Alunos da Escola Estadual Dona Augusta Gonçalves Nogueira e de outras duas escolas estaduais de Belo Horizonte tiveram a oportunidade de ouvir relatos dos anistiados
Conhecer o passado para construir o futuro. Foi com esse pensamento que alunos e professores da Escola Estadual Dona Augusta Gonçalves Nogueira, em Belo Horizonte, receberam as ações da ‘89ª Caravana da Anistia’. A Caravana, que celebra o ‘Dia Internacional do Direito à Verdade’,comemorado no dia 24 de março, levou aos estudantes depoimentos de anistiados e apresentou a eles informações referentes aos impactos da ditadura no país. As atividades foram realizadas na última quarta-feira (25-03).
O presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrão, destacou que as ações da Caravana são essenciais para que os estudantes entendam a importância da democracia. “É importante para que os nossos jovens conheçam a nossa história e compreendam que as liberdades que nós usufruímos hoje são resquícios de uma luta social no país”.

Para a coordenadora do projeto Educação em Tempo Integral e representante da Secretária de Estado de Educação no evento, Neuza Macedo, o fato das ações da Caravana acontecerem dentro de uma escola se configura como uma importante ferramenta para que os estudantes conheçam um pouco mais da história do país. “Devemos comemorar a democracia que se instalou no Brasil e é importantíssimo que os alunos conheçam essa história, o que deflagrou esse golpe militar e o que é anistia. Além disso, esses livros que estão sendo entregues à escola vão ser de muita valia. Os professores vão poder trabalhar melhor o assunto, porque não dá para ignorar um fato tão importante da história do país”, afirmou Neuza.
A Escola Estadual Dona Augusta Gonçalves Nogueira recebeu a doação de livros e filmes da Comissão da Anistia. Segundo a diretora da escola, Nádia Cristina Pereira Eulálio, o material recebido irá servir para iniciar um trabalho com os alunos sobre a temática. “Essa ação vai ser um marco para o início do trabalho da temática com nossos estudantes”, afirma. A escola conta com cerca de 300 alunos dos anos iniciais do ensino fundamental.
Mesmo ainda não tendo participado de discussões ativas sobre a temática na escola, o aluno do 5º ano do ensino fundamental, Tiago Ferreira, já tem uma opinião sobre os impactos da ditadura. “Aconteceu há muito tempo, mas é importante a gente saber e discutir. Foi muito triste o que aconteceu e as pessoas que sofreram com a ditadura merecem desculpas”.
As alunas do 5º ano do ensino fundamental, Ana Luiza Guimarães e Natássia Moreira, também mostram o que aprenderam durante as ações da Caravana. “Era proibido falar mal do governo e muitas pessoas que foram contra isso morreram. Isso não é legal. Cada pessoa tem que ter o direito de falar o que pensa”, concluem.
Também participaram da ‘89ª Caravana da Anistia’ alunos das Escolas Estaduais Professor Mesquita de Carvalho, Deputado Ulisses Guimarães e Governador Milton Campos.

A Comissão
Criada em 2001 para reparar as vítimas de atos de violações de direitos humanos cometidas entre 1964 e 1988 e promover políticas de memória, a Comissão de Anistia é órgão do Estado brasileiro vinculada administrativamente ao Ministério da Justiça, sendo composta por 25 conselheiros, em sua maioria agentes da sociedade civil ou professores universitários.
Até janeiro de 2015, ela havia recebido mais de 74 mil pedidos de anistia, declarando mais de 43 mil pessoas anistiadas políticas, com ou sem reparação econômica.
Dia Internacional do Direito à Verdade
O Dia, celebrado em 24 de março, foi proclamado há cinco anos pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para homenagear, em particular, o Arcebispo Romero, grande defensor dos direitos humanos que foi assassinado em El Salvador nesse mesmo dia em 1980. Ele foi morto a tiros em uma capela, enquanto celebrava uma missa.