O programa, que tem uma hora de duração, vai ao ar neste sábado, às 11h, na Rede Minas de Televisão

Assaltaram a gramática. Assassinaram a lógica. Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia. Sequestraram a fonética. Violentaram a métrica. Meteram poesia onde devia e não devia. Estes versos da música ‘assaltaram a gramática’, de Lulu Santos e Waly Salomão, que se tornou conhecida principalmente a partir da interpretação dos Paralamas do Sucesso, dá o tom do Roda de Conversa que vai ao ar neste sábado, a partir das 11h na Rede Minas de Televisão e vai discutir se ‘Vamos jogar a gramática no lixo?’.

A cada edição o programa discute com três especialistas temas do cotidiano escolar do ponto de vista pedagógico. Esta edição contará com a participação de Maria da Graça da Costa Val, professora da Faculdade de Letras da UFMG e coordenadora de projetos desenvolvidos pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita, o Ceale, da UFMG; Artur Gomes de Morais, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e ainda Zélia Versiani, vice-diretora do Ceale e coordenadora de projeto de produção literária para crianças e jovens, também na UFMG.

A gramática é o tema do programa que vai ao ar amanhã. Foto: Reprodução

O programa conta ainda com a participação de professor Luiz Carlos de Assis Rocha, professor aposentado da Faculdade de Letras da UFMG. Ele foi professor da rede estadual de ensino de Minas Gerais, nos níveis fundamental e médio, por mais de 20 anos e é autor dos livros ‘Estruturas Morfológicas do Português’, em que aborda os problemas da morfologia do idioma sob o ponto de vista da gramática gerativa e de ‘Gramática nunca mais’.

Assis defende que a gramática deve ser ensinada aos alunos do ensino fundamental e médio de maneira diferenciada de como é feito atualmente. “É possível ensinar ao aluno, fazer com que ele domine o português, seja capaz de interpretar e escrever textos na norma padrão, mas sem o estudo da gramática. O aluno tem de praticar o português padrão, fazer exercícios sobre concordância nominal, concordância verbal, acentuação, ortografia, mas não há necessidade de aprender aquela nomenclatura esdrúxula, rebarbativa, que não funciona, que não tem lógica”, defende.

A opinião é compartilhada pela professora Maria da Graça Costa Val. “Quando a gente pensa em português padrão, a gente cria uma situação engessadora. Não cabe a uma criança, a um adolescente ficar decorando conceitos da gramática tradicional, inclusive muito questionada pelos lingüistas. É absolutamente inútil. O importante é garantir, sobretudo em escola pública, que os alunos possam ajustar-se a usar conforme o contexto a linguagem apropriada”, enfatiza.

“Mas de que gramática estamos falando?”, polemiza o professor da UFPE, Artur Gomes de Morais. “Já são 30 anos que a gente no Brasil vive esse movimento de renovação do ensino da língua portuguesa priorizando as competências de ler, compreender e produzir textos”, acrescenta.

Dúvidas frequentemente levantadas por estudantes foram ponto de pauta da professora Zélia Versiani durante o debate. “Os alunos falam que Português é muito difícil, mas a dificuldade estaria onde? Creio que a dificuldade está no fato dos professores ensinarem a gramática normativa, pois ela é o centro da aula de português ainda hoje, mas é dada de maneira descontextualizada", avalia.

Confira a chamada dessa edição do Roda de Conversa

 

 

Roda de Conversa

O Roda de Conversa é uma idealização da Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores e da Assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Educação, com produção da D2R Studios.

Todos os programas estão disponíveis pelo YouTube, no canal da Secretaria de Estado de Educação ou no canal da Magistra. Outra opção é o Centro de Referência Virtual do Professor (CRV). Para sugerir temas basta enviar um e-mail para magistra.rodadeconversa@educacao.mg.gov.br ou ligue para (31) 3379-8289.

 

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