Os desafios do ensino noturno e as adequações às necessidades do aluno foram assuntos discutidos pelo grupo

Reconhecer as características e necessidades do estudante do ensino noturno e proporcionar uma aprendizagem integrada com a realidade desses jovens são alguns dos desafios para a melhoria da qualidade e da oferta do ensino no turno noturno nas escolas estaduais. Pensando nisso, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) constituiu um Grupo de Trabalho de Reformulação do Ensino Noturno, que realizou seu terceiro encontro na manhã desta quinta-feira (28/05). Coordenado pelo diretor de Ensino Médio da SEE, Wladimir Coelho, o grupo é aberto e formado por representantes das SEE e das Superintendências Regionais de Ensino Metropolitanas, diretores de escolas, especialistas educacionais e da Associação Profissionalizante do Menor (Assprom).

Para Wladimir, o ensino noturno precisa se adequar às necessidades do aluno que estuda à noite. “É um aluno trabalhador, que tem outras responsabilidades, é um estudante que muitas vezes é pai ou mãe, é mais maduro, tem mais autonomia, mais ligações com outros setores da vida social. Por isso, os objetivos prioritários do grupo são analisar currículos, tempo e espaços escolares. Não está em discussão diminuir tempo do aluno em sala de aula, o objetivo é ampliar os espaços de ensino”, destaca o diretor de Ensino Médio. Segundo ele, a proposta é encontrar formas de aproximar a escola do local de trabalho desse estudante e desenvolver atividades que integrem esses jovens com os meios sociais.

A aproximação da educação com o mercado de trabalho é um dos objetivos do grupo. Foto: Andréa Hespanha ACS/SEE

O diretor de Ensino Médio aponta que existia uma dificuldade de acesso às escolas no turno noturno, uma vez que houve fechamento de muitas turmas nos últimos anos, o que contribuía para o aumento da evasão escolar, que já é alta (9,5% no Ensino Médio na rede estadual, de acordo com o censo escolar 2013). Neste ano, a resolução nº 2741/2015 ampliou e flexibilizou o acesso de estudantes ao noturno. “A nossa realidade é que o jovem começa a trabalhar muito cedo. Então é preciso considerar os diversos tipos de atividades desses jovens para aceitar a sua matrícula”, salienta Wladimir Coelho.

Essa questão vai ao encontro de uma das prioridades da Secretaria de buscar os jovens de 15 a 17 anos que estão fora da escola. “Esses jovens saíram da escola por motivos diversos, seja por causa do trabalho, gravidez precoce, falta de motivação, dentre outros. Para atraí-los teremos que apresentar mudanças e nos adequar às suas necessidades. Mais do que trazer esse estudante, queremos repensar a qualidade do ensino que está sendo oferecido para ele”, diz o diretor de Ensino Médio.

Para a diretora da Escola Estadual Henrique Diniz (bairro Santa Efigênia, em BH), Tereza Cristina Queiroga, um grande desafio do ensino noturno é que o estudante se comporta como se existissem dois mundos diferentes, o da escola e o outro fora da escola, os quais não se interligam. “O aluno não sente a ligação da escola com a sua vida fora dela, o que acaba tornando o ambiente escolar pouco interessante”, comenta a diretora, que se reuniu com professores e especialistas de sua escola para aprofundar a questão debatida no grupo de trabalho e apresentou sugestões.

Outro importante objetivo do grupo é a aproximação da educação com o mundo do trabalho, a partir da parceria com a Assprom. “Para nós, estarmos aqui hoje nesse grupo é muito importante, um marco, porque percebemos que há falta de ligação entre o mundo do trabalho e de educação. É muito importante o diálogo entre as áreas do trabalho e da educação para que possamos entender o todo. O trabalho não pode sobrepor-se à educação, por isso fazemos um acompanhamento sistemático dos adolescentes inseridos no programa”, afirma a coordenadora da Divisão de Formação e Orientação Profissional da Assprom, Cláudia Furtado.

Educação de Jovens e Adultos

Além do ensino regular noturno, o grupo também tem como foco a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para o diretor de EJA, Ademar Pinto, é preciso repensar o currículo da Educação de Jovens e Adultos, a formação dos professores para essa modalidade e fomentar a discussão sobre o processo educativo do jovem e do adulto. “Em primeiro lugar, precisamos fazer esse acompanhamento, uma busca do que está acontecendo nas escolas que ofertam a EJA. Vamos tentar conhecer e buscar a valorização das boas práticas. É um olhar diferenciado para a EJA. O adulto já tem um processo de vida, uma série de experiências que ele viveu, independentemente da escola, que precisam ser levados em conta na construção desse currículo e do processo educativo”, salienta Ademar.

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