Pela primeira vez em continente americano, planetário de fabricação russa é apresentado aos alunos da Escola Estadual Benjamin Guimarães, em Belo Horizonte

Fazer uma associação entre o enigmático Sistema Solar e a complexa máquina humana. O tema que poderia ser objeto de estudos apenas entre  pesquisadores, também ganha as discussões entre os alunos da Escola Estadual Benjamin Guimarães, em Belo Horizonte. O trabalho é feito a partir de dois planetários que estão na escola. Um deles é de fabricação russa e está pela primeira vez em um país das Américas. A demonstração é coordenada pelo Grupo de Astronomia do Departamento de Física do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais.

Alunos da Escola Estadual Benjamin Guimarães se aventuraram também pela Biologia, com o estudo da composição da célula, comparada a própria organização do universo. Foto: Arquivo escola

E sem sair do lugar, Diego Francisco Ignácio Silva, de 10 anos, fez a sua viagem pelo espaço e pelas células do corpo humano. “Achei fantástico, porque conhecemos o organismo, as partículas e as três partes da célula que são a membrana, o citoplasma e o núcleo. Assim como a célula tem três camadas, a Terra também tem a crosta, o manto e o núcleo”, exemplifica.

O passeio informatizado pelas estruturas da célula do corpo humano é feito a partir de uma tecnologia russa digital que teve seções apenas em países da Europa e da própria Rússia. Já o sistema planetário integra o Observatório da UFMG. Os planetários foram montados na quadra de esportes da escola.

“Nós estamos mostrando para as crianças a ideia de conjunto. Assim como o ser humano é um conjunto de células, a Via Láctea é um conjunto de sistemas planetários. Pelo o que observei, a aceitação das crianças foi ótima e elas estão muito bem preparadas”, avaliou o professor e coordenador do Observatório Astronômico Frei Rosário da UFMG, Renato Las Casas.

O planetário integra o projeto itinerante Observatório em Trânsito, da do Grupo de Astronomia da UFMG, que visita escolas públicas. Foto: Arquivo escola

E quem teve a oportunidade de conhecer essas tecnologias se encantou e até destacou suas preferências. “O planeta que mais gostei de ver foi Vênus, sem contar que aprendi bastante com os planetário. Sei que temos mais de 10 trilhões de partículas de células em nosso corpo, por exemplo”, comentou Esdras Machado Rocha Maciel, de 10 anos.

Para a diretora da escola, Zulmira Cordeiro Las Casas, a ida dos planetários à instituição contribui para a aprendizagem dos alunos, uma vez que os temas abordados são discutidos em sala durante as aulas de Ciências e Geografia. “Os nossos alunos estão estudando as células. Com esses planetários, os nossos alunos ficaram muito empolgados e nós educadores também. Sempre procuramos levar uma fonte de conhecimento diferente das quais os nossos estudantes têm costume”.

O trabalho integra o projeto Observatório em Trânsito, em que são realizadas atividades itinerantes em escolas públicas organizadas pelo Grupo de Astronomia da UFMG. O projeto conta com a parceria de uma empresa mineira, responsável por fornecer aparelhos com tecnologia de ponta para o ensino.