O boneco Proalfinha leva a importância da avaliação às escolas estaduais do município de Mutum
Criado para medir e identificar as habilidades em relação à leitura, escrita, interpretação e síntese dos alunos do 3º ano do ensino fundamental, o Programa de Avaliação de Alfabetização (Proalfa), realiza durante esta semana a aplicação de provas para 400 mil estudantes em 853 municípios.
E foi pensando em uma forma de mobilizar e sensibilizar os alunos do 2º ao 4º ano do Ensino Fundamental, que também participam da avaliação de forma amostral, sobre a importância, a origem ou a razão da avaliação que a analista educacional, Fátima Gonçalves de Souza Costa, da Superintendência Regional de Ensino de Manhuaçu criou o boneco batizado de Proalfinha. Ele é utilizado como mascote nas escolas do município de Mutum, no Vale do Rio Doce.
“Durante a visita às escolas, chego com a minha companhia de trabalho, o Proalfinha, que gosta de ficar dentro da sacola. Daí convido o mascote para dar um olá à turma. Logo, o diálogo se inicia. A criança nesta idade tem um poder de imaginação muito grande. Mesmo que ele seja apenas um fantoche, as crianças dão vida ao personagem. Acreditam na sua existência e passam a interagir, fazer perguntas”, contou a analista que há 25 anos trabalha como educadora, e há sete na rede estadual de ensino.

Com um mês de vida, o Proalfinha que já visitou aproximadamente 360 alunos na cidade de Mutum, divisa com o estado do Espírito Santo, veio, segundo a analista educacional para explicar de uma forma lúdica a razão da prova. “O boneco, e o tom descontraído da abordagem, quebra a formalidade e o peso que a expressão ‘avaliação’ por si só traz para a criança. O Proalfinha vem para contar que a avaliação não é bicho papão. Explicamos que a avaliação é ampla, e que só irão responder aquilo que aprenderam”.
E os resultados são interessantes, conforme explicou Fátima. “É curioso as conclusões e desdobramentos que criam a partir desta conversa com o mascote. Certa vez perguntaram se o Proalfinha tinha pai. E ele respondeu: - tenho sim! É o Simave, Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública. E, logo em seguida, emendaram: - e a mãe do Proalfinha? É a dona provinha. O Programa de Avaliação da Educação Básica é o irmão mais velho... E assim, destas correlações espontâneas, usando do elemento fantasioso que as crianças vão entendendo todo o processo, a cadeia da avaliação”, explicou a criadora do boneco, que já está repercutindo na região. Professores e alunos das cidades adjacentes já procuraram a analista.
O Proalfinha, segundo ela, prima por tranquilizar o aluno, e conscientizá-lo que, em suma, a prova é um termômetro daquilo que aprenderam na escola, e que o Proalfa quer saber o que sabem, além de reforçar que a escola é o espaço para errar e aprender.
Questionada sobre o formato triangular do mascote, Fátima explicou que seu semblante faz alusão aos três anos que o Proalfa contempla. “Alguns alunos já fizeram correlação com a bandeira de Minas Gerais. E isso é legal. Aguçar a imaginação e aceitação deles”.
A analista pretende também entregar um Lápis com uma ponteira do Proalfinha, nas 13 escolas da rede estadual localizada no município de Mutum, como extensão da interação.
A importância do Proalfa estampada em escola de Governador Valadares
Em Governador Valadares, a Escola Estadual Euzébio Cabral desde agosto vem se preparando para o Proalfa. Segundo a diretora da escola, Elizeth Vial Neves, desde o lançamento do Projeto de Intervenção Pedagógica (PIP), em agosto, os 110 alunos pertencentes ao 3º ano do Ensino Fundamental, vem participando de atividades de conscientização sobre a prova. “Explicamos que o Proalfa só vem para somar, e que os resultados extraídos da avaliação influem na aprendizagem deles. Explicamos em uma linguagem mais simples, do que a prova se consiste e o porquê dela. Expomos os dados do último Proalfa nos corredores da escola, e chamamos a família para fazer intervenções. Além de ajudarem, os pais foram sensibilizados para ajudar os filhos nas competências que ainda não tinham avançado. E este trabalho de incentivo sobre a prova tem dado resultados. Os alunos vieram fazer a prova com mais tranqüilidade e conforto”.

Segundo Elizeth seus alunos já tem o Proalfa na ponta da língua e a expectativa é “batermos a meta do ano passado, quando todos os nossos alunos alcançaram o nível recomendado de proficiência”. A escola que só oferece os anos iniciais do Ensino Fundamental já se prepara para o Programa de Avaliação de educação Básica (Proeb), no final do ano. “Quando falamos da avaliação, aluno acha que vai ser punido, e explicamos que é bom para escola. Explicamos que é um teste de habilidade que demonstra o sucesso ou não de políticas pedagógicas”, concluiu.
Programa de Avaliação de Alfabetização
O caderno de provas do Proalfa é composto por 39 questões e os estudantes têm cerca de duas horas para fazer a avaliação. Os itens que compõem os testes do Proalfa são elaborados por especialista em alfabetização do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para elaboração dos itens do Proalfa, eles utilizam como referência a matriz curricular dos anos avaliados.
Os cadernos que são pré-testados e validados são enviados para as 47 Superintendências Regionais de Ensino, que são as responsáveis pela distribuição dos testes para as escolas. Para este ano, foram impressas, aproximadamente, 500 mil provas.
Após a realização da prova, os testes devem ser enviados às Superintendências, que são responsáveis por conferir e armazenar o material até que a empresa contratada pela SEE o recolha.
Resultados
A última edição do teste, realizada em 2011, mostrou que 88,9% dos estudantes desse ano de escolaridade estão no nível recomendável, ou seja, sabem ler e interpretar textos até os oito anos. De forma amostral, os anos dos 2º e 4º anos também fazem as provas.