Norte de Minas inicia processo de mobilização para um novo olhar sobre a educação do campo e quilombolas

Começou nesta quarta-feira (04/11) em Montes Claros, no Norte de Minas, o 1º Encontro de Formação da Educação do Campo e Quilombola, iniciativa promovida pela Secretaria de Estado da Educação (SEE) que vai abranger todos os 17 territórios de desenvolvimento de Minas Gerais, promovendo a discussão sobre uma nova perspectiva para a educação do campo e quilombola.

O evento reuniu mais de 250 pessoas, entre diretores das Superintendências Regionais de Ensino (SREs), analistas, diretores escolares e professores. Neste primeiro encontro, estão representadas seis SREs: Paracatu, Unaí, Januária, Janaúba, Pirapora e Montes Claros. Para o primeiro semestre do próximo ano, estão previstos encontros em outros grandes territórios: Alto Jequitinhonha, Mucuri, Vale do Rio Doce e Região Central.

A cidade de Montes Claros foi escolhida como local do primeiro encontro por se tratar de um polo regional de referência para outras cidades do Norte de Minas que contam com populações indígenas, quilombolas e rurais.

O evento conta com mais de 250 participantes. Foto: Elian Oliveira ACS/SEE

A formação de profissionais voltados para a educação indígena e quilombola é uma das prioridades da SEE, como explica Sônia Rosendo, superintendente da Educação no Campo e Quilombola da Secretaria. “Em maio foi assinada pela secretária Macaé Evaristo um documento com as Diretrizes da Educação do Campo em Minas Gerais e a formação desses educadores é uma delas”.

A superintendente de Temáticas Especiais, Iara Viana, defendeu a necessidade de partilhar responsabilidades para a melhoria da educação de qualidade que alcance a todos. Ela também ressaltou a importância das diretrizes específicas para escolas quilombolas e da construção de padrões pedagógicos próprios.

Para o chefe de gabinete da Secretaria de Educação, Hércules Macedo, que representou a secretária de Educação Macaé Evaristo no evento, este é um grande passo para aprofundar a temática sobre o direito à educação das populações historicamente marginalizadas, que passam a ter o direito de discutir um currículo próprio e a infraestrutura necessária para cada caso. “Não podemos simplesmente transferir um currículo urbano para o rural”, pondera ele.

Hércules Macedo reafirmou a situação em que se encontram as escolas no meio rural e quilombola, algumas com infraestrutura precária ou com mobiliário inadequado e outras até fechadas. “Há uma decisão da SEE de que parte do orçamento será voltada para essas instituições, o que inclui formação de professores, alimentação vinculada à produção local, entre outras.”

O entendimento é que a questão da terra é fundamental para compreender a necessidade de espaços próprios como escolas rurais. O objetivo do diálogo entre os movimentos rurais e a Secretaria é obter um diagnóstico de como e onde atuar. “Minas tem regiões de conflitos e precisamos conhecê-los, dialogar e empreender políticas públicas adequadas para esses lugares”, afirma Hércules Macedo.

Maria do Rosário Souza Oliveira, representante da SRE Montes Claros, declarou estar entusiasmada com a proposta e revelou que, pela primeira vez a SEE, “veio às bases, nos procurou e não foi ao contrário, como sempre acontecia”. “Parabenizo essa política de ouvir as bases. As pessoas que moram no campo sempre foram praticamente alijadas de qualquer processo de construção no que diz respeito à educação. Por isso a importância de uma política de reparação”, concluiu.

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