Unificação de turmas chega a cerca de 1% dos estudantes do ensino fundamental na rede estadual

A partir da segunda quinzena do mês de abril, especialistas do Programa de Intervenção Pedagógica (PIP), da Secretaria de Estado de Educação, vão trabalhar o tema unificação de turmas nas oficinas que ministram para educadores da rede estadual. A partir do dia 23, a equipe de especialistas inicia viagens a todas as 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e na bagagem vão levar uma oficina específica sobre como trabalhar o conteúdo pedagógico em turmas unificadas. A ideia é capacitar todos os diretores, especialistas e professores que atuam com turmas unificadas na rede estadual.

Atualmente, a estratégia de unificação de turmas, adotada no ensino fundamental na rede estadual, chega a cerca de 1% dos estudantes desse nível de ensino.  Dos 1,35 milhão de alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, cerca de 16 mil estão em turmas unificadas, de acordo com levantamento feito pela Secretaria de Estado de Educação (SEE). No total, são 577 turmas unificadas nos anos iniciais (1º ao 5) e outras 225 nos anos finais (6º ao 9º) do ensino fundamental.

Segundo a superintendente de Desenvolvimento do Ensino Fundamental, Maria das Graças Pedrosa Bittencourt, o objetivo das oficinas é falar da necessidade da criação dessas turmas em alguns lugares, assim como apresentar técnicas eficientes de trabalho com os alunos. “Nas oficinas, os especialistas do PIP vão explicar a legislação, darão exemplos de práticas que podem ser utilizadas em sala e até farão dinâmicas para observar as melhores formas de aplicação”, explica. O material das oficinas contém sugestões de atividades em grupo, projetos de leitura, de matemática, entre outras ações.

 

Cerca de 1% dos estudantes do ensino fundamental estudam em turmas unificadas. Foto: Arquivo

Prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a unificação de turmas é adotada quando o número de estudantes numa determinada turma é pequeno. A prática segue critérios estabelecidos pela Secretaria, como tentar unificar turmas de estudantes com idades próximas. Orienta-se, por exemplo, que nos anos iniciais a unificação aconteça entre estudantes de 1º, 2º e 3º anos ou entre estudantes de 4º e 5º anos. Já nos anos finais, a orientação da Secretaria é de que, quando necessária, a unificação aconteça também entre estudantes de idades mais próximas: 6º e 7º anos ou 8º e 9º anos.

“A faixa etária dos alunos em sala de aula deve ser aproximada. A unificação acontece, geralmente, em área de zona rural, onde o número de alunos é reduzido”, explica Maria das Graças. “Ao trabalhar com turmas unificadas, o professor deve promover a interação entre os estudantes, que é muito importante para o desenvolvimento. Turmas com um número muito pequeno de alunos não favorecem essa interação”, completa.

Acompanhamento

Até o ano passado, a estratégia de unificação de turmas era mais frequente nos anos iniciais do ensino fundamental e em 2012 passou a ser utilizada também para turmas dos anos finais, nos casos que o número de matrículas é reduzido.

A Secretaria está fazendo um acompanhamento de todas as turmas unificadas existentes hoje na rede estadual. O objetivo é garantir que todas as escolas que optaram pela unificação o fizeram de acordo com os critérios estabelecidos pela Educação.

Estratégias diferenciadas

Desenvolver um trabalho em uma turma unificada demanda empenho diferenciado por parte do professor. Segundo Maria das Graças Bittencourt, mesmo em uma turma tradicional, o professor já tem que lidar com estudantes diferentes e em uma turma unificada essa habilidade ganha peso. “Uma sala tradicional já é heterogênea. Claro que trabalhar em uma turma unificada é mais desafiador, mas com estratégias diferentes, o professor consegue garantir a evolução dos alunos”, explica. “É importante ressaltar que as capacidades e habilidades a serem passadas aos alunos são as mesmas, mas com graus de complexidade diferenciados de acordo com a idade. O estudante interpreta um texto tanto no início do ensino fundamental quanto no final, o que difere é a maneira como ele faz isso”, completa.

Identificar essas diferenças, trabalhar a interação entre os estudantes e garantir o aprendizado é uma especialidade da professora Carla Mara de Abreu Lopes Toretta. Professora há 26 anos, ela leciona em turmas unificadas há 22 e garantiu a evolução de vários estudantes em sua carreira. Ela ensina para 29 alunos, do 1º ao 5º anos, todos na única turma da antiga Escola Estadual Capitão Luiz Couto, que atualmente é uma turma vinculada (fora do espaço da escola) da Escola Estadual Temístocles Eutrópio, distrito de São Fernando, em Muriaé.

Mesmo com alunos de idades diferentes em sala, ela consegue criar estratégias pedagógicas que garantem bons resultados. O segredo: interação. “Apesar de atender a níveis diferentes de escolaridade, não posso me esquecer que é uma turma só. O meu trabalho começa a partir daí”, explica a professora. Segundo ela, uma das possibilidades é oferecer a mesma atividade para todos os alunos, mas com abordagens diferentes. Quando trabalhou a fábula da formiga, por exemplo, ela passou o mesmo vídeo e a mesma canção para todos, mas cada estudante tinha uma tarefa depois de ver o material.

“No segundo ano, os alunos já formulam frases e leem, então peço para que eles façam uma frase sobre o que mais gostaram do vídeo. O terceiro ano eu peço para escrever um parágrafo. Já para o quarto ano peço para mudar o final da história e os estudantes do quinto fazem um texto mais elaborado. Eu uso o livro didático, mas não me prendo a ele. Durante a apresentação dos trabalhos nada impede que todos os alunos possam comentar”, analisa.

 

Enviar para impressão