Evento promovido por alunos da FJP discute temas relevantes no contexto da Administração Pública
“O humano é viável e educável? Se não é possível educar, não é preciso discutir educação. A possibilidade de educação do cidadão é que orienta toda a história de lutas da humanidade”. Essas palavras abriram a participação da secretária de Estado da Educação, Macaé Evaristo, em encontro na Fundação João Pinheiro, promovido pelos alunos do Núcleo Social de Consultores Jovens, instituição formada por alunos da Escola de Governo.

Esses encontros semestrais promovem debates e discussões sobre temas relevantes socialmente e no contexto da Administração Pública. A proposta de discutir educação foi escolha dos próprios alunos, segundo a estudante da Escola e uma das coordenadoras do evento, Luísa Longuinho. “Procuramos reunir em torno do assunto, posições e propostas diversas, já discutimos racismo, ocupação do espaço público, juventude, entre outros. Para o tema de hoje trouxemos uma representante da educação no município – a diretora da Escola Municipal Paulo Freire (bairro Ribeiro de Abreu), Maria do Socorro Lages Figueiredo, referência de escolas transformadoras do Brasil, a Secretária de Estado da Educação, Macaé Evaristo, a representante do movimento estudantil, Juliana Paradela, ex-presidente da Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas – Ames, e o antropólogo e educador popular Tião Rocha.
Os palestrantes discorreram sobre seus pontos de vista e apontaram projetos e perspectivas para o futuro da educação no Brasil. Tião Rocha descreveu várias experiências em sua trajetória que, segundo ele, comprovam ser possível trabalhar educação fora da escola: “A escola não é um fim, mas um meio. Na roda da educação, o centro, é uma ideia e não uma pessoa ou espaço físico. Todos ao redor dessa ideia são comprometidos com a mesma causa.”
O tema educação, segundo professor da Escola de Governo e mediador do debate Bruno Lazaroti, “é foco importante pelo momento de esforço educacional pelo qual passa o Brasil, onde se ampliou o acesso em todos os níveis de ensino, reduzindo-se significativamente a desigualdade educacional.” Por outro lado, as perspectivas têm apontado pra uma agenda de educação segregacionista, propondo uma escola moralizadora e excludente. “Com que modelo de educação e estratégia se contrapor a uma agenda excludente muito presente no Congresso?” questiona Macaé.
Macaé Evaristo chamou a atenção para como as instituições criam mecanismos silenciosos de exclusão de parcela da juventude que hoje está fora das escolas e fez o chamado para uma atuação coletiva no sentido de superar esses desafios: “Não podemos achar normal que uma criança não frequente a escola”.
Maria do Socorro Figueiredo Lage, falou sobre a escola integrada: “Ser diretora de uma escola com o nome Paulo Freire (criado fruto do Orçamento Participativo) é uma enorme responsabilidade. Mas ao mesmo tempo é desafiador. É preciso compreender que é sim possível levar uma proposta de trabalho respeitando valores locais. Não se faz escola sozinho. O gesto precisa ser o articulador entre os agentes presentes em uma comunidade. O segredo é não ter medo do desconhecido.”