A apresentação aconteceu na Escola Estadual Jovem Protagonista Sócio-Educativa São Jerônimo, no Sagrada Família, e encantou as jovens adolescentes
O ambiente parecia de festa, com palco, fantasias, figurinos e muita música. Mas o assunto é sério. O Grupo Circo Olho da Rua apresentou o espetáculo “Memórias de Bitita – O coração que não silenciou”, livre adaptação da obra da autora negra Maria Carolina de Jesus, elaborado pela pesquisadora e atriz Carlandréia Ribeiro, que se especializou nos textos “carolinianos” para retratar na peça teatral todo o lirismo da escritora homenageada.
O grupo se propôs a realizar uma roda de conversa para refletir temas abordados na peça tais como: a questão racial no Brasil, a questão da mulher negra, a literatura negra brasileira, a história da população negra no Brasil, os movimentos sociais negros, violência contra a mulher, resistência negra através da escrita e importância da leitura.
Para o professor de história Hudson Eduardo de Souza, a iniciativa é muito importante para as alunas porque “abre novas perspectivas e mostra que existem outras possibilidades, inclusive no mundo da arte”.
As internas assistiram com muito interesse ao espetáculo, aplaudindo, e questionando algumas posturas dos personagens.
A apresentação faz parte da inserção do programa Afroconsciência nas ações de finalização do ano letivo e inclui escolas em presídios e centros sócioeducativos.
O evento acontece em centros prisionais e socioeducativos devido à situação em que se encontram mulheres e jovens, explica Iara Felix Viana, Superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da Secretaria de Estado da Educação.
Segundo dados do Ministério da Justiça, dos 470 mil presos no Brasil, 30 mil são mulheres e 83% dos homens presos recebem visitas femininas (companheiras, namoradas e esposas). Nos Centros femininos, apenas 8% das mulheres recebe visitas de seus companheiros.