Conhecidos por seu ambiente de criatividade e de múltiplos talentos, os conservatórios estaduais de música também tiveram que se adaptar à nova realidade sem as aulas presenciais na rede pública estadual, medida tomada para o combate e prevenção à Covid-19. Incluídos no Regime de Estudo não Presencial, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE//MG) neste momento de isolamento social, as 12 escolas, espalhadas por várias regiões de Minas Gerais, se juntaram e prepararam uma edição especial do Plano de Estudo Tutorado (PET).
O material é voltado às especificidades das unidades de ensino e, mais que isso, conseguiu apresentar alternativas para que os alunos seguissem com a formação musical, mesmo a distância. Por ter uma realidade muito própria, os conservatórios desenvolveram os materiais que fariam uso. Isso porque algumas modalidades musicais são ofertadas apenas em determinadas unidades. Nestes casos, os professores das disciplinas foram os realizadores dos planos de ensino remoto.
Para a construção do material adaptado, foram formados núcleos de estudos em cada um dos conservatórios e, após amplas discussões, as decisões foram encaminhadas a um núcleo estadual com representantes de cada um deles e da SEE/MG. De acordo com a superintendente de Políticas Pedagógicas da SEE/MG, Esther Nunes Barbosa, por se tratar de um atendimento muito específico, era importante que cada conservatório se organizasse de acordo com sua realidade. “Pontuamos a necessidade de fortalecer todas as bases teóricas fornecidas por eles nos cursos. Era importante, também, fazer o levantamento de qual estudante teria ou não instrumento, além de verificar as possibilidades de fazer as aulas via ferramentas on-line, de acordo com cada realidade”, afirmou.
Ainda de acordo com Esther, a intenção é fazer com que seja garantida a continuidade da educação dos alunos matriculados nessas unidades. “Sempre bom ressaltar a importância dos conservatórios para a base cultural dos nossos estudantes e o desejo de fortalecer, cada vez mais, a relação dos conservatórios com as nossas escolas comuns da educação básica”, destacando a confiança no trabalho dos professores e estudantes que atuam nas 12 unidades existentes no estado.
Criatividade
A construção dos materiais específicos e dos PETs resultou em aulas criativas que ajudam a minimizar os impactos no aprendizado dos alunos, neste momento de isolamento social, e a ausência da escola. Entre as alternativas e possibilidades, desenvolvidas de casa, estão as aulas on-line, vídeos em que os professores indicam as notas, as atividades musicais e até apresentações.
Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, no Conservatório Estadual de Música Haidèe França Americano, os professores estão se empenhando para atender aos alunos. De acordo com a diretora da unidade, Evelise Alvarenga, mesmo quem já estava próximo de se aposentar, se dedicou ao projeto. Estão sendo produzidos vídeos, aulas on-line e outros recursos que o educador considerar adequados à especificidade da aula dele.

Para Evelise, a época é de muita adaptação e empatia para lidar com a realidade que se faz presente. “Na aula presencial é mais fácil. Se o aluno apresenta alguma dúvida, o professor vai e demonstra no próprio instrumento. Então, para a aula virtual, foi necessário até mesmo desenvolver adaptações na forma de falar e o vocabulário teve que ser todo reestabelecido para possibilitar o entendimento”, conta. Clique aqui para acessar a página do conservatório nas redes sociais.
No caso do Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, em São João del-Rei, na região do Campo das Vertentes, os alunos estudam pelo material das apostilas do PET, mas os professores têm enviado vídeos pedagógicos para os estudantes de maneira complementar.

Segundo o diretor da unidade, Mauro André dos Santos, em alguns casos é feita a combinação do horário com os estudantes e realizadas videochamadas para repassar lições e tirar dúvidas. Além disso, em algumas modalidades, são feitas aulas on-line com a participação de toda a turma. Todo o material fica disponível para os alunos. “No início ficamos um pouco inseguros, mas com o tempo estamos tendo bons resultados, inclusive com a comunidade escolar. Todos estão se mostrando, cada vez mais, abertos às novas tecnologias”, considera. Clique aqui para acessar a página do conservatório.
E se o aluno não tem o instrumento em casa, professores auxiliam e recorrem à criatividade para construir um material e permitir que a aprendizagem aconteça. Em Diamantina, no Conservatório Estadual de Música Lobo de Mesquita, no Vale do Jequitinhonha, além de todas as propostas que estão sendo desenvolvidas (vídeos, chamadas on-line e canal no Youtube), educadora utilizou diferentes materiais na confecção de um modelo que ajuda a estudar as notas musicais.

De acordo com o diretor da unidade, Felipe Almeida, “a professora de violino, Léia Bruzinga, construiu um com papelão, encapado com papel adesivo e rolo de papel alumínio. Ela encaminhou o tutorial para os alunos que não têm o instrumento”, disse. E complementou, afirmando que “o trabalho tem sido desafiador, mas que professores e alunos estão indo bem”. Clique aqui para conhecer a página do conservatório.

Conservatórios Estaduais de Música
Os 12 Conservatórios Estaduais de Música (CEM) ofertam cursos regulares de Educação Musical, de três anos, que podem representar o ensino fundamental em áreas musicais para crianças, jovens e adultos, e cursos técnicos em instrumento e canto, representando o ensino médio técnico em música, também para o mesmo público.
Além do ensino regular, desenvolvem cursos e projetos de extensão sobre a música e suas correspondências com teatro, dança, artesanato, design, empreendedorismo e produção cultural. Atualmente, cerca de 35 mil alunos estão matriculados nos Conservatórios Estaduais.