Realizado pelo Observatório da Juventude da UFMG, seminário coloca o Ensino Médio brasileiro no centro das discussões

Nesta semana, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) marca presença no seminário ‘Ensino Médio no Brasil: sujeitos, tempos, espaços e saberes’, realizado na Universidade Federal de Minas Gerais. O Ensino Médio é a etapa mais desafiadora da Educação Básica e os representantes da Secretaria querem usar espaços de diálogo como esse para pensar estratégias de avanço. “Estamos diante de um desafio muito grande que é a articulação da política do Ensino Médio, com a discussão da educação profissional e das políticas para a juventude. Nós temos que intensificar a questão do diálogo da Secretaria com a academia, mas, principalmente, com os jovens que são fundamentais no desenho da educação em nosso Estado. É importante ouvir a juventude com o que ela traz, com as diferentes perspectivas e necessidades”, destacou a superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio, Cláudia Ocelli Costa, durante a abertura do evento.

Seminário sobre o Ensino Médio será realizado até a próxima sexta-feira. Crédito: Hudson Menezes ACS/SEE

Com um público composto por professores e acadêmicos que trabalham com esse nível de escolaridade em várias regiões do Brasil, o encontro tem uma programação variada que busca refletir sobre o ensino ofertado no país, além de propor medidas de intervenção para melhorar a qualidade e a atratividade dos três últimos anos da educação básica. “Todo mundo que está aqui tem experiência com o Ensino Médio. Então, a ideia é fortalecer um debate e fazer proposições concretas sobre o que a gente entende como base nacional curricular comum”, explica a coordenadora do Observatório da Juventude da UFMG, Licínia Correa.

Alunos, professores e pesquisadores que atuam com o Ensino Médio marca presença no encontro. Crédito: Hudson Menezes ACS/SEE

 

Estudantes do Ensino Médio de todo o país também estão presentes no encontro. Entre eles está Ravana Amorim Santos. A estudante tem 17 anos e cursa o 3º ano em uma escola pública da Bahia. Para a adolescente, o ensino atual não é atrativo, porque não dialoga com o contexto atual. “O ensino que temos na escola é meio anacrônico. Temos um ensino do século XIX aplicado ao século XXI. Isso é algo complicado para poder lidar”, avalia a estudante que participou da última edição do Parlamento Mercosul.

Alunos de todo o país que participaram do Parlamento Juvenil do Mercosul. Crédito: Hudson Menezes ACS/SEE

 

Mapa do Ensino Médio no país

Nesta quarta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou uma publicação intitulada ’10 desafios do Ensino Médio no Brasil’ que traz um mapeamento do Ensino Médio no país. De acordo com o relatório, na última década, o percentual de adolescentes de 15 a 17 anos matriculados no Ensino Médio aumentou da 47,5% para 59,5%. Porém, a publicação também aponta que 16,3% dos adolescentes dessa faixa etária (1,7 milhão) ainda estão fora da escola.

De acordo com o coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef, Mário Volpi, o Ensino Médio traz desafios que se concentram em quatro áreas: infraestrutura escolar; políticas educacionais; valorização e formação do professor; e o aluno. “O maior de todos os desafios do país talvez seja o de não poder abandonar aqueles adolescentes que estão atrasados nos estudos ou que saíram da escola. Essa geração não pode ser dada como uma geração perdida. O país tem um dever ético de inclusão, que precisa ser acelerado, porque, do contrário, nós vamos gastar 30 anos para incluir todo mundo”, disse o coordenador durante coletiva de imprensa realizada na UFMG.

A pesquisa envolveu 250 adolescentes, a partir de grupos focais das cidades de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Belém (PA), Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Santana do Riacho (MG) e foi realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2012 e maio e novembro de 2013.

Clique aqui e confira o relatório na íntegra.

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