Comunidade se reuniu com representantes das esferas federal, estadual e municipal

A secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, visitou a Comunidade Quilombola dos Arturos, em Contagem, na manhã desta quarta-feira. A comunidade foi palco de um evento da Caravana da Cultura, no Ministério da Cultura (MinC), que tem o objetivo de estreitar relações e conhecer in loco as principais demandas de artistas, gestores, produtores e fazedores de cultura do Brasil. Os secretários de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, e de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, também estiveram presentes, além do prefeito da cidade, Carlin Moura.

A secretária destacou a importância do envolvimento da secretaria de Estado de Educação em um evento como esse, que tem foco na cultura. “Cada vez mais temos a compreensão em nosso país de que educação e cultura precisam estar próximas se nós quisermos construir cidadãos plenos, se a gente quer investir na formação integral. A gente precisa andar muito próximo”.

A secretária Macaé destacou a importância da articulação de políticas para a garantia dos direitos das comunidades quilombolas. Foto: Osvaldo Afonso/Imprensa MG

A valorização da cultura negra foi um assunto constante durante a manhã, principalmente por este mês serem comemorados os 127 anos desde o fim da escravidão no Brasil. A dívida histórica do poder público para com a população negra brasileira foi relembrada pelo representante do MinC, Vinicius Wu, secretário de Articulação Institucional da pasta. “Por mais que nos esforcemos para promover o reconhecimento da diversidade cultural, por mais que possamos desenvolver iniciativas que busquem estabelecer políticas públicas voltadas para a reparação de dívidas históricas como a que nós temos acumulada com a cultura afro brasileira, ao realizarmos uma atividade como essa, nós devemos ter a consciência de que não se trata apenas de um ato de celebração, mas também de um ato de recuperação de uma dívida que jamais será quitada. Uma dívida acumulada diante da contribuição fundamental para a produção do sentimento de nacionalidade e da constituição da identidade nacional brasileira, que, sem dúvida alguma, tem entre seus maiores pilares a contribuição da cultura afro-brasileira”, afirmou.

A comunidade dos Arturos existe desde 1888. Hoje, vivem lá 45 famílias, totalizando, aproximadamente, 450 pessoas que ocupam uma propriedade coletiva. “Esse é um momento importantíssimo para nossa comunidade, que foi tão sofrida no passado. Ao longo dos seus 128 anos de existência, insistindo, persistindo, resistindo a toda opressão. A gente espera que cada representante leve consigo a necessidade, a intenção de construir uma política pública eficaz para nosso país”, disse o representante dos moradores, Jorge Antônio Santos.

Minas Gerais possui 26 escolas estaduais em comunidades quilombolas. Foto: Osvaldo Afonso/Imprensa MG

Educação quilombola

Minas Gerais está entre os cinco estados brasileiros com maior número de população quilombola, com 185 comunidades registradas pela Fundação Cultural Palmares. A secretária Macaé destacou a importância de se criar políticas focadas na educação dessas pessoas e nas suas especificidades. “A comunidade de Arturos é uma comunidade de tradição, de resistência. Temos outras comunidades quilombolas no Estado e é muito importante uma articulação de diferentes políticas para o fortalecimento e garantia dos seus direitos”. A rede estadual possui 26 escolas distribuídas pelas comunidades quilombolas mineiras, que atendem a 5.475 alunos.

Para garantir que essas especificidades sejam respeitadas na educação básica, foi criado o projeto Educação Escolar Quilombola, que busca ampliar as reflexões sobre a temática étnico-racial e incentivar uma gestão escolar que contemple essa diversidade, tanto no Projeto Político Pedagógico, quanto no currículo escolar.

Saiba mais no hotsite novotempo.educacao.mg.gov.br.

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