Diretores compartilharam experiências exitosas e grupo de teatro formado por detentos emocionou plateia. Especialistas também marcaram presença
O Grupo teatral Vida Nova, da Penitenciária José Maria Alckimin encerrou o segundo ciclo de palestras do Fórum Regional da Paz Escolar e de Articulação em Rede, na tarde desta quinta-feira, 28. O grupo de detentos emocionou a platéia composta por educadores e gestores de 500 escolas de Belo Horizonte e região metropolitana, pela irreverência, qualidade artística e pelo exemplo de superação. Alguns já cursam faculdade á distância.

Composto por dez homens, o grupo teatral, que já tinha se apresentado no início desta semana no I Seminário Estadual de Educação nas Prisões, no Instituto Isabela Hendrix, trouxe um novo espetáculo para o ForPaz, com uma abordagem alinhada a proposta principal do Fórum que prima pela mediação de conflitos. Ou seja, o enfrentamento de problemas associados a condições geradoras de violência que podem ser intercedidas e amparadas por entidades e instituições parceiras.
Secretaria de Estado de Educação, Promotoria da Infância da Juventude, Associação de Pais e Alunos, Ministério Público, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CRAS), Guarda Municipal de Belo Horizonte, Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Associação de Moradores de Bairro, Sesc, sanai, senas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) são algumas das entidades parceiras do ForPaz.
Entre os especialistas convidados para palestrar neste primeiro dia de encontro, esteve o professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Walter Ude. Para o professor “está claro que as escolas que mais sofrem com a violência são aquelas que mais se isolam socialmente. O ponto-chave, que já começa a ser compreendido por algumas escolas e sociedade, é a necessidade da articulação de políticas de vários setores sociais em torno de um problema comum, envolvendo, por exemplo, promotorias, universidades, defensoria pública. Viemos de uma sociedade com tradição isolacionista, especialista. Precisamos resgatar a sociedade civil”.
Ude relatou ainda acredita que o Fórum realizado em outras regiões do estado no semestre de 2012, tem causado o impacto esperado. “Sentimos que os educadores estão mais focados, conscientes deste novo paradigma que requer parcerias e aberturas. O pedagogo que só estuda escola, não entende nada de escola. É preciso entender a diversidade e o entorno. A escola pode estar violenta,mas violência não advem da Educação, é um problema social. Por isso não há como desvincular saúde, segurança e assistência social, por exemplo, de educação. As coisas estão interligadas”, concluiu o professor da UFMG lembrando o trabalho que o Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil no Território Brasileiro (PAIR) desenvolve. “O PAIR trabalha com vários setores. Possuem grupos de trabalhos e grupos de estudos. Chamam autoridades, constroem propostas articuladas e metodologias de atuação a partir de problemas comuns, amplos”, contou.

Relato de experiências
Os diretores das escolas estaduais, Silviano Brandão, Governador Milton Campos – conhecida como “escola estadual central” -, e escola Eduardo Azeredo, Márcio Antonio Fonseca, Jeferson Pimenta e Djalma Marques, respectivamente, também dividiram experiências.Os três diretores foram selecionados e convidados pela Secretaria de Estado de Educação para relatarem suas experiências bem sucedidas para o público do ForPaz.
O 'sábado esportivo', da Escola Estadual Governador Milton Campos, que melhorou a relação entre alunos e criou um senso de pertencimento e de preservação em relação ao patrimônio escolar, além da retomada do quadro de paz na Escola Estadual Silviano Brandão, localizada no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte fazem parte destes casos exitosos. “Assumi a Silviano Brandão em um momento delicado e fiquei assustado com a decadência da escola que já tinha levado alunos para apresentações culturais no exterior. O que mais me incomodava era a descrença dos professores em relação á reversão do quadro. Atualmente não temos mais polícia na escola. O que existe é diálogo. Todos passaram a trabalhar e a se engajar”, relatou o diretor.
Todos os 500 participantes receberam uma bolsa com cartilhas e outras informações correlatas sobre o que a Secretaria de Estado de Educação vem desenvolvendo para promoção da paz, bem como informativos sobre o trabalho das entidades e instituições parcerias.
Participação juvenil
Os jovens do Programa Mérito Juvenil, que é a primeira turma do Curso de Capacitação em Mediação de Conflitos na Escola (MESC) a se formar, se apresentaram também no Forpaz desta quinta-feira, 28, cantando. Estes jovens atuarão como multiplicadores e formadores de agentes da promoção da paz escolar e foram capacitados no âmbito do Projeto MESC, que é uma iniciativa da Defensoria Pública em parceria com a Secretaria de Estado de Educação.
O Programa Conjunto das Nações Unidas, Mérito Juvenil, é financiado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e foi implementado pela Fundação italiana AVSI em Contagem, município de origem dos jovens mediadores.
A defensora pública e também coordenadora do recém-criado MESC, Francis de Oliveira Rabelo Coutinho, integrou a mesa “A Mediação de Conflitos como Técnica Facilitadora do Trabalho em Rede: compreendendo as diferenças para transformar conflitos e prevenir violências” e ressaltou o “novo acesso a justiça”, a importância de se conscientizar e de ‘empoderar’ o cidadão nestas situações de conflito, além do protagonismo juvenil. “O MESC é um programa de prevenção de conflitos. Capacitamos jovens e professores, e incentivamos toda a comunidade escolar a participar. Fazemos um trabalho de sensibilização, explicamos o que são os conflitos, de que forma podem ser mediados”, explicou.
Educadores de 12 escolas da rede estadual de ensino de Minas, e também cinco representantes da Secretaria de Estado de Educação, convidados para se aprimorarem no tema, serão capacitados pelo MESC nos próximos meses e o termo de cooperação técnica será assinado nesta sexta-feira, 30.
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