Se aprovado documento será encaminhado para Ministério da Educação

Foi entregue à secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, na tarde desta quarta-feira, 24, o documento final com os pressupostos, propostas e demandas prioritárias para Educação do Campo em Minas Gerais. O documento foi originado com base nas conclusões do Grupo de Trabalho (GT) composto por 367 pessoas de instituições governamentais e não governamentais como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Associação Mineira das Escolas da Família Agrícola (AMEFA), Conselhos dos Povos Indígenas de Minas Gerais (COPIMG), entre muitas outras.

Documento selaborado pelo Grupo de Trabalho para Educação do Campo, criado em abril, foi entregue a secretária para avaliação. Foto: Bárbara Camargo ACS/SEE

O grupo trabalhou no mês de maio para a elaboração deste documento que agora será avaliado pela secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, para posterior e eventual envio ao Ministério da Educação.

Na visão da secretária “os resultados destes primeiros trabalhos já são palpáveis. Já existe uma nova perspectiva para educação do campo, e um novo protagonismo político em curso que é o do próprio Grupo de Trabalho, que demandou a produção deste documento e articulou a produção dele. Nunca houve igualmente, uma ação de respaldo por parte Secretaria de Estado de Educação (SEE). Mas não nos iludamos. Há muito ainda o que ser feito”, avaliou Ana Lúcia Gazzola.

Para ela, existem aspectos inerentes à educação do campo que deverão ser encarados como prioritários, como a questão da infraestrutura das escolas, a necessidade de aumentar a oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA), dos cursos técnicos, fomentar a agricultura familiar, além de avançar no âmbito conceitual e político de Educação do Campo, são consideradas as demandas prioritárias desta primeira fase. “Não é possível consertar desigualdade, com medidas iguais de intervenção. Inclusive, é importante que o Grupo de Trabalho e as comissões permanentes deem continuidade às atividades, como fóruns de monitoramento destas realidades. Não acreditamos que as respostas estejam somente na Secretaria de Educação”.

Solenidade contou com a presença de subsecretários da Educação, representantes da União dos Dirigentes Municipais de Educação de Minas Gerais (Undime-MG), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) e  Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Minas Gerais. Foto: Bárbara Camargo ACS/SEE

A coordenadora do Grupo de Trabalho, Maria Ceres Spínola Castro frisou algumas das preocupações do grupo, como a necessidade do mercado reconhecer a formação oferecida na educação no campo, e que prevê regime pedagógico diferenciado, calendário adaptado e propostas curriculares adequadas, como agroecologia. “Para que tenhamos um campo mais vivo, mais potente, mais adiantado, precisamos nos preocupar também com a perspectiva da carreira dos professores que forem atuar nesta frente, estimulando a formação continuada e a permanência destes docentes nas escolas. Além disso, trabalhamos para que este documento que queremos encaminhar ao Ministério da Educação seja um pacto federativo horizontalizado. Ou seja, o estado deve estar no meio das outras instâncias e não hierarquizado, no último patamar”, concluiu.

Segundo a pró-reitora de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais e membro do Grupo de Trabalho de Educação do Campo, Vânia Aparecida, “o documento que entregamos hoje é resultado da revisão do documento preliminar que redigimos ao término do Seminário em maio. Formulamos o documento com base no que foi para a plenária final e devolvemos para os participantes para avaliarem, discriminarem e criticarem.”

Para o secretário executivo da Associação Mineira das Escolas Agrícolas e representante da Rede Mineira de Educação, Idalino Firmino Santos, “é preciso reconhecer a presença do estado nesta fase para Educação do Campo. Este documento que elaboramos, e que comparo a uma gestação, reforça que as instâncias precisam reconhecer as diferenças culturais que compõem o campo, e nós também, como uma via de mão dupla, devemos pensar em como podemos colaborar com essas instâncias. É preciso incutir também conceitos de que o campo não é desprovido de educação e cultura e trabalhamos nesta perspectiva de que a escola tem muito a oferecer para estas comunidades”.

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