Feira de Ciências que leva trabalhos de alunos para as ruas de Simonésia chega à sua terceira edição

Hoje e amanhã (4 e 5 de julho), escolas de Simonésia, na Zona da Mata, e cidades vizinhas trabalham juntas para mostrar os trabalhos de seus alunos para a população da cidade. Pelo terceiro ano consecutivo é realizada a Mostra Simonesiense de Trabalhos Científicos (Mosit). Pelos próximos dias, serão expostos 54 trabalhos de dez escolas da cidade, quatro delas estaduais: Escola Estadual Padre Miguel, Escola Estadual João Augusto de Carvalho, Escola Estadual Jovelino da Terra Pereira e Escola Estadual do Povoado São Vicente. A Escola Estadual Valdomiro Mendes de Almeida, de Matipó, e a Escola Estadual de Manhuaçu estão entre as escolas de cidades vizinhas que vão até Simonésia para apresentar trabalhos.

Para o professor Antonio Claudio Porfírio Fuly, que dá aula de História e Geografia na Escola Estadual Padre Miguel e é membro da diretoria do Instituto Pagus, que coordena o evento, o mais importante é instigar nos alunos o interesse pela pesquisa, mas a Mostra vai além disso. “As escolas produzem muita coisa, mas fica só no âmbito escolar. Queremos mostrar os trabalhos para que a comunidade entenda o valor do professor e do trabalho dos alunos”.

A Escola Estadual Padre Miguel é a maior de Simonésia e tem uma participação expressiva na Mosit. Só de lá, são 1.500 alunos envolvidos nas atividades dos próximos dois dias. O professor de Ciências e Biologia, Vicente Vasconcelos, além de diretor acadêmico da Mostra e componente do Instituto Pagus, orientou dois trabalhos do ensino médio. Um deles, feito por alunos do 3º ano, vai apresentar um modelo de casa ecologicamente correta. Além de um banner que explica o trabalho, os alunos montaram uma maquete que dá uma ideia da construção, mostrando como aproveitar a luz solar e reaproveitar a água de chuvas, por exemplo.

No ano passado, a Mosit teve 7,5 mil visitantes. A expectativa para a terceira edição é que esse número suba para 10 mil. Foto: Arquivo Instituto Pagus

O professor ressalta que seu papel no desenvolvimento dos projetos foi de orientador e o trabalho foi desenvolvido pelos alunos e que, além de aprenderem os conteúdos dos seus próprios projetos, eles adquirem ainda mais conhecimento visitando os outros estandes da Mostra. “São mais de 50 trabalhos, creio que, ao ter acesso a esses conhecimentos, eles têm uma grande oportunidade de aprenderem a percepção científica”, afirma.

Érica Lúcia de Lima, aluna do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual João Augusto de Carvalho, concorda com o professor. “Dá para aprender muito. Os outros grupos fazem trabalhos sobre coisas que nem conhecemos. E acho que até entendo melhor com uma pessoa da minha idade explicando, a gente se entende e interage melhor”.

A jovem fez parte da equipe vencedora do II Mosit, no ano passado. Com os colegas da escola que fica no distrito de São Simão do Rio Preto, a 24 quilômetros da sede, ela teve a oportunidade de mostrar o trabalho sobre Tropeirismo, feito com a orientação de dois professores de História, na UFMG Jovem. Ela espera, mais uma vez, ficar com o primeiro lugar. “No ano passado, nossa apresentação foi muito elogiada, as pessoas perguntavam e conversavam muito com a gente. Agora, nosso trabalho está muito bom, acho que se não ganharmos de novo pelo menos vamos ter uma boa colocação”, conta, otimista, a jovem que, com seu grupo, vai apresentar um trabalho sobre benzeções.

No ano passado, eles distribuíram lanches, como porções de feijão tropeiro, broa de fubá e café, além de mostrarem equipamentos que os tropeiros usavam, inclusive nos cavalos. Esse ano, o grupo entrevistou benzedeiros e pesquisou a história. Na apresentação, além de passar isso aos visitantes do estande, a equipe também vai mostrar plantas usadas na benzeção e distribuir sachês com amostras.

