraíso (MG), a Escola Estadual Paraisense conquistou o 3º lugar no Desafio Escolar Transforma de Revezamento da Tocha. O professor orientador da equipe de alunos que confeccionou a tocha da Paraisense, Murilo Pessoni Neves, mergulhou de cabeça na missão de conseguir revezamentos bastantes para que a escola terminasse o desafio entre as dez primeiras. Seu primeiro passo foi em direção aos próprios estudantes. “Antes de terem a dimensão de como seria se fizéssemos uma boa participação, os alunos estavam um pouco relutantes. Explicamos a todos em que consistia o desafio e sua real importância”, relembra Murilo. O sucesso está mais do que provado.
Mas não se tratou só de ganhar um desafio. A oportunidade de levar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de forma tão viva para uma das duas escolas em que leciona não só é empolgante, como trouxe boas memórias ao educador. O maior evento esportivo do planeta é acompanhado assiduamente por Murilo desde que ele era um garoto. Foi para os Jogos de Los Angeles-84 que seu pai o chamou pela primeira vez a se acomodar à frente da televisão. "Cresci tendo como ídolos Joaquim Cruz (ouro em atletismo nos 800 metros em Los Angeles-84 e prata na mesma prova em Seul-88), Aurélio Miguel (ouro em 1988 e bronze em Atlanta-96), Oscar Schmidt (maior jogador brasileiro da história do basquete), Marcel (também do basquete), Bernard Rajzman, Montanaro e Renan (os três conquistaram a prata no voleibol em 1988), Paula, Hortência e Janeth (conquistaram a prata no basquete em 1996), Ana Moser e Marcia Fu (ambas ganharam o bronze no voleibol em 1996)... São nomes que marcaram demais a história esportiva do Brasil e a minha também", afirma.

Desde que assistiu pela primeira vez a uma edição dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o tema se tornou um universo em expansão para Murilo, que nasceu em São Tomás de Aquino (MG) - "se eu não falar que sou de lá, vou ser linchado", ele avisa -, município de apenas 7 mil habitantes, e já mora há 15 anos em São Sebastião do Paraíso. “Estudo bastante os Jogos e gosto de falar nas minhas aulas do Olimpismo da era antiga e da era moderna”, diz o professor, que ressalta a importância de aproveitar o embalo dos atletas para introduzir esportes pouco tradicionais no Brasil.
Um belo exemplo dessa iniciação esportiva é o torneio escolar municipal, uma simulação dos Jogos que Murilo criou e promove anualmente em São Sebastião do Paraíso. Ele faz questão de organizar uma cerimônia de abertura, com fogo Olímpico e tudo. Entre os esportes estão modalidades de ginástica e atletismo – e todos são adaptados para crianças de entre 11 e 15 anos.
Para além do desenvolvimento motor dos alunos, a proximidade da primeira edição dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil e em toda a América Latina se transforma em um convite à interdisciplinaridade. “É uma oportunidade para a gente trabalhar não só a questão esportiva, mas também a cultura e a geografia dos países, como fizemos durante Londres-2012 e a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul”, explica o docente.
Com a mesma dedicação com que se aprofunda na temática Olímpica e Paralímpica por meio de livros, documentários na televisão e conteúdo na internet, Murilo foi selecionado em 2010 para um curso em Madri, na Espanha. “Conheci o centro de treinamento Olímpico das equipes do país, dentro da Universidade Politécnica de Madri. Acompanhei treinos de natação, atletismo, tiro (parte do pentatlo moderno), e outras modalidades. Foi fantástico”, lembra o professor.
A jornada constante pelo próprio aprimoramento reflete sobre o fator que mais dá força a Murilo na carreira de mestre. “O que me motiva quando trabalho é ver o desenvolvimento dos alunos e poder ensinar a eles uma coisa que vai ser boa para a vida e a saúde deles”, afirma, antes de concluir: “Não quero só mostrar os esportes aos mais habilidosos, mas mostrá-los a uma sala inteira. Na educação escolar, não podemos visar à hiperseletividade, nem à hipercompetitividade, mas sim à formação humana e social por meio do esporte.”
( Com informações do site Transforma: www.rio2016.com/educacao)