
A secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Julia Sant’Anna, participou, nesta terça-feira (20/4), do webinário de lançamento do livro “Educar os Estudantes para Melhorar o Mundo”, de Fernando M. Reimers. Julia falou sobre ações importantes como o reforço escolar para os alunos do 6º e 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio, iniciativa que teve início nesta segunda-feira (19/4). O evento on-line ainda tratou da importância de currículos bem estruturados, que trabalham o protagonismo do aluno através da possibilidade dele perceber-se no mundo, para uma educação mais completa com resultado no empoderamento dos estudantes e o ensino transformador.
Julia Sant’Anna afirmou que no momento em que assumiu a gestão da pasta havia muitas dívidas deixadas pela gestão anterior, como a de quase R$ 5 bilhões do Fundeb, além do atraso nos repasses para o transporte e merenda escolar. Também, segundo ela, não havia evolução nos indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos últimos anos. Já em 2019, Minas alcançou a maior nota do indicador no ensino médio. "Há uma tradição muito grande em Minas em relação ao currículo. E fazendo melhor a gestão desses recursos para restabelecer os pontos operacionais que eram fundamentais, a gente caminhou de uma forma muito positiva e, com isso, conseguimos fazer a homologação de cada um dos currículo de acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Nas últimas semanas, foi a vez do ensino médio”, comemorou.
A construção do Currículo Referência de Minas Gerais, tanto para o ensino médio como para o fundamental, segundo a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Geniana Guimarães Faria, possibilitou a existência do Regime de Ensino não Presencial. “Tínhamos habilidades e competências estruturadas e bem estabelecidas”, disse.
O trabalho de enxergar cada aluno de forma única na rede pública estadual também foi destacado por Julia Sant’Anna. Com o lançamento das notas e frequência dos estudantes foi possível definir de forma assertiva quem precisava de algum tipo de complementação na aprendizagem. Para isso, a SEE lançou o programa de reforço que teve início nesta semana e que já começa atendendo 100 mil alunos. “Certamente é um dos mais robustos do país”. Tudo isso também graças a aplicação da Avaliação Diagnóstica, que possibilitou saber, a partir do desempenho no exame, quais as eventuais dificuldades.
Outro fruto deste olhar focado no aluno, segundo Julia, foi o programa de busca ativa que conseguiu trazer cerca de 15 mil alunos de volta à escola em 2019 e cerca de 30 mil no ano passado. “Pensamos a diversidade do estado, mas estamos trabalhando o aluno individualmente”, reforçou a secretária.
Gestão destacada
Para a diretora executiva do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF), Lina Kátia Mesquita, a experiência de Minas durante o Regime de Estudo não Presencial é diferenciado, principalmente, considerando a diversidade mineira e olhando também para as experiências dos outros estados. “Nunca vi uma gestão tão voltada e integrada para o pedagógico”. Segundo Lina, a mobilização de toda a rede, sem dúvidas, foi importante diferencial para alcançar os resultados que já podem ser vistos.
Outra convidada do webinário, a professora de Harvard e diretora geral do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, Cláudia Costin, destacou a importância de um currículo na rede para que seja possível a definição dos caminhos que professores devem seguir e montar suas estratégias e formas de trabalho. Ela ainda salientou ainda a importância dar ao aluno o protagonismo de percurso do saber.
Currículo para cultivar habilidades
Em sua palestra, com o tema “Educar Estudantes para Melhorar o Mundo”, o professor do Programa de Políticas de Educação Internacional de Harvard, Fernando M. Reimers, destacou que a pandemia trouxe impactos importantes no processo educacional. “A maioria das redes não estava preparada para o ensino a distância”, disse. Ainda de acordo com ele, a ideia é de que a escola é uma unidade pequena para resolver todas as questões, mas é preciso pensar em sistemas que contemplem outros entes, como universidades, por exemplo. “Precisamos de um currículo de alta qualidade e de uma prática de alta qualidade (...) a ideia não é só encher a criança de conhecimento, mas encher do que ela precisa saber”, disse.
Ainda de acordo com Reimers, as escolas precisam fornecer aos estudantes propósitos. “Os estudantes precisam entender e perceber como elas podem impactar, como acabar com a fome no mundo”, argumentou. O currículo deve, segundo ele, propor tarefas desafiadoras. “A meta desse currículo deve ser cultivar habilidades nos estudantes para desenvolver e como envolver seus pais e uma gama de objetivos”.
Fernando M. Reimers disse que o livro “Educar os Estudantes para Melhorar o Mundo”, lançado durante o webinário, oferece ferramentas para que os educadores possam perceber como fazer com que a educação pode ser aplicada para promover a pluralidade da sociedade. “Escrever um livro é como criar um filho para o mundo, depois que você escreve o livro ele não é mais seu, é o leitor que vai construir, juntamente com você, determinar o que ele significa”, disse, complementando que espera que os leitores possam construir novas experiências para os alunos.
O livro, agora com tradução em português, aborda a educação global, com vistas a preparar os estudantes para lidar com temas que fazem parte dos desafios da sociedade atual em todo o mundo. O autor apresenta sua perspectiva acerca das necessárias mudanças, em especial, no currículo, para que o objetivo de formar jovens para melhorar o mundo em que vivemos seja alcançado. Fernando M. Reimers é professor do Programa de Políticas de Educação Internacional da Universidade de Harvard.
