Para viabilizar a realização das atividades propostas para a sala de aula, cada professor capacitado recebe um kit experimental desenvolvido pelo Parque da Ciência. O kit possui material didático experimental relacionado com as diferentes oficinas. A capacitação também é oferecida aos especialistas das 46 Superintendências Regionais de Ensino (SRE), para que sejam multiplicadores dos conhecimentos. As oficinas são realizadas no campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV). A professora Rosângela de Lourdes, da Escola Estadual Francisco Menezes Filho, no bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte, aprova a iniciativa e já utiliza em classe o kit para ajudar seus alunos do 4º ano. Segundo ela, com o material, as aulas ficam mais interessantes e os alunos mostram-se mais motivados e empolgados em aprender. Para Rosângela, a iniciativa permite que o ensino da disciplina de Ciências fique mais próximo ao dia-a-dia do estudante.
Pro-ciência - O projeto Mão na Massa é uma ação desenvolvida a partir do Programa de Capacitação de Professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (Pro-ciência), que tem como objetivo incentivar o ensino de ciências e matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, com o estímulo a atividades experimentais e o desenvolvimento da linguagem oral e escrita, bem como para o letramento científico e tecnológico.
O projeto Mão na Massa foi desenvolvido na França em 1996 pelo Instituto Nacional da Pesquisa em Pedagogia. O objetivo é incentivar o ensino de ciências nas séries iniciais do ensino fundamental utilizando atividades experimentais que enfatizam a autonomia e o raciocínio do aluno. A metodologia é adotada com sucesso em vários outros países e cidades do Brasil.
Segundo Márcia Fonseca, gerente do Pro-ciência, os professores participam de 20 oficinas com duração de 80 horas, 13 de ciências, seis de matemática e uma de cartografia. Os temas das oficinas da área de ciências são: ar, água, solos, órgãos dos sentidos, descobrindo as paisagens, plantas, animais, brincando com lixo, papel artesanal, astronomia, horta, teatro. Já as oficinas de matemática trabalham com materiais concretos relacionados ao tratamento da informação, à geometria, grandezas e medidas, a jogos, a sistemas de numeração e a desafios com algoritmos. Para o coordenador do Parque da Ciência da UFV, Evandro Ferreira Passos, além de contribuir para a melhoria do ensino, o projeto está a serviço também da alfabetização. "É mais fácil para a criança relatar e se expressar, de forma oral ou escrita, quando ela efetivamente vivencia. O aluno fica mais confiante quando descobre e não só memoriza”, disse.
A professora Sônia Maria Silva Reis, de Patos de Minas, participou de um dos módulos do Pro-ciência em 2009 e defendeu a importância da construção do saber. "Não há dúvida que minha participação neste projeto será positiva para minha prática pedagógica. Entendi ainda mais que o conhecimento deve ser 'construído' e não 'decorado'", disse. Segundo a professora Marlene Cândida do Bonfim Rodrigues, de Conceição do Mato Dentro, as oficinas irão contribuir para inovar as aulas. "As oficinas mostraram que eu sempre vou partir de um problema com a criança. Não vou levar nada pronto, vamos problematizar até chegar a um registro juntos. As oficinas com certeza vão ajudar a inovar nossas aulas", afirmou. Já para a professora Vera Lúcia Barbosa, de Governador Valadares, "esse tipo de formação renova nossos ânimos, levanta nossa auto-estima e nos estimula a trabalhar com nossos alunos de forma diversificada e com material concreto, fazendo com que aconteça a participação de todos", garantiu.