Programa vai ao ar às 10h30 pela Rede Minas

“Esta paisagem? Não existe. Existe espaço vacante, a semear de paisagem. A presença das serras, das imbaúbas, das fontes. A paisagem vai ser, somos a paisagem”! Quando Carlos Drummond de Andrade escreveu esses versos do poema ‘Paisagem: como se faz’, não sabia que caberiam ‘como luva’ no projeto estrutural da Escola Estadual de Lagoa, na zona rural de Esmeraldas, em Minas Gerais. Nesta escola, cada edificação vem cuidadosamente se erguendo, sempre atrelada ao projeto político pedagógico. É dessa maneira que tudo vira espaço de aprendizagem. Essa história será contada em detalhes no programa Roda de Conversa que discute ‘a influência da arquitetura no processo de aprendizagem’ e vai ao ar neste sábado, 10 de maio, às 10h30 pela emissora Rede Minas.

A Escola Estadual de Lagoa fica a 60 quilômetros da capital mineira, Belo Horizonte, em região cercada por verde e um silêncio pouco habitual. Com 360 alunos, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, a escola vai aos poucos construindo sua paisagem e preservando uma arquitetura singular.

Na Escola Estadual da Lagoa, em Esmeraldas, cada edificação vem cuidadosamente se erguendo, sempre atrelada ao projeto político pedagógico. Crédito: Divulgação SEE

Espaço para isso é que não falta, afinal possui um terreno com aproximadamente três mil metros quadrados onde há horta, espaço interativo com mesas onde os alunos praticam xadrez, além de auditório e cantina. Mas nem sempre foi assim, como explica a diretora Flávia Cristina Oliveira. “Era uma escola muito destruída, a partir de 2004, conseguimos fazer um projeto político pedagógico atrelado à rede física e com isso obter a verba para reforma e ampliação”.

A biblioteca e o laboratório de informática são algumas das conquistas recentes que contou com o engajamento de toda a comunidade, como relembra a professora Nelma Isabel Capistrano. “Professores, membros do colegiado, toda a comunidade escolar, cada um deu uma opinião, todo mundo participou o que fez a diferença. Tem gente que acha que zona rural não precisa de certas coisas, mas pelo contrario, nós vimos essa necessidade porque aqui as crianças não têm acesso, por exemplo, à internet ou uma biblioteca pública”, pontua.

Alunos em atividades pensadas a partir dos espaços que a Escola Estadual da Lagoa, em Esmeraldas possui. Crédito: Divulgação SEE

Tá na Roda

Um dos especialistas convidados do programa é Luciano Mendes de Faria Filho, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, ele destaca que o engajamento coletivo é fundamental. “Não só arquitetos ou a equipe técnica responsável pelas obras, participam os professores, a comunidade e vários outros atores, a grande questão é dar mais visibilidade a esses sujeitos para que eles tenham consciência de que é possível discutir a construção de um espaço pedagógico, incorporando vários pontos de vista”.

Já Beatriz Goulart, arquiteta e consultora do Ministério da Educação, defende que há uma questão de ordem, de funcionalismo que a arquitetura precisa responder, mas é preciso quebrar paradigmas. “Nós arquitetos temos uma lista rígida, que é o código de obras, um programa de necessidades que especifica o que tem de ter numa escola, mas que foi pensado para uma escola padrão do século 19, a regra não é divina, ela foi feita pelo ser humano e podemos mudar a legislação”, argumenta.

Opinião compartilhada pela especialista convidada Maria Rosa Chaves, assessora pedagógica da Rede de Colégios Marista. “A concepção da centralidade da sala de aula, onde o conhecimento é dado daquela forma, com o professor no tablado e onde todos os alunos tem que aprender ao mesmo tempo e no mesmo ritmo vem sendo questionada mas como faremos para respeitar esse ritmos e fazer com que as crianças consigam aprender do seu jeito?”, questiona.

Outro ponto importante a ser debatido no programa é a acessibilidade, que será discutida a partir do depoimento do professor Marcelo Pinto Guimarães, da Escola de Arquitetura da UFMG.

Vale a pena ver de novo

Os programas estão disponíveis no canal do Youtube da Secretaria de Estado de Educação ou no canal da Magistra. Outra opção é assistir no Centro de Referência Virtual do Professor (CRV).

Idealizado pela Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores e a Assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Educação, o programa é uma parceria com a Rede Minas de Televisão e debate temas do cotidiano da educação com foco em experiências das escolas estaduais de Minas Gerais.

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