Se aprovado documento será encaminhado para Ministério da Educação
Foi entregue à secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, na tarde desta quarta-feira, 24, o documento final com os pressupostos, propostas e demandas prioritárias para Educação do Campo em Minas Gerais. O documento foi originado com base nas conclusões do Grupo de Trabalho (GT) composto por 367 pessoas de instituições governamentais e não governamentais como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Associação Mineira das Escolas da Família Agrícola (AMEFA), Conselhos dos Povos Indígenas de Minas Gerais (COPIMG), entre muitas outras.

O grupo trabalhou no mês de maio para a elaboração deste documento que agora será avaliado pela secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, para posterior e eventual envio ao Ministério da Educação.
Na visão da secretária “os resultados destes primeiros trabalhos já são palpáveis. Já existe uma nova perspectiva para educação do campo, e um novo protagonismo político em curso que é o do próprio Grupo de Trabalho, que demandou a produção deste documento e articulou a produção dele. Nunca houve igualmente, uma ação de respaldo por parte Secretaria de Estado de Educação (SEE). Mas não nos iludamos. Há muito ainda o que ser feito”, avaliou Ana Lúcia Gazzola.
Para ela, existem aspectos inerentes à educação do campo que deverão ser encarados como prioritários, como a questão da infraestrutura das escolas, a necessidade de aumentar a oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA), dos cursos técnicos, fomentar a agricultura familiar, além de avançar no âmbito conceitual e político de Educação do Campo, são consideradas as demandas prioritárias desta primeira fase. “Não é possível consertar desigualdade, com medidas iguais de intervenção. Inclusive, é importante que o Grupo de Trabalho e as comissões permanentes deem continuidade às atividades, como fóruns de monitoramento destas realidades. Não acreditamos que as respostas estejam somente na Secretaria de Educação”.

A coordenadora do Grupo de Trabalho, Maria Ceres Spínola Castro frisou algumas das preocupações do grupo, como a necessidade do mercado reconhecer a formação oferecida na educação no campo, e que prevê regime pedagógico diferenciado, calendário adaptado e propostas curriculares adequadas, como agroecologia. “Para que tenhamos um campo mais vivo, mais potente, mais adiantado, precisamos nos preocupar também com a perspectiva da carreira dos professores que forem atuar nesta frente, estimulando a formação continuada e a permanência destes docentes nas escolas. Além disso, trabalhamos para que este documento que queremos encaminhar ao Ministério da Educação seja um pacto federativo horizontalizado. Ou seja, o estado deve estar no meio das outras instâncias e não hierarquizado, no último patamar”, concluiu.
Segundo a pró-reitora de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais e membro do Grupo de Trabalho de Educação do Campo, Vânia Aparecida, “o documento que entregamos hoje é resultado da revisão do documento preliminar que redigimos ao término do Seminário em maio. Formulamos o documento com base no que foi para a plenária final e devolvemos para os participantes para avaliarem, discriminarem e criticarem.”
Para o secretário executivo da Associação Mineira das Escolas Agrícolas e representante da Rede Mineira de Educação, Idalino Firmino Santos, “é preciso reconhecer a presença do estado nesta fase para Educação do Campo. Este documento que elaboramos, e que comparo a uma gestação, reforça que as instâncias precisam reconhecer as diferenças culturais que compõem o campo, e nós também, como uma via de mão dupla, devemos pensar em como podemos colaborar com essas instâncias. É preciso incutir também conceitos de que o campo não é desprovido de educação e cultura e trabalhamos nesta perspectiva de que a escola tem muito a oferecer para estas comunidades”.