A opção de quase 80% pelo turno da noite provocou mudanças no conteúdo disciplinar aplicado

A campanha (Virada Educação Minas Gerais) VEM levou seu recado aos jovens que abandonaram as salas de aula ou não se matricularam no ensino médio. Cerca de 12mil inscritos (54% masculino e 46% feminino) manifestaram a intenção de retornar aos estudos e agora deverão fazer suas matrículas. Nessa nova etapa caberá às Superintendências Regionais de Ensino (SREs) organizar essa volta, indicando a quantidade de alunos por escola e garantindo que as unidades de ensino estejam preparadas e adequadas, com propostas pedagógicas motivadoras para esses alunos.

A maioria dos inscritos na campanha VEM, manifestou o desejo de estudar no período noturno, 61% trabalha ou faz estágio. Além disso, dos 33.600 alunos que se formaram no 9º ano e ingressam em 2016 no ensino médio, 30% demonstraram intenção de estudar à noite. “Esses dados mostram a necessidade de repensar o ensino noturno. Demonstram que é preciso desenvolver um método que dialogue com as expectativas desses jovens”, explica a Superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio, Cecília Cristina Resende Alves.

Como a escolha do turno da noite se dá porque grande parte dos alunos trabalha ou está em busca de emprego ou estágio, foi preciso pensar um novo conteúdo disciplinar aplicado, relacionado ao universo do trabalho e aos assuntos cotidianos. Com a designação “Diversidade, Inclusão e Mundo do Trabalho”, esse novo conteúdo deverá interagir com as disciplinas das quatro áreas do conhecimento: Matemática, Linguagens e Códigos, e Ciências da Natureza e Humanas, e será ministrada pelos professores dessas mesmas áreas, que deverão dedicar um de seus horários semanais à nova disciplina.

Os alunos que se inscreveram já podem fazer a matrícula. Foto: Elian Oliveira - ACS/SEE

Dessa forma, a proposta é de que esses alunos conciliem conhecimento e prática, elaborando projetos que atendam às suas realidades, tanto no mercado de trabalho, quanto no dia a dia e elaborar sugestões que atendam à comunidade. Em março, está prevista formação a todos os professores das quatro áreas de conhecimento, que atuam no ensino médio noturno, com enfoque em perspectiva interdisciplinar.

No noturno, das 800 horas aulas do ano escolar, 600 serão presenciais. As demais 200 horas acontecerão extraclasse momento em que os alunos poderão elaborar, por exemplo, projetos que atendam às demandas de seu próprio local de trabalho ou de estágio. Esse processo será monitorado pelos próprios educadores, que vão apresentar sugestões, acompanhar e avaliar durante as aulas.

“Estamos organizando, em parceria com a Prodemge, o Portal do Estágio, um canal de comunicação virtual, que será alimentado pelos professores, que coordenam e orientam os alunos nos processo de construção de um determinado projeto. Os professores alimentarão esse portal com sugestões e informações sobre projetos que estão sendo executados. Por meio do portal, os professores vão receber e analisar propostas de estágios oferecidos pela comunidade do trabalho, e promover a interação entre as escolas e as empresas.”

Outra mudança se dará no horário. A partir deste ano, as aulas dos cursos noturnos começarão às 19h, com quatro aulas por dia, de 45 minutos cada. Até então eram cinco aulas, de 50 minutos cada, com início às 18h. “Muitos não conseguiam sair do trabalho e chegar a tempo do primeiro horário”, explica a superintendente.

A interação entre alunos e professores foi intensa durante a Virada. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

As escolas que atendem aos alunos do ensino regular diurno funcionarão nos moldes atuais, com cinco aulas diárias, de 50 minutos cada. A organização das quatro áreas de conhecimento acompanhará as diretrizes do Conteúdo Básico Comum Curricular – CBCC, mas nada impede que a proposta de trabalhos com outros projetos ocupem também esses espaços. “No ano passado, por exemplo, a Secretaria de Estado da Educação financiou 3.134 projetos de iniciativa das comunidades escolares que, ao longo desse ano de 2016, estarão sendo desenvolvidos nas escolas.”

Comunidades escolares traçam perfis de alunos que retornam e dos educadores que irão recebê-los

A superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio, Cecília Cristina Resende Alves, destacou o empenho e a participação espontânea das “diversas frentes e representações da educação em Minas Gerais” na Campanha Virada Educação Minas Gerais (VEM) , que resultou em ampla mobilização em todas as escolas do Estado.

Segundo Cecília, nesse momento é fundamental que a escola se organize, pense a melhor maneira de acolher o estudante, qual o perfil do professor que vai receber esse aluno. “Muitos deixaram a escola por terem sido discriminados ou por não ver significado nos conteúdos que eram ensinados em relação ao que buscavam para vida.”

O empenho da comunidade escolar foi fator determinante na Virada. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Cinco dias escolares de fevereiro serão dedicados à reflexão da comunidade escolar e conhecimento do perfil do jovem que está voltando e à preparação do docente para atendê-lo. “A Secretaria de Estado da Educação está aberta para oferecer o maior apoio a esses professores”, destaca Cecília Alves.

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