Macaé Evaristo participou de cerimônia de divulgação do documento, em Brasília, e ressaltou avanços do Brasil
A educação mundial esteve sob os holofotes na última quinta-feira (09-03). A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou o Relatório de Monitoramento Global de EPT 2015 (RMG) “Educação para Todos 2000-2015: progressos e desafios”. O documento faz o acompanhamento de seis metas para a educação firmadas em 2000, no Senegal, por 164 países, durante o Fórum Mundial de Educação. Depois de 15 anos, representantes desses países fazem a avaliação dessas metas à luz do relatório da Unesco, de modo a avaliar o desenvolvimento e planejar outras ações para os próximos anos.
O lançamento do relatório aconteceu em grandes eventos pelo mundo, como em Nova Delhi, Paris e Nova York. No Brasil, o documento foi lançado durante evento organizado pela Unesco em parceria com o Ministério da Educação no auditório do IPEA, em Brasília. As seis metas versam sobre cuidados com a primeira infância, universalização, acesso à aprendizagem, redução do analfabetismo, igualdade de gênero e qualidade da educação. De acordo com o documento, houve melhora nos últimos anos, embora muitos países não tenham conseguido atingir as metas.

A secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, participou da solenidade de lançamento e destacou a importância de estudos como esse para o desenvolvimento da Educação. “Esse relatório reflete uma mudança mundial em relação à importância da educação. O encontro que deu origem à Educação para Todos da Unesco é um compromisso assinado por vários países e, apesar de muitos países não terem conseguido atingir o que era esperado, nós tivemos uma mudança na educação no cenário mundial, em especial no Brasil e também em nosso estado”, avaliou a secretária.
Entre os pontos de avanço destacados pela secretária Macaé estão o acesso à educação infantil, a redução da taxa de analfabetismo e também a paridade de gênero. “Nós ainda temos países no mundo em que as mulheres não têm acesso à educação na mesma proporção que os homens e no Brasil a gente sabe que isso é bastante diferente. Hoje, em todos os níveis de ensino, nós temos uma presença efetiva feminina”, afirmou a secretária, que também destacou a importância dos planos de educação dialogarem com o relatório da Unesco. “Esse relatório, de certa forma, presta contas do momento em que estamos hoje e dialoga com o plano nacional de educação e, portanto, com os planos estaduais e municipais que estados e municípios têm que desenvolver”, completou.

Para a Unesco, o relatório realmente aponta avanços nos últimos anos, mas ainda a um longo caminho a ser seguido para garantir uma educação mundial melhor. “O mundo tem feito um progresso enorme em direção à Educação para Todos”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. “Apesar de não cumprir o prazo de 2015, há milhões de crianças a mais na escola do que haveria se persistissem as tendências dos anos de 1990. No entanto, a agenda ainda está longe de ser concluída. Necessitamos elaborar estratégias específicas e bem fundamentadas que priorizem os mais pobres, sobretudo as meninas, para melhorar a qualidade da aprendizagem e reduzir as falhas de alfabetização para que a educação se torne significativa e universal”.
O relatório completo está disponível para download neste link. Para acessar o conteúdo basta utilizar a senha Report_EFA2015. Os interessados também podem acessar uma versão concisa do relatório, uma nota conceitual sobre o documento, além de uma apresentação em Power Point sobre o conteúdo. Outras informações ainda estão disponíveis no site da Unesco.

Metas pós-2015
Em maio deste ano acontecerá, na Coreia do Sul, mais uma edição do Fórum Mundial de Educação. Novas metas estão em discussão para serem apresentadas no Fórum. Algumas das metas são as mesmas apresentadas no relatório atual, como os cuidados na primeira infância, e outras são novas – como uma meta relacionada ao financiamento.
Para a secretária Macaé Evaristo, as novas metas devem contemplar, sobretudo, a diminuição das desigualdades educacionais. “Nós avançamos do ponto de vista do acesso, mas ainda temos muito o que fazer no que diz respeito ao combate às desiguladades e à permanência, principalmente quando tratamos a questão da juventude e dos processo de aprendizagem, que são aspectos fundamentais para pensar a garantia do direito à educação”.
Confira abaixo as seis metas que constam do relatório e uma análise da Unesco sobre o cumprimento de cada uma delas:
Objetivo 1. Expandir a educação e os cuidados na primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis
Entre os países, 47% alcançaram o objetivo e outros 8% quase conseguiram. No entanto, 20% ficaram longe desse objetivo, ainda que, em 2012, quase dois terços a mais de crianças, em relação a 1999, tenham sido matriculadas na educação infantil.
Objetivo 2. Alcançar a educação primária universal, particularmente para meninas, minorias étnicas e crianças marginalizadas
Este objetivo foi alcançado por 52% dos países; 10% quase conseguiram e os 38% restantes estão longe ou muito longe de alcançá-lo. Isso deixa quase 100 milhões de crianças sem concluir a educação primária em 2015. Uma falta de foco nos marginalizados tem deixado os mais pobres com cinco vezes menos chances de completar o ciclo de educação primária em comparação com os mais ricos, além de um quadro em que mais de um terço das crianças fora da escola estão em zonas afetadas por conflito.
Houve também êxitos importantes: com relação a números de 1999, cerca de 50 milhões a mais de crianças estão matriculadas na escola agora. A educação ainda não é gratuita em muitos países, mas os programas de alimentação e de transferência de renda têm tido impacto positivo na matrícula escolar dos mais pobres.
Objetivo 3. Garantir acesso igualitário de jovens e adultos à aprendizagem e a habilidades para a vida
O acesso universal às séries iniciais de educação secundária foi alcançado por 46% dos países. Globalmente, os números relativos ao acesso às séries iniciais de educação secundária aumentaram em 27% e essa estatística mais que dobrou na África Subsaariana. Entretanto, um terço dos adolescentes em países de baixa renda não completarão as séries iniciais de educação secundária em 2015.
Objetivo 4. Alcançar uma redução de 50% nos níveis de analfabetismo de adultos até 2015
Somente 25% dos países alcançaram esse objetivo; 32% continuam muito longe disso. Mundialmente, a porcentagem de adultos analfabetos caiu de 18%, em 2000, para 14%, em 2015, porém, esse progresso é quase completamente atribuído a jovens educados que alcançaram a maioridade. Quase dois terços da população de adultos analfabetos continuam a ser mulheres. Além disso, metade das mulheres da África Subsaariana não tem habilidades básicas de leitura.
Objetivo 5. Alcançar a paridade e a igualdade de gênero
A paridade de gênero será alcançada na educação primária em 69% dos países até 2015. No nível secundário, somente 48% dos países atingirão esse objetivo. Casamento infantil e gravidez precoce continuam a impedir o progresso educacional de meninas, assim como também o fazem a necessidade de formação de professores em abordagens sensíveis às questões de gênero e à reforma curricular.
Objetivo 6. Melhorar a qualidade de educação e garantir resultados mensuráveis de aprendizagem para todos
O número de alunos por professor diminuiu em 121 dos 146 países, entre 1990 e 2012, no nível primário, mas ainda são necessários mais 4 milhões de professores para obter todas as crianças na escola. A carência na oferta de professores qualificados continua em um terço dos países: em vários países da África Subsaariana, menos de 50% deles são treinados. No entanto, a qualidade de educação tem recebido atenção especial desde 2000 e o número de países que realizam avaliações nacionais de aprendizagem dobrou.