Evento que acontece em Braga (Portugal) tem como tema “Diálogos Oceânicos”

“O problema do racismo é uma questão mundial, e não só do Brasil. Um dos desafios hoje no país é superarmos o racismo institucional”. Esses foram alguns dos destaques da fala da secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, durante o 3º Festival de História, o fHist, que acontece até este sábado (23.05) na cidade de Braga, em Portugal. Professora e Mestre em Educação, Macaé participou nesta sexta (22/05) da conferência “Da escravidão ao racismo, paradigmas da diáspora africana”, na companhia de historiadores e antropólogos do Brasil e de Portugal.

Secretária Macaé Evaristo (primeira da direita para a esquerda) fala sobre racismo e movimento negro no 3º Festival de História. Crédito: Internet

No debate, que reuniu pesquisadores, estudantes e jornalistas brasileiros e portugueses, Macaé Evaristo citou a campanha “Afroconsciência”, voltada às relações de igualdade racial nas escolas em Minas Gerais. Por meio de diferentes iniciativas, a proposta pretende realizar relevantes ações nas unidades escolares para a superação do preconceito racial, na busca pelo reconhecimento e valorização da história e da cultura dos africanos na formação da sociedade brasileira. A iniciativa é uma ação do Governo de Minas e tem o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.

Para Macaé Evaristo, essa e outras ações são exemplos de avanços implementados no país. “Tivemos muitos ganhos no Brasil na última década. Conseguimos aprovar o Estatuto da Igualdade Social, as cotas para negros nas universidades, a lei que inclui no currículo o ensino da história da cultura afro-brasileira. Mas, ao mesmo tempo, convivemos em nossa sociedade com episódios de racismo e retrocessos em algumas áreas. A recente discussão sobre a redução da maioridade penal é um exemplo”, pontuou Macaé em sua palestra. “Há uma mudança na etiqueta das relações sociais. Pessoas negras são violentamente agredidas nas redes sociais. Isso mostra que o racismo apresenta outras formas de se explicitar”.

Macaé Evaristo participou da conferência “Da escravidão ao racismo, paradigmas da diáspora africana. Crédito: Pilar Lacerda

 

Macaé Evaristo ressaltou que um dos grandes problemas do Brasil é o assassinato de jovens negros nas periferias. “Jovens negros são assassinados e a principal desculpa é que estão envolvidos com tráfico. É um genocídio”.

Sobre o movimento negro, Macaé destacou seu caráter cultural e estético e sua unidade na diversidade. “É um movimento articulado e ao mesmo desarticulado, está em todos os lugares, pulsando nas cidades, e as redes sociais, por sua vez, também permitiram esta interação.”

Festival

A terceira edição do fHist teve início no dia 21 e vai até 23 de maio e traz como tema “Diálogos Oceânicos", que aprofunda a reflexão e o debate sobre as raízes históricas, diásporas, diversidades e identidades culturais dos povos de Língua Portuguesa.
O Festival continua em outubro, desta vez no Brasil, na cidade mineira de Diamantina, entre os dias 8 e 11. Mesas de debates, espetáculos, oficinas, apresentação de filmes e outras atividades culturais compõem a programação.

O Festival é uma iniciativa patrocinada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Saiba mais em: http://www.festivaldehistoria.com.br/fhist_2015/

(Com informações do site Festival de História)

 

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