O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, doutor em educação, Wagner Rezende, atuou no trabalho de tradução do livro e também participou do webinário.Secretária Julia Sant’Anna fala sobre Gestão pela Aprendizagem no Ensino Médio em webinário
Evento on-line marcou o lançamento do livro “Educar os Estudantes para Melhorar o Mundo”, de Fernando M. Reimers
A secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Julia Sant’Anna, participou, nesta terça-feira (20/4), do webinário de lançamento do livro “Educar os Estudantes para Melhorar o Mundo”, de Fernando M. Reimers. Julia falou sobre ações importantes como o reforço escolar para os alunos do 6º e 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio, iniciativa que teve início nesta segunda-feira (19/4). O evento on-line ainda tratou da importância de currículos bem estruturados, que trabalham o protagonismo do aluno através da possibilidade dele perceber-se no mundo, para uma educação mais completa com resultado no empoderamento dos estudantes e o ensino transformador.
Julia Sant’Anna afirmou que no momento em que assumiu a gestão da pasta havia muitas dívidas deixadas pela gestão anterior, como a de quase R$ 5 bilhões do Fundeb, além do atraso nos repasses para o transporte e merenda escolar. Também, segundo ela, não havia evolução nos indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos últimos anos. Já em 2019, Minas alcançou a maior nota do indicador no ensino médio. "Há uma tradição muito grande em Minas em relação ao currículo. E fazendo melhor a gestão desses recursos para restabelecer os pontos operacionais que eram fundamentais, a gente caminhou de uma forma muito positiva e, com isso, conseguimos fazer a homologação de cada um dos currículo de acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Nas últimas semanas, foi a vez do ensino médio”, comemorou.
A construção do Currículo Referência de Minas Gerais, tanto para o ensino médio como para o fundamental, segundo a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Geniana Guimarães Faria, possibilitou a existência do Regime de Ensino não Presencial. “Tínhamos habilidades e competências estruturadas e bem estabelecidas”, disse.
O trabalho de enxergar cada aluno de forma única na rede pública estadual também foi destacado por Julia Sant’Anna. Com o lançamento das notas e frequência dos estudantes foi possível definir de forma assertiva quem precisava de algum tipo de complementação na aprendizagem. Para isso, a SEE lançou o programa de reforço que teve início nesta semana e que já começa atendendo 100 mil alunos. “Certamente é um dos mais robustos do país”. Tudo isso também graças a aplicação da Avaliação Diagnóstica, que possibilitou saber, a partir do desempenho no exame, quais as eventuais dificuldades.
Outro fruto deste olhar focado no aluno, segundo Julia, foi o programa de busca ativa que conseguiu trazer cerca de 15 mil alunos de volta à escola em 2019 e cerca de 30 mil no ano passado. “Pensamos a diversidade do estado, mas estamos trabalhando o aluno individualmente”, reforçou a secretária.
Gestão destacada
Para a diretora executiva do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF), Lina Kátia Mesquita, a experiência de Minas durante o Regime de Estudo não Presencial é diferenciado, principalmente, considerando a diversidade mineira e olhando também para as experiências dos outros estados. “Nunca vi uma gestão tão voltada e integrada para o pedagógico”. Segundo Lina, a mobilização de toda a rede, sem dúvidas, foi importante diferencial para alcançar os resultados que já podem ser vistos.
Outra convidada do webinário, a professora de Harvard e diretora geral do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, Cláudia Costin, destacou a importância de um currículo na rede para que seja possível a definição dos caminhos que professores devem seguir e montar suas estratégias e formas de trabalho. Ela ainda salientou ainda a importância dar ao aluno o protagonismo de percurso do saber.
Currículo para cultivar habilidades
Em sua palestra, com o tema “Educar Estudantes para Melhorar o Mundo”, o professor do Programa de Políticas de Educação Internacional de Harvard, Fernando M. Reimers, destacou que a pandemia trouxe impactos importantes no processo educacional. “A maioria das redes não estava preparada para o ensino a distância”, disse. Ainda de acordo com ele, a ideia é de que a escola é uma unidade pequena para resolver todas as questões, mas é preciso pensar em sistemas que contemplem outros entes, como universidades, por exemplo. “Precisamos de um currículo de alta qualidade e de uma prática de alta qualidade (...) a ideia não é só encher a criança de conhecimento, mas encher do que ela precisa saber”, disse.
Ainda de acordo com Reimers, as escolas precisam fornecer aos estudantes propósitos. “Os estudantes precisam entender e perceber como elas podem impactar, como acabar com a fome no mundo”, argumentou. O currículo deve, segundo ele, propor tarefas desafiadoras. “A meta desse currículo deve ser cultivar habilidades nos estudantes para desenvolver e como envolver seus pais e uma gama de objetivos”.
Fernando M. Reimers disse que o livro “Educar os Estudantes para Melhorar o Mundo”, lançado durante o webinário, oferece ferramentas para que os educadores possam perceber como fazer com que a educação pode ser aplicada para promover a pluralidade da sociedade. “Escrever um livro é como criar um filho para o mundo, depois que você escreve o livro ele não é mais seu, é o leitor que vai construir, juntamente com você, determinar o que ele significa”, disse, complementando que espera que os leitores possam construir novas experiências para os alunos.
O livro, agora com tradução em português, aborda a educação global, com vistas a preparar os estudantes para lidar com temas que fazem parte dos desafios da sociedade atual em todo o mundo. O autor apresenta sua perspectiva acerca das necessárias mudanças, em especial, no currículo, para que o objetivo de formar jovens para melhorar o mundo em que vivemos seja alcançado. Fernando M. Reimers é professor do Programa de Políticas de Educação Internacional da Universidade de Harvard.
O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, doutor em educação, Wagner Rezende, atuou no trabalho de tradução do livro e também participou do webinário.
Para baixar o livro, disponibilizado gratuitamente, basta clicar aqui.