Discussões feitas nos últimos três dias vão subsidiar documento com propostas de diretrizes para a área

Os três dias de discussões no I Seminário de Educação do Campo, que terminou nesta quinta (31-05), chegaram ao fim com a certeza de que o tema continuará em voga. Durante os últimos dias, representantes de diversas entidades ligadas à educação do campo se reuniram em Jaboticatubas, região metropolitana de Belo Horizonte, para apontar diretrizes na área. O resultado foi muita interação entre as entidades envolvidas e o fortalecimento do Grupo de Trabalho de Educação do Campo (GT).

Entre as proposições aprovadas no Seminário, está a intenção de prolongamento do trabalho do grupo. Criado em janeiro deste ano com prazo definido de seis meses para encerrar suas atividades, o grupo deverá continuar as discussões até o fim do ano. “Faremos uma solicitação à Secretaria de Estado de Educação para refazer a resolução que criou o grupo e prolongar as atividades. Uma proposta apresentada aqui também foi a criação de uma comissão permanente para discutir a educação do campo”, afirmou a coordenadora do GT, Maria Céres Spínola Castro. Foram definidos, também, prazos e as bases para a elaboração de um documento final, com propostas de diretrizes para a educação do campo.

 

Participantes aprovam propostas feitas no Seminário de Educação do Campo. Foto: ACSSEE

 

Ao longo desses três dias, os grupos que debateram a temática dividiram as discussões em três eixos: ‘educação no campo’, ‘educador do campo’ e ‘escola do campo’. Sobre cada um desses eixos foi elaborado um documento com as principais demandas e propostas. Por se tratar de uma discussão extensa, ficou acertado que o grupo de trabalho vai usar esses documentos como base para a elaboração de um documento final que será, posteriormente, encaminhado à Secretaria de Estado de Educação como propostas sobre a Educação do Campo.

O GT terá 30 dias para a elaboração de um documento preliminar, que será discutido, num prazo de 60 dias, com as bases das entidades envolvidas para o acréscimo de sugestões. Durante outros 30 dias será elaborado o documento final. “Esse documento final vai conter as propostas de diretrizes para a educação do campo”, comentou Maria Céres.

Outra decisão surgida a partir do Seminário foi a de definir os pontos prioritários na área da educação do campo.  Foram definidos quatro eixos, que exigem ações mais imediatas: garantir o acesso ao ensino médio; a capacitação e formação continuada dos professores e dos técnicos das Superintendências Regionais de Ensino para lidar com questões referentes à educação do campo; a articulação e sensibilização dos municípios para importância da educação do campo e uma articulação mais afinada com instituições de pesquisa, tais como Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), para garantir apoio à pesquisa e formação inicial dos professores.

Discussões no Seminário duraram três dias. Foto: ACSSEE

Ações agradaram os envolvidos

A votação das decisões sobre a elaboração do documento final e a proposta de estender as atividades do grupo até o fim do ano foram bem vistas por todos os envolvidos, tanto que, no momento da votação, das centenas de presentes, apenas duas pessoas discordaram do encaminhamento. Para a presidente da Federação Quilombola em Minas Gerais, Sandra Maria da Silva Andrade, o encontro foi um momento memorável para a educação do campo.

“Para nós foi um momento histórico. Nunca antes nós fomos chamados para esse tipo de discussão, portanto é muito gratificante”, afirma. “É muito bom ter tantos atores envolvidos na questão da educação do campo, dos movimentos, até representantes do governo. Apesar da diversidade, temos todos um mesmo caminho e um mesmo objetivo. As discussões feitas aqui foram muito importantes e podem ajudar bastante na educação do campo”, completa.

Para Sônia Maria Roseno, do setor estadual de Educação do Movimento dos Sem-Terra e doutoranda da UFMG, aponta o Seminário como um importante primeiro passo para a educação do campo. “Não termina aqui. O próprio Seminário apontou caminhos. Agora é importante trabalhar para definir e aprovar as diretrizes, que serão elaboradas tendo como subsídio as discussões feitas aqui”, analisa.

 

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