Ana Maria Casassanta Peixoto, Helena Antipoff e Bartolomeu Campus de Queirós têm fatos importantes de suas vidas e obras destacados em exposição na Escola de Formação

Na história da educação no Brasil e, especialmente em Minas Gerais, nomes importantes ajudam a construir essa trajetória do saber. Ontem (04/12), na comemoração dos 1000 dias da Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores – três novos personagens passam a integrar a série de fotobiografias “Educadores de Minas”. Em uma espécie de linha do tempo, vida e obra de Helena Antipoff, Bartolomeu Campos de Queirós e Ana Maria Casasanta Peixoto, e podem ser revisitados em imagens e textos por aqueles que têm interesse no universo do aprendizado.

Com essas novas fotobiografias, sete nomes importantes da educação mineira já receberam a homenagem da Magistra. Foto: Hudson Menezes ACS/SEE 

Nascida na Rússia no ano de 1892, Helena Antipoff transcendeu as fronteiras do seu país ao realizar sua formação escolar em cidades como Paris e Genebra. Em 1929, a educadora assinou um contrato com o governo de Minas para lecionar Psicologia Experimental e da Criança, além de dirigir o Laboratório de Psicologia da Escola de Aperfeiçoamento dos Professores de Belo Horizonte.

“Essa é uma fotobiografia mais centrada nas contribuições que ele deu à educação, porque ela também teve um grande papel na psicologia. Falamos sobre diferentes momentos de sua vida, como a sua atuação na formação de educadores, na educação dos excepcionais e na educação rural”, destaca a curadora da fotobiografia e presidente do Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, Regina Helena de Freitas Campos. Helena Antipoff faleceu em 1974.

Primeiro personagem masculino da série “Educadores de Minas“, Bartolomeu Campos de Queirós completa o ciclo de novos nomes. Nascido no ano de 1940, Bartolomeu foi educador, escrito e poeta. Sua fotobiografia foi embasada em entrevistas realizadas com familiares e amigos. “Nós procuramos mostrar coisas que até então não foram ditas, como suas peraltices, mas nos foram relatadas por essas pessoas próximas. Tem uma história curiosa que está relacionada ao tempo em que ele morou na casa de um vigário, no município de Papagaios. Esse vigário tinha um papagaio que morreu. Então, Bartolomeu fez uma cerimônia para o enterro do papagaio. Ele vestiu a batina do padre para o velório e convidou uma empregada muito religiosa para pedir a deus pela alma do papagaio”, conta a curadora Elza de Castro Vidal que é professora aposentada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Bartolomeu Campos de Queiroz faleceu em 2012.

Uma infância marcada pelas obras de Monteiro Lobato e por uma paixão pela biblioteca do pai. Essas são algumas das curiosidades que marcam a história de Ana Maria Casassanta (1943-2008). Essa belorizontina passou por espaços tradicionais da capital mineira como o Grupo Escolar Barão do Rio Branco. “O mais significativo da vida dela foi a criação do Museu da Escola que, depois que veio para a Magistra, foi batizado de Museu da Escola Ana Maria Casasanta Peixoto. Para dar construção ao acervo do museu, ela envolveu suas alunas e pessoas próxima a partir de um trabalho de sensibilização sobre a importância da memória”, lembra Alícia Maria Almeida Loureiro que teve Ana Maria Casassanta como sua orientadora de mestrado. Alícia Loureiro é a curadora da fotobiografia juntamente com as professora Francisca Izabel Maciel da Faculdade de Educação de Minas Gerais e a professora Kátia Gardênia Henrique da Rocha Campelo da Universidade do Estado de Minas Gerais.

Depois de uma série de educadoras homenageadas, Bartolomeu Campos de Queirós é o primeiro homem a ter uma fotobiografia. Foto: Guilherme Brasil ACS/SEE

A valorização da memória parece mesmo ser uma questão de família, tanto que a importância dada ao assunto por Ana Casasanta é destacada por sua irmã Terezinha Casasanta. “Eu sou muito a favor disso, da memória, porque precisa a gente conhecer a memória para poder olhar para o futuro, para poder marchar. É muito importante esse trabalho de recuperação da história. Se a gente não conhecer a própria história como podemos olhar para o futuro e avançar”, avalia Terezinha que esteve presente no lançamento da fotobiografia da irmã, falecida em 2008.

A série que faz uma homenagem aos nomes que ajudaram a construir a educação mineira também conta com as personagens: Alda Lodi, Alaíde Lisboa, Lúcia Monteiro Casasanta e Elza Moura.

Espaço também é memória

Se personagens ajudam a construir a memória, espaços também dão sua contribuição. O Campus Gameleira, onde hoje está localizada a Magistra, também já foi cenário de outras atividades ligadas à educação. De acordo com a educadora Helena Lopes, na década de 1960 não havia curso de Pedagogia, então muitos educadores vinham a Belo Horizonte para se capacitarem. “A gente fazia um trabalho de orientação não só com professores do Leon (Escola Estadual Leon Renault), mas de outras escolas de Belo Horizonte e do Brasil inteiro. No tempo em que não havia curso de pedagogia em nenhum lugar quase, o povo vinha era pra cá e estudava lá em cima (bloco c) que funcionava como hotel. De início, os cursos eram de seis meses e depois passaram a ser de um ano”, recorda.

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