
A secretária de Educação de Minas Gerais, Julia Sant’Anna, participou na noite dessa quarta-feira (17/3) do “Webinário EJA Novos Rumos”, encontro virtual que apresentou benefícios do programa para professores, educadores, superintendentes regionais e alunos, e os principais diferenciais da proposta do estado. Especialistas e professores conversaram sobre as estratégias para tratar com o aluno que é público da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e como a sensibilidade aliada a políticas de valorização da modalidade podem reverter em aprendizados de qualidade.
Em sua fala, Julia Sant’Anna destacou que cerca de 24% dos alunos da rede estadual apresentam alguma distorção de idade/série e que, para que esses estudantes sejam devidamente acolhidos, é muito importante que a EJA seja valorizada. Para isso, ela aposta na formação dos professores voltada para a modalidade. “Essa é uma modalidade que já é ofertada de forma muito cuidadosa. Agora estamos no momento de formação de professores e esse processo vai nos deixar ainda mais preparados”, disse. A secretária, inclusive, convidou os professores a se inscreverem no curso Trilha Formativa EJA Novos Rumos, ofertado pela Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), que terá início no dia 26/3. Clique aqui para se inscrever.
Ainda de acordo com Julia, a política da SEE/MG de valorização da EJA, com o projeto EJA Novos Rumos, já tem colhido bons frutos. “Começamos este ano com 28% a mais de escolas que ofertam turmas de EJA. Entendemos que, com isso, a gente vai conseguir fazer um processo muito cuidadoso, passo a passo, conhecendo cada uma dessas experiências e colhendo com vocês, professores, neste processo de formação”, afirma.
Em 2020, a EJA (anos finais do ensino fundamental e ensino médio) era ofertada em cerca de 1.200 escolas públicas estaduais de Minas Gerais, de 518 municípios, atendendo mais de 76 mil estudantes. Desse total, só da EJA de ensino médio, são 1.009 escolas, de 490 municípios, com mais de 61 mil alunos matriculados.
Para 2021, são mais de 1.600 escolas ofertando a modalidade, com cerca de 6 mil turmas. São mais de 300 novas escolas, quando comparado com o ano anterior, chegando a mais de 100 novas cidades que passam a contar com a EJA, totalizando, com isso, 25 mil novas vagas.
Outro ponto importante da política de valorização, e que foi destacado por Julia, é a priorização dos alunos da EJA Novos Rumos na oferta de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), que serão ofertados pela SEE/MG. “Que isso também sirva de geração da crença de que o futuro também está nas mãos deles”, ressalta.
Valorização do ensino de jovens e adultos
Para a professora doutora da Universidade de São Paulo (USP), Maria Clara Di Pierro, que falou na palestra “A EJA no Contexto Atual”, disse que boa parte do público da educação de jovens e adultos é formada por população de baixa renda. Por isso, incrementar essa modalidade possibilita que a política educacional contribua para formação do seu público e, com isso, atue na distribuição de renda. “É preciso desfazer preconceitos em relação a relevância da EJA. Existe um discurso recorrente que acaba opondo o direito à educação na infância e na adolescência. O que é uma questão muito equivocada. Podemos fazer a socialização de jovens também nas famílias e na sociedade. Portanto, famílias mais bem educadas contribuem para uma formação de jovens e crianças de mais qualidade. Por isso, é importante se dedicar e investir na formação de adultos”, avaliou.
A professora Maria Clara ainda destacou que quando Minas faz essa opção pelo incentivo à educação de jovens e adultos, o estado dá um importante passo na valorização da educação. “Esse é um impacto positivo na vida das pessoas e da comunidade. Que se torne um investimento relevante para que os estados possam fazer”, salientou a pesquisadora.
Ensino junto da vivência
Já o professor da rede estadual de ensino Emanuel de Oliveira Dias, que atua na E.E. Dom Cavati, em Ubaporanga, e na E.E. Sinfrônio Fernandes, em Caratinga, conduziu a palestra “A EJA na Prática da Sala de Aula”. Ele afirmou que foi muito importante valorizar a vivência dos alunos em sala de aula e que isso foi direcionador do seu trabalho na escola. A partir disso, houve mais participação dos estudantes que se sentiram mais à vontade para apresentar questões durante a aula.
Ainda de acordo com Emanuel, foi preciso um exercício de empatia para identificar como conduzir as atividades e fazer com que os alunos se sentissem inseridos e, assim, pudessem adaptar estudos aos horários da rotina deles. “Sempre foi uma preocupação na escola direcionar o máximo de tempo do professor para o aluno. Foi por isso que os projetos aconteceram. A gente sempre tentou gastar essa energia com os alunos”, disse.
O webinário também teve a participação da Superintendente de Políticas Pedagógicas da SEE/MG, Esther Augusta Nunes Barbosa, com a palestra “Diferenciais EJA Novos Rumos”. O encontro virtual, transmitido pelo Youtube no canal da SEE/MG, foi realizado em parceria com o Instituto Unibanco.