Em videoconferência, foram discutidos temas como carreira e processo de escolha dos diretores das escolas estaduais
Minas Gerais é o único estado brasileiro que participa de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o governo federal brasileiro e Moçambique. No início deste ano, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) foi convidada pela então secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR), Nilma Lino Gomes, para integrar uma missão que teve por objetivo estreitar relações com o país e promover a troca de experiências no campo educacional.
Fruto desse acordo, foi realizada nesta sexta-feira (27/11) uma videoconferência entre o diretor Nacional do Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique, Feliciano Mahalambe; a superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino, Iara Félix Viana, representante da SEE nas ações do acordo; o subsecretário de Gestão de Recursos Humanos , Antônio David de Sousa Júnior; e representantes da Superintendência de Recursos Humanos da SEE. Durante a videoconferência, foram apresentadas as carreiras da Educação Básica na rede estadual mineira e o processo de escolha de diretor de escola estadual, que conta com uma etapa de certificação ocupacional.
O diretor Feliciano Mahalambe apresentou os dados do sistema educacional de Moçambique. Segundo ele, o país conta com cerca de 14 mil escolas, das quais 13 mil são do ensino primário. As escolas de Moçambique atendem cerca de seis milhões de alunos no ensino primário e um milhão de estudantes no ensino secundário. Durante a conversa, o diretor nacional destacou os desafios da educação em seu país. “Minas Gerais tem muitas similaridades com Moçambique. Temos como característica a diversidade. No nosso país, os nossos desafios são: promover o acesso à educação; a permanência das crianças na escola, principalmente das meninas; a estruturação do sistema educacional; o fortalecimento da gestão nas escolas; a capacitação de professores e a estruturação da carreira”, aponta Mahalambe.
Sobre a questão da carreira, o subsecretário de Gestão de Recursos Humanos da SEE ressaltou que cada uma delas tem sua criação, competências, atribuições e acesso exigidas em lei e destacou a importância da valorização do servidor. “Uma carreira que dá a chance do servidor progredir é uma carreira viva”, afirmou Antônio David. O subsecretário também destacou que está em curso o processo de escolha de diretores das escolas estaduais mineiras e contou como o processo está sendo realizado.
Segundo Feliciano Mahalambe, as informações compartilhadas irão ajudar no aperfeiçoamento do sistema educacional de Moçambique. “Em Moçambique, os gestores das escolas são escolhidos por meio de indicação. Queremos um mecanismo de seleção do gestor, mas também um sistema de avaliação do mesmo”. O diretor destacou ainda que em seu país as pessoas têm acesso ao concurso público, mas sem qualificação nas carreiras. “A questão das carreiras ainda está em processo de discussão em Moçambique. Achei muito interessante como em Minas Gerais é organizada, se assemelha muito ao que queremos”, pontua.
A partir da videoconferência, novos reuniões serão realizadas para discutir o tema. “Com essas reuniões vamos ter oportunidade de conhecer cada vez mais as nossas realidades, identificar o que nos aproxima e aprender com a experiência um do outro”, concluiu o subsecretário de Gestão de Recursos Humanos.
Acordo de Cooperação Técnica
A agenda educacional do acordo de cooperação teve início em agosto desde ano, quando a superintendente Iara Félix Viana participou de um encontro em Moçambique que teve por objetivo conhecer a realidade do sistema educacional do país e construir junto com os moçambicanos um modelo de capacitação para seus educadores. No mês de outubro, foi realizada uma segunda agenda na qual foi ministrado um curso de atualização para os professores moçambicanos.
“Fizemos um curso de atualização com educadores que são formadores de professores. A capacitação abordou, entre outras coisas, a concepção de educação, a importância da autobiografia dos sujeitos, metodologias diferenciadas para o trato na sala de aula, que visam a aproximação da escola e a comunidade. Também discutimos com eles quem são os sujeitos da educação e suas aprendizagens. A ideia é que esses formadores que foram atualizados nesse curso façam o papel de multiplicadores”, afirmou Iara Félix Viana. O trabalho foi dividido entre quatro centros de formação de professores, contemplando diferentes regiões do país. Os profissionais se dividiram nas cidades de Maputo, Nampula, Beira e Quelimani. Foram capacitados cerca de 600 educadores.
Após esse curso inicial de 30 horas, os países trabalham na elaboração de um projeto de cooperação. Participam da elaboração desse projeto o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, o Ministério da Educação brasileiro e várias universidades federais.
Os profissionais moçambicanos também irão contribuir para as questões educacionais do território brasileiro. A próxima etapa do acordo consiste em articular a vinda de professores moçambicanos a Minas Gerais. “Eles têm uma relação muito boa com a Língua Inglesa e nós sabemos das dificuldades das nossas escolas com o idioma. Ter a metodologia didática que eles utilizam para o ensino da língua seria muito importante para os nossos professores. Além disso, eles também querem conhecer um pouco da nossa experiência de escola indígena e de escola quilombola”, relata a superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino.

Afroconsciência
O acordo de cooperação técnica foi feito no âmbito da campanha ‘Afroconsciência: Com essa história a escola tem tudo a ver’. A iniciativa objetiva divulgar junto à comunidade escolar a necessidade de se trabalhar essa temática de forma permanente, permeando todos os universos disciplinares, na perspectiva de oferecer aos jovens mineiros uma leitura histórica inclusiva.