Feira do Conhecimento realizada na Escola Estadual Antônio Corrêa e Silva destacou hábitos e costumes da comunidade quilombola do Povoado do Alegre, no Norte de Minas
Neste mês, a Escola Estadual Antônio Corrêa e Silva, localizada na comunidade quilombola do Povoado do Alegre, em Januária, terá o reconhecimento nacional pelo trabalho desenvolvido. Com o projeto ‘Feira do Conhecimento: Costumes e Utensílios Quilombolas’, a escola do Norte de Minas é uma das premiadas da 7ª edição do Prêmio Educar para Igualdade Racial e de Gênero: experiências de promoção da igualdade em ambiente escolar ’. O projeto que alia a prática pedagógica e o estudo de hábitos culturais foi um dos destaques na categoria ‘Escola Quilombola’. A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 15 de outubro, em São Paulo.
Responsável por coordenar as ações da iniciativa com os alunos do 3º ano do ensino fundamental, a professora Adélia dos Santos Dias destaca a importância dessa conquista para a comunidade onde a escola está inserida e que conta com mais de 900 habitantes. “O projeto mostra a importância da valorização da nossa história. Acredito muito na educação e que ela é o incentivo para a autoestima”, explica a professora que atua como educadora há 29 anos.

As ações do projeto seguem as diretrizes curriculares da Lei 10.639/2003, que fala sobre a inclusão da história da cultura africana nos currículos escolares da rede regular de ensino. Utilizando o recurso da entrevista, os alunos aprenderam sobre a história da comunidade com os moradores mais antigos. Hábitos, costumes e utensílios utilizados no passado foram reunidos e apresentados durante a culminância do projeto, com a realização da Feira do Conhecimento. “Mostramos a máquina de tear, o ferro à brasa, panela de sabão e o carro de boi. Ao estudar e explicar a utilidade desses objetos, nós quisemos resgatar as raízes da nossa história”, lembra a professora.
A escola possui cerca de 300 alunos e conta com quatro turmas voltadas ao desenvolvimento de ações de educação integral. Com os alunos, o trabalho da leitura e letramento é feito a partir de poesias que destacam elementos da cultura quilombola e do campo. “Além de trabalhar o alfabeto, criamos um caderno de receitas com as comidas típicas da região, como o feijão tropeiro, o tutu de feijão e a galinha caipira”, conta a professora.
Educar para Igualdade Racial
O Prêmio é uma iniciativa do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade e tem a Secretaria de Estado de Educação como um dos realizadores. O Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade é uma organização não governamental que produz conhecimento, desenvolve e executa projetos voltados para a promoção da igualdade de raça e de gênero.
O prêmio possui duas categorias: Professor e Escola (gestor). Puderam participar professionais que atuam com a Educação Básica regular e nas modalidades Educação de Jovens e Adultos, Quilombola, Indígena, Profissional e Tecnológica, Especial e a Distância.
De acordo com o edital do concurso, os vencedores da ‘categoria professor’ serão premiados com R$ 5.000,00, 1 Notebook e 1 Kit de livros sobre a temática da Diversidade e Igualdade Étnico-Racial. Já os ganhadores da ‘categoria escola’ serão contemplados com R$10.000,00, 1 Notebook e 1 Kit de livros sobre a temática da Diversidade e Igualdade Étnico-Racial.
Outra escola mineira que se destacou no prêmio é a Escola Estadual Brejo São Caetano do Japuré, no munício de Manga, no Norte de Minas Gerais. Com o projeto ‘Somos quilombolas e fazemos parte da história’, a escola quilombola foi finalista do prêmio na categoria professor.