Capacitação de educadores está prevista para o segundo semestre e será oferecida pela plataforma da Magistra
Durante a rotina escolar, os professores lidam com situações que vão além do pedagógico. Conhecer os contextos de vida dos alunos e as peculiaridades de cada um são medidas que podem contribuir para o bom convívio e o aprendizado nas escolas. A partir dessa ideia, a Secretaria de Estado de Educação, em parceria com o Centro de Apoio para Hemoglobinopatias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Fundação Hemominas e a Secretaria de Estado de Saúde desenvolvem o projeto “Saber para Cuidar: doença falciforme na escola”.
“O importante é que esse projeto traz à tona a discussão sobre a doença falciforme que está presente no cotidiano da sala de aula e que o professor desconhece. A ideia é trazer ao conhecimento dos educadores para que eles possam entender melhor essas crianças no cotidiano escolar”, explica a diretora de Educação Especial da SEE, Ana Regina de Carvalho.

Para esse trabalho de orientação dos professores, a iniciativa prevê a capacitação técnica e política dos profissionais da educação em doença falciforme e educação inclusiva. A formação dos educadores está prevista para o segundo semestre de 2014 e será oferecida na modalidade a distância através da plataforma da Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores.
A etapa que antecede a formação dos educadores é a de sensibilização. Realizada em 2013, essa etapa contou com a participação de quatro escolas estaduais de Belo Horizonte. São elas: “Professora Benvinda de Carvalho”, “Doutor Antônio Augusto Soares Canêdo”, “Jornalista Jorge Paes Sardinha” e “Professora Inês Geralda de Oliveira”.
O momento de sensibilização foi realizado a partir de oficinas que trabalham dinâmicas de grupo, estudo de caso e questionário e a formação dos professores. “Há alguns anos, eu recebi alunos com anemia falciforme e não sabia nada, nunca tinha ouvido falar sobre essa anemia. Os alunos faltavam muito e sentiam dores no joelho. Lembro que nós tínhamos que ter atenção redobrada na hora do recreio para que eles não se machucassem. Com as palestras, nós aprendemos os cuidados que devemos ter com esses alunos e ficamos mais atento”, lembra a vice-diretora e professora da Escola Estadual Jornalista Jorge Paes Sardinha, Soraya do Valle Aleixo.
A ação integrada resultou em um informativo bimestral que traz as orientações e ações desenvolvidas dentro do projeto “Saber para Cuidar: doença falciforme na escola”. Confira aqui a edição Março/Abril do “Informativo do Saber”.
Na Secretaria de Estado de Educação, o projeto é coordenado pela Diretoria de Educação Especial, da Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino.
Doença Falciforme
A doença falciforme é resultante de alteração genética caracterizada pela presença de um tipo anormal de hemoglobina denominada Hemoglobina S (HbS). Ela faz com que as hemácias adquiram a forma de foice (daí o nome falciforme), em ambiente de baixa oxigenação, dificultando sua circulação e provocando obstrução vascular.
A doença falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil e apresenta, já nos primeiros anos de vida, manifestações clínicas importantes. Em Minas Gerais, a Fundação Hemominas atende cerca de seis mil pacientes com doença falciforme, sendo a maioria desses pacientes crianças e jovens que são atendidos em 11 ambulatórios da Fundação em todo o Estado.