Projeto será universalizado em 2014 para todas as escolas estaduais que oferecem o ensino médio em Minas Gerais

Criado para ressignificar o ensino médio e a escola pública em Minas Gerais, o projeto Reinventando o Ensino Médio, da Secretaria de Estado de Educação, chega a mais 122 escolas da rede estadual de ensino em 2013, oferecendo quatro novas áreas de empregabilidade: Empreendedorismo e Gestão, Meio Ambiente e Recursos Naturais, Estudos Avançados em Ciências e Estudos Avançado em Linguagens e, por esta razão, a volta as aulas para os estudantes do ensino médio nestas instituições chegam com uma nova roupagem este ano.

Estudantes da área de empregabilidade de Turismo, da Escola Estadual Bolivar Freitas, em visita ao Parque Estadual do Sumidouro, localizado na região de Lagoa Santa. Foto: Divulgação SEE

Em 2012, 11 escolas da região norte de Belo Horizonte receberam o programa em sua fase de implantação, e os resultados já surtiram efeitos positivos segundo professores e coordenadores do Reinventando nas escolas. Turismo, Comunicação Aplicada e Tecnologia da Informação foram as áreas de empregabilidade pelas quais as 11 escolas optaram por ofertar para seus alunos do ensino médio, em 2012.

Em suma, o Reinventando o Ensino Médio reformula o currículo escolar convencional, a partir da inclusão e integração de áreas de empregabilidade ao Currículo Básico Comum (CBC) do estudante. As escolas da rede estadual selecionadas para receber o programa, tiveram a prerrogativa de escolher três áreas de empregabilidade dentre as 16 oferecidas. O aluno, por sua vez, opta pela escolha de área que deseja cursar dentre as três áreas oferecidas pela instituição.

O trabalho das escolas em 2012

Na Escola Estadual Maria Luiza Miranda Bastos, de Belo Horizonte, 100 alunos optaram pela adição da Comunicação Aplicada em seu currículo escolar do ensino médio. Um dos projetos desenvolvidos ao longo de 2012 foi a criação de uma empresa fictícia para o levantamento de fundos destinados a um abrigo de crianças carentes, moradoras de áreas vulnerabilidade social. O trabalho fez parte do conteúdo Comunicação na Prática e exigiu dos alunos uma pesquisa de campo pelo bairro para mapear as demandas dos locais na comunidade no entorno da escola e quais projetos sociais eram voltados para estas deficiências. Em seguida os estudantes traçaram uma pesquisa de mercado, para saber que tipo de produtos teria aceitação do público. Uma feira de alimentos foi, então, realizada e o lucro da venda foi revertido para a compra de brinquedos, chinelos, equipamentos eletrônicos e utensílios para o abrigo.

Para Adriana Alvim, coordenadora do Reinventando na escola “o programa trouxe uma cara nova para o ensino médio e um sentido para estar na escola. As aulas estão mais dinâmicas, e os alunos acessam mais tecnologias”. Os alunos da escola Maria Luiza Miranda Bastos, que optaram pelas aulas de Tecnologia da Informação (TI), outra área de empregabilidade, tiveram a oportunidade de produzir jogos virtuais, em 2012, o que demandou habilidade para escolha de comandos eletrônicos, criação de personagens e elaboração de enredos. “O aluno aprende na sala de aula aquilo que vai usar de imediato e não o que será aplicado daqui a pouco”, pontuou.

A gerente do projeto Cynara Quintão, lembrou que as áreas de empregabilidade do Reinventando o Ensino Médio não se trata de áreas profissionalizantes “A proposta é dotar os alunos de competências e habilidades que estão alinhadas as necessidades e exigências do mundo do trabalho e também do mundo acadêmico. O que pretendemos é aperfeiçoar a cognição do aluno de forma global. O que não quer dizer, por exemplo, que o aluno que optou por Turismo, será um técnico na área ou seguirá carreira”.

Para a coordenadora do Reinventando o Ensino Médio na Escola Estadual Paschoal Comanducci, Cristiana Martins Peixoto Evangelista, “as áreas de empregabilidade que escolhemos (Turismo, Comunicação Aplicada e Tecnologia da Informação) foram muito assertivas para nossos alunos e o atendimento pedagógico significativo”. Ainda segundo a gerente do projeto na escola, “os conteúdos programáticos norteiam a aplicação das disciplinas, mas a metodologia é da escola, respeitando suas características e especificidades regionais”, frisou.

Para aplicar, por exemplo, o conteúdo “Atratividade turística: valores culturais e paisagísticas”, lecionado para alunos do 1º ano do ensino médio da área de Turismo, algumas escolas da capital optaram pela promoção de visitas a espaços culturais, como mostras de cinema, museus e espaços científicos. Na avaliação de Sandra Amaro, da Escola Estadual Hilton Rocha, as visitas recorrentes dos alunos de Turismo e Comunicação Aplicada a estes espaços “propiciou uma mudança significativa de comportamento nos alunos, além da melhora na relação aluno e professor”.

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Rafaela Augusta da Silva Pereira, coordenadora do Reinventando o Ensino Médio na Escola Estadual Donato Werneck de Freitas concorda. A adição das novas disciplinas no currículo propiciou aos estudantes avançar no campo social e pessoal. “Dentro de sala nossos alunos se tonaram mais participativos, e fora da escola estão mais pró-ativos e autônomos. Se vão ao um museu, por exemplo, não ficam mais calados, questionam o que veem”, avaliou.

Em 2012, a coordenadora do Reinventando o Ensino Médio na Escola Estadual Paschoal Comanducci, Cristina Martins Peixoto promoveu também visitas técnicas a entidades de ensino, empresas e órgãos públicos, além da participação em eventos. Bienal do Livro, redações de jornais, Câmara Municipal, Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), universidades e Fundação Clóvis Salgado (FCS) foram alguns dos locais que tiveram sua funcionalidade estudada. “Na Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), os alunos das três áreas de empregabilidade estudaram comunicação visual nos aeroportos, o marketing, espaços de locação, o trabalho dos agentes de turismo, a forma de recepção do passageiro, sistema de controle aeroportuário, cada qual dentro da sua área de especificidade”.

Para a orientadora de Comunicação Aplicada do Reinventando o Ensino Médio da Escola Estadual Tancredo Neves, Débora Martins da Costa Barbosa, observou que os alunos “mostraram afinidade com as áreas de empregabilidade que escolheram”.

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