Secretária de Educação, Macaé Evaristo, participou de mesa sobre o tema realizada nesta quinta (17) em BH
“Temos o grande de desafio de pensar e implementar ações afirmativas em toda a Educação Básica. Não apenas com a inclusão dos estudos de história e cultura afro-brasileira, mas com a criação de políticas que garantam a inserção e a permanência do estudante negro na escola”. Esta reflexão foi feita pela secretária de Educação, Macaé Evaristo, em sua participação na mesa que discutiu políticas públicas, juventude e afrodescendência, dentro da programação da 4ª Semana da UEMG. O evento aconteceu em Belo Horizonte nesta quinta-feira (17).

Ao lado da professora Cláudia Mayorga, pró-reitora adjunta de Extensão da UFMG, Macaé Evaristo lembrou o Plano Nacional de Educação, que estabelece metas para a educação em todo o país até 2024, e pontuou a necessidade de que estas metas sejam efetivadas sem que haja reprodução das desigualdades que hoje acontecem na educação. “Sabemos que hoje na educação estamos próximos da universalização do atendimento a crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. Mas a pequena porcentagem que não é atendida é composta por crianças negras, de áreas rurais e por indígenas. No Ensino Médio, a situação é dramática. Nós sabemos que quem está fora da escola é o adolescente negro”. Ela destacou também que é este adolescente a maior vítima da violência em nosso país.

Para a secretária, é preciso criar políticas para garantir a permanência do jovem no Ensino Médio, como a introdução da pesquisa acadêmica e de programas de extensão voltados para a juventude. Macaé lembrou do movimento Virada Educação Minas Gerais, que está dialogando com os estudantes de todo o Estado na busca por novas formas de tornar a escola mais atrativa e significativa para o jovem.
A secretária abordou também a campanha Afroconsciência, lançada pela Secretaria de Educação em abril, que sensibiliza a comunidade escolar sobre a necessidade de se trabalhar a temática da promoção da igualdade racial e o respeito à diversidade de forma permanente, abrangendo todos os universos disciplinares. As ações afirmativas no âmbito do Ensino Superior, como as políticas de cotas para estudantes negros, também foram destacadas pela secretária, que argumentou que elas representam um grande avanço, mas que é preciso pensar em como garantir a permanência destes estudantes na universidade.

Conexões de Saberes
É justamente a permanência dos jovens negros, indígenas e de periferia que ingressam na universidade o foco do projeto Conexões de Saberes, da UFMG, apresentado pela professora Cláudia Mayorga. Para a pesquisadora, há uma grande desconexão entre a vivência local do jovem negro e a sua experiência na Universidade . O projeto busca refazer este elo, através de projetos de pesquisas e extensão, desenvolvidos pelos jovens em sua comunidade de origem e seu meio social. Um dos resultados do projeto é o Mapa dos Movimentos de Resistência da Juventude Negra de Belo Horizonte, que, como o próprio nome diz, traz um mapeamento dos grupos artísticos e movimentos sociais que de alguma forma atuam com jovens negros.
Confira o Mapa dos Movimentos de Resistência da Juventude Negra de Belo Horizonte no link abaixo: http://www.fafich.ufmg.br/conexoes/mapa-de-resistencia/