Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben, professora e diretora da Magistra da Secretaria de Estado de Educação de MG
Paula Cambraia de Mendonça Vianna, professora e vice-diretora da Magistra da Secretaria de Estado de Educação de MG
Há um ano e dez meses a Magistra foi criada. O desafio era e continua a ser enorme porque a escola da escola não pode ser da rede estadual, mas deve contemplar todos os educadores da rede pública de Minas Gerais. Abraçamos, então, a articulação de um processo amplo de formação, assumindo o educador como ser completo, mas que precisa atuar em contextos específicos. Um educador-pessoa, que incorpora diferentes dimensões no seu fazer: a estética, a ética, a afetividade, o lado pessoal e o profissionalismo. Dimensões que se fundem e se manifestam no dia a dia de trabalho.
Decidimos por desenhar a metodologia da Magistra como um átomo no qual esses princípios se fazem presentes, formando o núcleo no qual diferentes programas compõem orbitais de possibilidades. A partir daí, foram criados o programa “Oferta Livre de Cursos”, para que o educador construa autonomamente o seu percurso; o “Roda de Conversa”, com o objetivo de atualizar os professores por meio das pesquisas realizadas por especialistas em assuntos da escola; os “Seminários de Imersão”, para que os profissionais da educação vivenciem experiências intensas; o “Congresso de Práticas Educacionais”, para dar visibilidade ao trabalho e incentivar o registro e a troca de experiências.
Mas por que a decisão de escrever sobre a Magistra no Dia do Professor?
Durante o encerramento, no dia 10 de outubro de 2013, do 2º Congresso de Práticas Educacionais da Rede Estadual de Minas Gerais aconteceu algo inusitado. Depois de uma semana intensa, na qual tivemos a oportunidade de conhecer relatos que incorporam o que há de melhor das equipes das escolas que ali estavam representadas, uma professora se levanta diante dos 600 participantes e pede a palavra. Estamos acostumados com este momento: oportunidade para que os colegas solicitem algo e verbalizem críticas, sugestões para o próximo encontro.
Mas dessa vez foi diferente! A professora pediu que todos levantassem a mão direita e juntos abençoassem a Magistra e sua equipe, para que ela continuasse a desenvolver o seu trabalho, “oferecendo aos educadores de Minas o que eles precisam”. Todos levantaram as mãos e, simbolicamente, abençoamos a Magistra, a escola da escola da Secretaria de Estado de Educação. Ficamos emocionados e perplexos! Em quarenta anos de vida profissional, participando de inúmeros espaços públicos, nunca havíamos presenciado tamanha espontaneidade e sintonia coletiva, num gesto de tanta generosidade.
Este gesto nos faz pensar. O que temos feito para obter um carinho tão especial? O que precisamos continuar a fazer para atender aos educadores, razão de ser da escola da escola? Do que precisam, realmente, os professores?
Encontramos a resposta no sentimento de alegria que aquele gesto representou para todos nós: o reconhecimento, a gratidão e a dignidade profissional. Sim, o professor precisa disso! Os educadores, em seu cotidiano, convivem com as incertezas, as frustrações pessoais, os problemas diversos que a vida impõe e, nessa rede de interações, mescladas por sentimentos diversos, são tecidas possibilidades que procuram apresentar um futuro com cores mais brilhantes, mais amenas ou capazes de desenhar sonhos possíveis para nossas crianças e jovens. A sociedade precisa ser grata a eles, grata pelo bem que fazem, diuturnamente, em cada canto e recanto do país.
Obrigada, educadores da rede pública mineira, vocês nos emocionaram porque permitiram que vivenciássemos os sentimentos de que tanto precisamos! E parabéns por nosso dia. Feliz Dia do Professor!