Mais do que um jogo, um verdadeiro exercício de estratégia e raciocínio lógico, o xadrez volta a ocupar, pelo décimo segundo ano, as mesas e as mentes dos estudantes da Escola Estadual Padre João Parreiras Vilaça, em Carmo do Cajuru, município do Território Oeste. A formação de enxadristas faz parte do projeto Xeque-Mate, que vem sendo usado como facilitador da aprendizagem dos educandos, favorecendo o desenvolvimento de suas habilidades de raciocínio, reflexão, socialização, bem como a tomada de decisões dentro e fora da escola.

Carlos Jivago, professor responsável pelas atividades do projeto, explica que o Xeque-Mate é realizado durante o primeiro semestre do calendário escolar, com aulas teóricas e práticas que envolvem a história do xadrez, a movimentação das peças, conscientização sobre os benefícios da exercitação do jogo, avaliação teórica, além da realização de um campeonato interno e a preparação para os Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg).

Projeto de xadrez realizado durante o primeiro semestre do calendário escolar, com aulas teóricas e práticas. Foto: Arquivo da Escola

“O projeto abre um extenso leque de possibilidades aos estudantes e os presenteia com o desenvolvimento de capacidades muito úteis à vida e ao desempenho acadêmico, como saber lidar com sua própria frustração, respeitar o oponente, planejar e pensar com objetivo final, prever os próximos passos do adversário e preparar reações a partir dos diversos cenários possíveis", comenta o professor Carlos Jivago. Para conquistar tais benefícios, no entanto, não basta aprender apenas o básico do xadrez. É necessário que os estudantes se aprofundem na prática, indo da concentração à contemplação, estágio em que os enxadristas começam a criar e imaginar muito mais.

O xadrez nas escolas

É pela brincadeira que a criança começa a ter acesso à cultura, o que justifica a introdução do xadrez já nos primeiros anos escolares. Nesta fase, o jogo deve ser apresentado apenas como brinquedo, fazendo da curiosidade infantil a ponte para a posterior apresentação de conceitos, objetivos e regras.

Geralmente, projetos de xadrez são introduzidos para crianças do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental, de maneira articulada com projetos curriculares. Esta é a época do jogo de regras (Piaget), transição da atividade individualizada para a socializada. Por meio da aprendizagem progressiva e do respeito às regras do xadrez, a criança pode elaborar habilidades e conhecimentos socialmente disponíveis, passando a internalizá-los, o que proporciona a ela ganhos de maturidade social (Vygotsky).

Escola também se prepara para a participação nos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg). Foto: Arquivo da Escola

Para o aprendizado básico, são necessários tabuleiros, peças, planilhas de anotação, relógios, mural com peças imantadas (preferencialmente) e um professor motivador. Além do cuidado com a idade de exposição da criança ao xadrez e com o método de abordagem adequado a cada faixa etária, é necessário capacitar corretamente os docentes para que acompanhem a evolução individual dos alunos e os motivem à prática do jogo.

“É preciso aplicar a metodologia correta e oferecer desafios para as crianças. Também é preciso ensinar o trabalho em equipe, porque muitas vezes os jovens se desenvolvem melhor ajudando uns aos outros. São esses fatores que têm garantido a longevidade e o sucesso do xadrez em nossa escola, juntamente com o auxílio que obtivemos por meio de parcerias com a Secretaria Municipal de Esportes, entre outras entidades locais”, conclui Vanusa de Sousa Vilela Silva, diretora da unidade de ensino. De partida em partida, após 12 anos de projeto Xeque-Mate, os alunos da E.E. Padre João Parreiras Vilaça vêm conquistando vitórias no jogo sem fim da aprendizagem.

Por Andreia Mendes (SRE Divinópolis)