Programa de Intervenção Pedagógica, adotado a partir do conceito de intervenção pedagógica proposto pelo educador e filósofo Paulo Freire, busca garantir a qualidade do ensino nos anos iniciais

 

Em entrevista para o Portal da Rede Globo, Luziele Tapajós, diretora de Estudos Educacionais do Instituto Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, afirmou que o Brasil deverá alcançar o mesmo nível de desempenho dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) até 2021.

Na entrevista, Luziele Tapajós explicou que "a meta para o Brasil foi estabelecida a partir de um indicador externo, simulando o Ideb para os países da OCDE e verificou-se que o resultado obtido foi 6,0". Em outras palavras, a nota 6 é considerada pelo próprio Ministério da Educação como média de desempenho recomendável para os estudantes dos ensinos fundamental e médio.

Em Minas Gerais, nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a rede estadual mineira alcançou o índice 6 (seis), padrão que é considerado. A rede estadual de Minas foi a primeira e única do Brasil a alcançar esse índice. Dos 853 municípios mineiros, 228 conquistaram notas entre 6 e 7,5 nos anos iniciais do ensino fundamental.

Na rede estadual, o grande instrumento que garantiu os bons resultados nos anos iniciais da educação fundamental (1º ao 5º) é o Programa de Intervenção Pedagógica, adotado a partir do conceito de intervenção pedagógica proposto pelo educador e filósofo Paulo Freire. Criado em 2007, o PIP realiza trabalho de acompanhamento nas escolas e busca criar e orientar o plano pedagógico, propondo, quando necessário, estratégias de intervenções e, assim, garantir a qualidade do ensino.

Para tanto, o PIP utiliza os resultados do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave) - instrumento do Governo de Minas que faz um retrato da educação no Estado a partir de avaliações anuais - para fazer um diagnóstico e saber onde é necessário melhorar.

Em 2012, o PIP começou a atuar também nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º anos), atendendo a mais 800 mil alunos. O acompanhamento já está sendo feito por disciplina, com objetivo de reforçar o conhecimento dos estudantes e, assim, tornar o ensino fundamental cada vez mais qualificado.

Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a rede estadual mineira ficou com a 2ª posição entre todas as brasileiras. Com índice de 4,4, a rede estadual mineira está a 0,3 pontos da primeira colocada, Santa Catarina (4,7). Em 3ª ficou a rede estadual de São Paulo (4,3).

Ensino médio
Os resultados do Ideb 2011, assim como os anteriores, mostraram que a maior dificuldade em evoluir está no ensino médio. Na rede estadual, o índice cresceu apenas 0,1 entre 2009 e 2011, mas ainda assim Minas foi destaque, pois 10 estados brasileiros ficaram estagnados ou regrediram.

De acordo com Relatório da Unesco, o ensino médio merece alta prioridade e seus objetivos e funções devem ser redefinidos para o Século XXI. A orientação é ofertar uma "melhor qualidade e maior diversidade dos serviços oferecidos (...), bem como uma capacidade ampliada de corresponder às necessidades e às circunstâncias dos alunos". Outra recomendação da Unesco é a de envolver um esquema de parceria entre os governos e outros provedores (privados, organizações não-governamentais etc.).

Em Minas Gerais, as recomendações da Unesco estão sendo colocadas em prática. Está sendo desenvolvido em 11 escolas da região Norte o Reinventando o Ensino Médio, que prevê uma maior articulação entre os conhecimentos ministrados e a criação de oportunidades para os jovens. O foco é a criação de áreas de empregabilidade.

Em relação à efetivação de parcerias estratégicas, foi lançado, no final de março, o programa Minas Presente na Escola, iniciativa que assegura alternativas para a efetivação de inúmeras possibilidades de colaboração entre o poder público e outras instituições e entidades. Em 2013, o Reinventando o Ensino Médio será levado para outras 122. Portanto, serão 133 escolas ao todo.

O Reinventando propõe o aumento do estudante em sala de aula ao longo do ensino médio, com a criação do sexto horário de aulas. Além disso, o projeto insere no currículo disciplinas voltadas para a empregabilidade, que tem caráter "pré-profissional" e possibilitam aos estudantes ter um primeiro contato com a realidade do mercado de trabalho.

Nas 11 primeiras escolas do Reinventando, as áreas de empregabilidade são Comunicação Aplicada, Tecnologias da Informação e Turismo, mas as escolas que vão aderir ao programa a partir do próximo ano poderão escolher outras áreas.

Outra estratégia adotada em Minas é a formação continuada dos profissionais da educação. Este objetivo está sendo perseguido através da Magistra, escola de desenvolvimento profissional, inaugurada no inicio deste ano. "A Magistra tem como missão promover a capacitação permanente dos profissionais da educação, garantindo melhores condições para a prática do magistério", afirma a secretária de Educação Ana Lúcia Gazzola.

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