Evento que reuniu superintendentes e gestores do órgão central da SEE nesta quinta-feira, em BH, debateu importância de se produzir dados sobre a realidade da Educação no Estado
Uma publicação inédita que traz dados de uma década sobre aspectos da Educação em Minas Gerais e que servirá de instrumento para produção de estudos e análises sobre a área. A “Série Histórica da Educação em Minas Gerais 2008/2017”, que foi lançada nesta quinta-feira (13/12), em Belo Horizonte, reúne em mais de 200 páginas textos, tabelas e gráficos, formando um conjunto sistematizado de informações e de análises temáticas.
O documento é dividido em cinco seções - Perfil e Formação dos Docentes; Oferta, Acesso e Participação; Trajetória do Estudante e Qualidade da Educação e Infraestrutura e Tecnologia, além de dados gerais, como taxas de analfabetismo, escolarização, frequência escolar, níveis de instrução e perfil dos estudantes, dentre outros –, e mostra a realidade, ainda desafiadora, da Educação em Minas Gerais.

Para o secretário de Educação, Wieland Silberschneider, a Série é “importantíssima”, pois sintetiza um conjunto de informações fundamentais que permite refletir sobre os desafios que estão colocados para garantir o direito à educação. “Para dentro da SEE, representa também uma mudança do padrão gerencial de gestão da Educação ao longo desses quatro anos. Para que ele pudesse ser produzido, houve todo um processo de estruturação dos dados, inclusive com uma plataforma a ser disponibilizada, onde esses dados poderão ser acessados”. A publicação foi coordenada pelo professor Rogério Massensini, assessor do Gabinete da SEE, com a colaboração de gestores públicos da Subsecretaria de Informações e Tecnologias Educacionais.
Convidada para debater pontos do documento, a professora Júnia Santa Rosa, da Diretoria de Estatística e Informação da Fundação João Pinheiro, considerou extremamente importante a inciativa da Educação de voltar a publicar séries de dados e informações estatísticas. “Vejo a importância de efetivamente se trabalhar os dados de forma regular, dentro de uma linguagem contemporânea, porque hoje nós temos o desafio que tem a ver com o perfil da informação e do dado. Hoje todos vocês devem ter acesso ao que chamamos de infográficos e ilustrações, mas que não são apenas ferramentas acessórias para ilustrar, mas que dão uma capacidade de compreensão muito maior”, argumentou ela.
Para a professora, apesar de haver uma profusão de instrumentos na área da Educação, produzidos pelo INEP e pelo IBGE, por exemplo, a administração pública tem dificuldade em “traduzir, difundir e fazer chegar essa informação a professores, pais, alunos e à própria sociedade como um todo”, ao contrário das organizações não-governamentais que atuam na área, que acabam por dominar esse debate junto à sociedade. Esse vácuo pode gerar, segundo ela, escolhas de prioridade no debate. “Nós da administração pública temos dificuldade de colocar produtos de estatística e informação para estar na mesma linha de debates que essas instituições. Há uma tomada de debate muito de linhas privativas, liberais, não vejo demérito nisso, mas outras linhas de pensamento, de direitos, devem ter a mesma força e a mesma capacidade de interlocução. Temos que ficar alertas e fazer com que a administração pública possa responder para nós com ferramentas e instrumentos que permitam-nos ter essa capacidade”, ponderou ela.

Comentando a Seção 1 do Documento, Júnia Santa Rosa advertiu que a leitura da realidade deve ser mais ampla. "As avaliações, por exemplo, são importantes, mas só trabalharmos o tema da qualidade sem colocarmos o ambiente de desigualdade que só aumenta em determinadas estratos - negros, mulheres e áreas interurbanas - poderemos ter uma leitura incorreta da realidade". Falando sobre a taxa de analfabetismo, por exemplo, ela verificou que há uma persistência do analfabetismo, especialmente entre negros e mulheres. “Não se trata só de Educação, por isso a pauta dos direitos humanos e do acesso a bens e serviços tem estar presente nessa leitura”. Ela destacou ainda a importância de essas leituras de dados chegarem aos tomadores de decisão. “Nem sempre as pessoas mais esclarecidas estão sendo capazes de ler corretamente o que os dados estão passando”.
O coordenador da publicação, Rogério Massensini, esclareceu um dos objetivos do documento. “Queremos usar os dados educacionais para questionar um pouco da nossa realidade e contribuir para a política de Educação. Ele não é um documento acabado; precisará de novos olhares e novos pensares. Trata-se de uma síntese dos vários projetos da Educação, com mais de 200 tabelas e, por ser uma série histórica, traz de fundo um resgate histórico, que não é 2008, mas 1988, que representa um marco expressivo com a Constituição e todo o exercício de construção de uma democracia em nosso país”.
Participaram também da mesa de debate o subsecretário de Gestão de Recursos Humanos, Antonio David de Souza, e o superintendente regional de Ensino de Uberlândia, Jakes Féliz dos Santos.
Confira AQUI a íntegra da publicação

Revista Educação Integral e Integrada
No evento foi lançada também a Revista Educação Integral e Integrada, reflexões sobre práticas e políticas de Educação Integral em Minas Gerais e no Brasil, produzida sob a coordenação da Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica. “Nesta Revista, temos artigos que problematizam o desafio da construção de uma educação voltada para o pleno desenvolvimento os nossos meninos e meninas. Nós, na gestão Fernando Pimentel, realmente demos uma vertebrada na política de educação integral, que, mais que a extensão do tempo, passou a focar na oferta qualificada que culminou nas Escolas Polos de Educação Múltipla, que culminou na implantação da Educação e Integral no Ensino Médio e principalmente na reflexão interna junto às Regionais sobre o tamanho deste desafio, que, inclusive, prossegue, por força do cumprimento das metas do PNE até 2024”, explicou o secretário Wieland Silbershneider.
