O secretário de Estado de Educação de Minas Gerais em exercício, Wieland Silberschneider, em seu pronunciamento na abertura oficial da etapa de formação. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) deu início nesta quinta-feira (19) à etapa de capacitação da Jornada Mineira de Alfabetização e Círculos de Cultura, que contou também com o lançamento do Caderno de Orientações Pedagógicas e Metodológicas para Educadores e Educadoras. O encontro acontece até domingo (22) na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, instituição que também é responsável pelo projeto. A Jornada promove a formação dos educadores dos municípios que fazem parte do projeto

A abertura do evento contou com a presença do secretário de Educação em exercício, Wieland Silberschneider; da subsecretária de Educação Augusta Mendonça; do secretário de Educação de Ibirité, Rafael Calado Alves Pereira, e dos oito coordenadores pedagógicos, 15 mobilizadores de turmas e 109 monitores que participarão desta formação inicial, dentre outros.

A Jornada de Alfabetização e Círculos de Cultura está inserida no projeto de Alfabetização e Letramento Popular de Jovens e Adultos da SEE e tem o objetivo principal de reduzir os índices de analfabetismo e as desigualdades educacionais entre idosos e jovens e adultos com idade entre 15 e 39 anos por meio de métodos de alfabetização e letramento populares, que reconheçam as especificidades, saberes sociais e comunitários dos educandos. Inicialmente, o projeto contempla oito municípios mineiros inseridos nas regiões Central, Leste, Norte e Nordeste em Minas Gerais: Almenara, Ibirité, Itatiaiuçu, Montes Claros, Novo Cruzeiro, São Joaquim de Bicas, Teófilo Otoni e Tumiritinga.

Nesta primeira edição, o programa contempla o método de formação “Sim, eu Posso!”, caracterizado por uma ação alfabetizadora que parte sempre de uma contextualização de assuntos e temas que são familiares aos alfabetizandos. Organizado por meio de 65 vídeo-aulas, gravadas por uma equipe brasileira em Cuba e adaptadas ao contexto brasileiro, o método trabalha uma organização com sequências diferenciadas que utiliza, entre outras coisas, a articulação entre letras e sons e entre letras e números.

O projeto conta com coordenadores pedagógicos, mobilizadores e monitores dos oito municípios integrantes do programa. Depois de receberem a formação, esses educadores da 1ªJornada de Alfabetização “Sim, eu Posso” e Círculos de Cultura retornarão às suas cidades para iniciar o processo de mobilização de turmas e dar início às aulas. Até o momento, quase duas mil pessoas manifestaram interesse em participar do projeto.

Em seu pronunciamento, o secretário de Educação de Minas Gerais em exercício falou sobre o esforço e o comprometimento da SEE em colocar em prática esta Jornada. “Foram muitos meses de planejamento e envolvimento na construção deste grande projeto que, muito mais que oferecer alfabetização e letramento, promove a cidadania em Minas Gerais”, disse.

Wieland comentou, ainda, sobre o importante papel dos educadores envolvidos na alfabetização de jovens, adultos e idosos nos oito municípios de Minas Gerais. “Estamos vivenciando a busca de alternativas e ações concretas para a educação de nossos cidadãos em Minas Gerais, e ter, na sociedade, educadores que dispõem de parte de suas vidas para promover essa formação é muito importante. Todos que assumem esse compromisso devem ficar atentos para o fato de que, quando implementa-se um processo de letramento e alfabetização, não é estritamente ensinar o ler e o escrever, mas, sim, orientar a capacidade de cada cidadão de compreender a realidade em que vive e de fazer uma leitura crítica e pessoal sobre ela. Este é um empoderamento que está na mão de cada educador desta 1ª Jornada e que deve ser honrado”, concluiu o secretário.

Após a etapa de formação inicial, serão realizadas as mobilizações de turmas, matrícula dos alfabetizandos e processo seletivo dos alfabetizadores. Antes do início das aulas, ainda, acontece o Seminário Estadual de capacitação para o método “Sim, eu Posso!” e Círculos de Cultura de toda a equipe.

Sim, eu Posso!

O método cubano de alfabetização “Sim, eu Posso!” (Yo, Si Puedo, no idioma original) foi desenvolvido pelo Instituto Pedagógico Latino-americano e Caribenho (IPLAC), em meados dos anos 1990, por um grupo de profissionais da educação sob a coordenação da professora Leonela Inés Relys Diaz. O método foi inspirado na campanha de alfabetização realizada em Cuba, em 1961, que envolveu massivamente a sociedade e levou a cabo o analfabetismo no país, naquele ano.

Implementado em mais de 30 países, o programa ‘’Sim, eu posso!’’ já foi traduzido e contextualizado para mais de 10 idiomas e dialetos como: espanhol, português, francês, chinês, créole, aymará, quíchua, guarany e tétum. Também existem versões em braile e para surdos, buscando assim o desenvolvimento das pessoas independente de sua situação. Os logros do ‘’Sim, eu posso!’’ levaram o IPLAC a receber, no ano de 2006, o Prêmio de Alfabetização Rei Sejong, concedido pela Unesco pela promoção e êxito do programa em três continentes.

No Brasil, desde o ano de 2006, o método foi implementado com sucesso nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe e Maranhão, em parceria com movimentos sociais. Na primeira experiência em parceria com o poder público, implantado no estado do Piauí, em três municípios, o método também mostrou sua eficácia, alfabetizando 80% das pessoas inscritas inicialmente nas turmas.

Fundação Helena Antipoff

A Fundação leva o nome da psicóloga e pedagoga russa Helena Wladimirna Antipoff, que chegou ao Brasil na década de 30 a convite do Governo do Estado de Minas Gerais para participar da reestruturação do ensino e foi pioneira na introdução da Educação Especial no país. Ao resolver permanecer no Estado, encontro a fazenda onde criou a Escola de Formação de Professores, em 1955, onde hoje funciona a Fundação.

Além do atendimento ao programa de Educação Integral e Integrada, o espaço abriga a Escola Estadual Sandoval Soares de Azevedo, uma unidade da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), a Clínica de Psicologia Edouard Claparède, as Oficinas Pedagógicas Caio Martins e a Biblioteca Comunitária Helena Antipoff. A Fundação oferece, ainda, cursos da Rede Estadual de Educação Profissional (REDE) para jovens estudantes do Ensino Médio e da Educação para Jovens e Adultos (EJA), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) e com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sedectes).