Data: 10/3/2004 Hora: 10:52:55


Dados dos últimos anos do vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) demonstram que os candidatos egressos da escola pública têm mantido um índice médio de aprovação de 40%. A afirmação é do coordenador-geral do vestibular da UFMG, Antônio Emílio Angueth de Araújo. Para desenvolver ações que promovam a excelência no ensino das escolas públicas da rede estadual, a Secretaria de Estado de Educação realiza, dia 18, de 8h30 às 18 horas, no Minascentro – Av. Augusto de Lima, 785, o I Encontro Estadual Projeto Escolas-Referência, para o lançamento do projeto.

O Escolas-Referência vai oferecer melhoria na infra-estrutura das escolas e adquirir equipamentos, montar bibliotecas para alunos do ensino médio e salas ambientes de física e química às instituições de ensino públicas que se destacam pela qualidade do trabalho que realizam ou pela tradição que possuem e têm a possibilidade de se tornarem referência para as demais.

Neste encontro, participarão 1.600 professores e especialistas de 340 escolas que podem participar do processo seletivo para escolher as 220 que farão parte do projeto este ano. Para se inscrever, a escola selecionada deverá indicar outra para se associar a ela. Assim, a primeira etapa do Escolas-Referência irá atingir 400 instituições de ensino.

Para que as escolas possam se candidatar a fazer parte do Escolas-Referência, é necessário atender a alguns critérios. Um deles é estar localizada em municípios com mais de 30 mil habitantes. São cerca de 100 municípios nesta situação, o que significa quase 60% da população mineira. Outros critérios sâo: ter mais de mil alunos no ensino médio, possuir experiência significativa, atual ou na história da educação mineira, na área pedagógica ou de gestão escolar. As escolas que participam do Projeto Escola Viva, Comunidade Ativa, que possuem mais de 30 professores atuando nos quatro anos finais do ensino fundamental e no ensino médio também podem participar.

Aprovação na UFMG

De acordo com Antônio Emílio, os alunos da escola pública passam no vestibular da UFMG, inclusive, nos primeiros lugares. Renato Luiz Duarte de Morais, ex-aluno da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves é um exemplo. Ele foi o primeiro colocado para o curso de biblioteconomia. "Trabalho e estudo desde que entrei para o ensino médio, por isso, tive que me esforçar, pois é mais difícil, mas os alunos da escola pública têm condições de passar na UFMG", afirma.

Para o vestibular 2004, a UFMG recebeu cerca de 70 mil inscrições, sendo que 60% eram candidatos vindos das escolas públicas. O índice de aprovação dos alunos da rede particular ainda é grande, mas os alunos da escola pública já estão conquistando seu espaço na UFMG. Do número total de inscritos vindos da escola pública, 4,38% são aprovados enquanto este índice, quando se refere à escola particular, quase dobra, resultando 9,84% dos aprovados.

Dentre os candidatos de escolas públicas, a rede estadual de ensino é a que mais aprova, com 23%, seguida da rede federal, com 11% de aprovação e a municipal, com 7% dos aprovados. Enfermagem, o curso mais concorrido de 2004, teve 50% dos aprovados vindos da escola pública.

E não é só escolas tradicionais como o Instituto de Educação, Estadual Central, Coltec ou Cefet em Belo Horizonte que têm aprovado no vestibular da UFMG. A aluna Sâmela Batista Arantes, da Escola Estadual Nossa Senhora do Belo Ramo, passou em 17º lugar para o curso de Estatística. A instituição de ensino em que ela estudou está situada numa área de risco social "Minha escola era famosa por ser violenta, mas quem faz a escola é o aluno. Ela me ajudou, tem professores bons, e eu também me esforcei muito, estudei sozinha e corri atrás para aprender", explica.

Hortênsia Campos Maia, ex-aluna da Escola Estadual Leopoldo de Miranda, ficou em 9º lugar para o curso de artes cênicas. "Sempre estudei em escola pública e o Leopoldo de Miranda tem bons professores", afirma Hortênsia. "O vestibular não é um bicho de sete cabeças. Basta se dedicar e confiar. Ele é concorrido, mas alguém tem que ocupar a vaga", completa.

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL