Literatura tem sido usada para trabalhar a temática com alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental

O uso do lúdico para o despertar da cidadania. Neste dia 20 de novembro, o Brasil comemora o Dia da Consciência Negra. Mais que um momento de reflexão sobre a igualdade de direitos, a data também pode servir de estímulo para ações em prol do fim de preconceitos como o racismo. Esse trabalho de sensibilização pode começar ainda na infância, como a iniciativa adotada na Escola Estadual Dr. Sá Brito, em Boa Esperança, no Sul de Minas.

Dentro do projeto “O amor não tem cor”, desenvolvido com alunos do projeto Educação em Tempo Integral, as crianças têm a oportunidade de aprender um pouco sobre os hábitos e costumes da cultura africana que contribuíram na formação cultural do Brasil. O trabalho é desenvolvido a partir de atividades de danças, música pintura e teatro. A culminância da inciativa, que começou a ser desenvolvida em setembro, ocorreu nesta quinta-feira, com a encenação de musical baseado no livro “Menina bonita do laço de fita”, da escritora Ama Maria Machado.

Na escola, o tema foi abordado no projeto 'O amor não tem cor'. Foto: Arquivo da Escola

“Eu, por ser negra, também acho que trabalhar a questão do preconceito é um papel da escola e não deve ser feito só no dia de hoje. Discutir esse tema com as crianças é muito mais fácil, porque eles estão mais abertos à tolerância, sem contar que também ajudamos na formação do caráter delas”, destaca a professora Edna Maria de Souza Silva.

O livro que inspirou a peça de teatro conta a história de uma amizade entre uma menina negra e um coelho branco. “Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...”, desejava o coelhinho na história. Aos participar da apresentação realizada na escola, a aluna de seis anos, Gabriela Silva Ferreira, destacou o que mais gostou da história contada. “Eu gostei muito da musiquinha que o coelhinho cantava para ela. No final da história ele teve vários filhotinhos, um era marrom, outro branquinho. Tinha de várias cores”, lembra a pequena.

A culminância foi uma peça baseada na obra 'Menina bonita do laço de fita'. Foto: Arquivo da Escola

Outras histórias como as apresentadas nas obras “A bonequinha Preta”, de Alaíde Lisboa e “A nuvenzinha negra”, de Vanda Berger, também fizeram parte das ações desenvolvidas dentro do projeto “O amor não tem cor”.

Consciência Negra

O Dia Nacional da Consciência Negra, também conhecido como o Dia Nacional de Zumbi, foi instituído, oficialmente, pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data é uma referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. A morte do líder do quilombo ocorreu em 1695, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho.

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