Serão mais de 50 estandes com trabalhos de alunos dos ensinos fundamental e médio. Foto: Arquivo Instituto Pagus

Além de ser filiada à UFMG Jovem, a Mosit é filiada a outras feiras regionais e estatuais, como a Feira Brasileira dos colégios de Aplicação e Escolas Técnicas (Febret) e a Feira Brasileira de Ciência e Engenharia da USP (FEBRACE). Os três primeiros lugares premiados na Mosit são indicados para participarem destas feiras.

A Mosit II, realizada em 2012, recebeu aproximadamente 7.500 pessoas e, para esse ano, a expectativa é que mais gente ainda veja os trabalhos dos alunos. “Esperamos em torno de 10 mil pessoas. Houve um trabalho maior de divulgação e já sabemos que muitos alunos de cidades próximas vêm visitar”, afirma o professor Claudio. São mais de 500 alunos trabalhando nos estandes, apresentando trabalhos, e muitos outros na monitoria de oficinas, na organização do evento e auxiliando os visitantes.

Parcerias pelos jovens talentos

As escolas participam, mas não trabalham sozinhas. A Mosit começou em 2011 e, desde então, é organizada pelo Instituto Pagus, uma ONG criada em 2008 por cidadãos de Simonésia, em sua maioria professores da rede pública de ensino, cujo propósito é fomentar o desenvolvimento de projetos diversos de ensino, pesquisa e extensão. Sob a coordenação do Instituto, que é dirigido pelo biólogo Celso D’Amato Baeta Neves, que também é gestor do Estação Ecológica da UFMG, é montada uma rede de parceiros, públicos e privados, que colaboram para o êxito do evento. É um exemplo de articulação público-privada e demonstra que com a formação de parcerias é possível incentivar a formação dos jovens talentos.

Em 2013, para a montagem dos 50 estandes e 12 tendas, além dos materiais de consumo, projetores, diária e outros itens, houve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Já a prefeitura participou com a mão de obra, como vigilantes, eletricistas, pessoal de limpeza, reforço policial e prestação de serviços de saúde. Além disso, fez pequenas ações de cidadania, como aferição de pressão e medição da glicose, e colaborou com a hospedagem e alimentação dos expositores e oficineiros.

Também há oficinas e outras atividades para os visitantes da Mostra. Foto: Arquivo Instituto Pagus

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também participa da Mostra através da participação da Estação Ecológica da UFMG, do Museu de Ciências Morfológicas e do Observatório Astronômico da UFMG, que atuam ministrando cursos, oficinas exposições. Esse ano há também a participação do Caminhão da Ciência da Fundação Ezequiel Dias (FUNED), com exposições sobre serpentes, vetores de doenças tropicais, oficinas e exibição de filmes científicos.

A Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Manhuaçu teve um papel fundamental na hora de mobilizar as escolas do município e do entorno, tanto para a apresentação dos trabalhos quanto para a visitação. A equipe de analistas acompanha os três dias de evento e a Mostra entrou no calendário escolar e é contada como dia letivo, o que é um incentivo aos professores e alunos.

Programação

A maior parte da Mosit acontece nas ruas da cidade, mas outros espaços têm exposições de alunos e parceiros. Nas ruas estão os estandes com trabalhos das escolas, o caminhão da ciência da FUNED, a exposição da Polícia Militar de Minas Gerais, sobre meio ambiente, trânsito e outros temas, e a tenda da Secretaria Municipal de Saúde. Já no Instituto Pagus há exposição de cobras e serpentes, exposição de quadros de artistas locais e oficina de Bicho Pau. A Oficina Dinossauros, o planetário e a exposição de uma das escolas estão no Ginásio Coberto da cidade.

Mensagem para os participantes

A Secretária de Estado de Educação Ana Lúcia Gazzola gravou uma mensagem para os participantes da Mostra. "A terceira Mosit é extremamente interessante e importante e deve constituir um exemplo para todos os municípios mineiros. É uma excelente prática de formação e divulgação científica que cria condições muito especiais para incentivar o interesse de nossos alunos e alunas no campo das ciências", afirma a secretária. Veja a mensagem na íntegra:

Veja imagens das edições anteriores da Mosit na galeria:

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