Professores de diversas regiões do estado receberam treinamento teórico e prático durante três dias na UFMG

tividades teóricas e práticas dentro da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foto: Franciele Xavier ACS/SEE

Quem olha a imagem acima pode pensar que a situação não passa de um simples momento de lazer, mas é exatamente o contrário: o que poderia ser uma brincadeira é um treinamento sério e profissional de professores de Educação Física das 96 escolas estaduais mineiras que participam do Potências Esportivas Escolares. O programa foi criado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) com objetivo de incentivar as práticas esportivas por meio da consolidação de centros de referências de diversas modalidades na rede de ensino do Estado.

A etapa de formação do Potências Esportivas Escolares teve início no último dia 10 de abril e durou três dias, com a imersão dos professores em atividades teóricas e práticas dentro da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O auditório principal da Escola de Educação Física foi o local de encontro para a formação teórica, e as quadras, pistas e outros espaços de práticas esportivas serviram de apoio para os treinamentos de futsal, vôlei, lutas, basquete, badmington e handebol. Para todas as modalidades, foram repassados conteúdos que aliam os movimentos adequados de cada esporte com a parte da formação humana do estudante da rede estadual de ensino.

Foram repassados para os educadores conteúdos que aliam os movimentos adequados de cada esporte com a parte da formação humana do estudante da rede estadual de ensino. Foto: Franciele Xavier ACS/SEE

A coordenadora de Esporte Educacional da SEE, Celina Gontijo, explica que a proposta do Potências Esportivas Escolares vai além de apenas fomentar o esporte nas escolas. “O programa propõe uma maior observação do desenvolvimento esportivo do aluno, no sentido de identificar as habilidades e dificuldades e propor um treinamento que potencialize suas capacidades e o ajude a encarar seus desafios. Para isso, essa formação é voltada para que o professor tenha um novo olhar tanto para os seus métodos de ensino quanto para o aluno em si”, disse a coordenadora.

O doutor em Educação Física pela UFMG, Auro Freire, foi um dos convidados a fazer a formação dos professores e enxerga como muito positiva essa troca de experiências. “Na minha opinião, é importante de duas formas: para as pessoas que estão no mundo das aulas, diretamente na formação de estudantes; e para quem, como eu, está na área acadêmica, porque esse diálogo entre teoria e prática é necessário para, além de formar cidadãos, que é o princípio fundamental da Educação Física, também permitir que os talentos que existem na escola possam alcançar a excelência”, afirmou.

Entre os levantamentos, saques e manchetes na aula prática de vôlei, o professor de Educação Física Alex Cota, da Escola Estadual Quilombola Antônio Fernandes Pinto, em Rio Piracicaba, no Território Metropolitano de Minas Gerais, fazia seus questionamentos para tirar as dúvidas. Para ele, o programa veio para valorizar o trabalho dos profissionais de Educação Física, principalmente aqueles que, mesmo em escolas e cidades pequenas, conseguem realizar projetos e ainda ter alunos que se destacam nos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG).

“Mesmo com muitos alunos que sonham em ser atletas, o que acho muito importante, meu objetivo na escola é mostrar a eles as possibilidades que eles podem ter com o esporte, sem o objetivo principal de ser um campeão, como a saúde, a integração, a socialização. Muitos dos meus estudantes conheceram coisas simples do cotidiano da maioria das pessoas por meio das práticas esportivas e, principalmente, da participação no JEMG, como escadas rolantes, elevadores, entre outros. O esporte para eles é um modo de conhecer o mundo”, disse, emocionado, o professor.

Professor de Educação Física Alex Cota. Foto: Franciele Xavier ACS/SEE

Na Escola Estadual Professor Nelson de Sena, em Governador Valadares, no Território Vale do Rio Doce de Minas Gerais, já existe um projeto de futsal que atende mais de 40 alunas. A idealizadora e coordenadora do projeto, professora Lidiane Pereira Alves, acredita que o Potências Esportivas Escolares é uma forma de a SEE reconhecer esse tipo de trabalho feito nas escolas e que, com a formação, o projeto pode crescer ainda mais. “Essa é uma das melhores capacitações de que participei no Estado, e achei o conteúdo muito rico e proveitoso, tanto na parte teórica quanto na prática. Acho que, quanto mais o professor é rico em conhecimento para transmitir aos alunos, mais chances ele tem de trazer estudantes para o esporte e proporcionar sua formação tanto em práticas esportivas quanto como um ser humano”, refletiu.

Critérios de Participação

As 96 escolas foram escolhidas seguindo os seguintes critérios de seleção: participação nas etapas estadual e regional dos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg) e indicação da Superintendência Regional de Ensino (SRE) com um trabalho destaque feito por professor habilitado.

Todas as escolas que participarão do Potências Esportivas Escolares receberão materiais esportivos específicos da modalidade selecionada e o professor de Educação Física terá 6 horas-aula para que faça treinamento esportivo com os estudantes que quiserem praticar a modalidade no contraturno.

Ao todo, serão desenvolvidas 13 modalidades: atletismo, badminton, basquete, futsal, ginástica de trampolim, handebol, judô, natação, paradesporto (bocha), peteca, tênis de mesa, vôlei e xadrez.