No Estadual Central, o Ensino Médio Integral e Integrado é oferecido em 28 turmas. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

O Ensino Médio Integral se consolida em Minas Gerais. Neste ano, o número de escolas que oferta a modalidade subiu de 44 para 79, beneficiando cerca de 19 mil estudantes, no total. A proposta tem por base a ampliação da jornada escolar, com 45 horas/aula semanais, com a formação dos estudantes tanto nos aspectos cognitivos quanto nos socioemocionais. As aulas tiveram início junto com o Ensino Regular, no dia 19 de fevereiro.

De acordo com a coordenadora de Educação Integral e Integrada da SEE, Cecília Resende, as expectativas para o Ensino Médio Integral e Integrado nas 79 escolas são as melhores possíveis, já que 2017 serviu de muito aprendizado e a Secretaria conseguiu oferecer uma formação consistente para os profissionais envolvidos na oferta da modalidade, tanto relativo à gestão e infraestrutura quanto ao projeto pedagógico.

“Os primeiros dias do ano letivo envolvem o processo de escolha dos estudantes sobre que os cursos que desejam fazer na parte flexível do currículo e a contratação imediata dos professores para essas aulas. Acreditamos que até o dia 1º de março todas as escolas já estejam com o quadro de docentes alinhado e organizado para poder executar a política do ensino integral e integrado”, explicou Cecília.

Cada professor que vai atuar na parte flexível do currículo do Ensino Médio Integral e Integrado passa por uma banca examinadora, para a qual ele tem que apresentar um plano de trabalho para o ano todo e executar um plano de aula para essa banca. “A equipe de avaliadores é composta por membros da comunidade escolar, professores das escolas, diretores e vice-diretores, e de profissionais de universidades no entorno ou próximas das escolas. A banca é formada assim que a escola identifica quais áreas da parte flexível foram selecionadas pelos estudantes”, esclareceu Cecília.

A coordenadora comenta, ainda, sobre o retorno positivo que tem recebido das escolas que já implementaram a política do Ensino Médio Integral e Integrado em agosto de 2017. “São desde mensagens até peças radiofônicas e outdoors produzidos pelas escolas para falar do quanto foi produtivo oferecer o ensino integral. Percebemos que as escolas estão se sentindo orgulhosas de fazer parte do programa e estão com o desejo de que ele seja bem visto na sociedade”.

Para 2018, Cecília espera que esse sentimento de pertencimento ao Ensino Médio Integral e Integrado se espalhe entre todas as 79 escolas. “Esperamos um ano letivo de muita produtividade. Já começamos a entregar kits multimídia e esportivos, além fogões, geladeiras e televisores novos, e estamos com processo de pregão aberto para compra de violões, flautas e outros instrumentos musicais. Esperamos que muito em breve estejamos com todos os materiais necessários para realizar aquilo que foi escolhido pelos estudantes com alegria e muita qualidade ”, esclareceu Cecília.

Entusiasmo

Se depender do primeiro dia de aula no Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte, o ano letivo promete. No total, são 28 turmas de Ensino Médio Integral e Integrado, que totalizam 980 alunos. De acordo com a vice-diretora Vanessa Nicoletti, no acolhimento promovido pela escola para receber os estudantes, a percepção foi de que eles estão muito empolgados. “Quando falávamos das disciplinas que eles mais gostaram, eles até aplaudiam”, disse. Vanessa explica que a experiência de 2017 será fundamental para tudo funcionar de forma mais efetiva e proveitosa para professores e jovens. “Este ano tivemos mais tempo para nos preparar, inclusive para responder aos questionamentos dos alunos, porque tudo ainda é muito novo. Acreditamos que 2018 será muito melhor e mais bem estruturado que 2017 ”, disse Vanessa.

No Estadual Central, como explica o coordenador do Ensino Médio Integral e Integrado, Reinaldo França, são oferecidos três cursos técnicos – Marketing, Administração e Informática – e outros dois currículos dos cursos não profissionalizantes que oferecem, além das matérias da Base Nacional Comum Curricular, disciplinas como Dança, Artes Cênicas, Aprofundamento do Enem, Pesquisa e Intervenção, Direitos Humanos, Robótica, Jogos Digitais, Introdução à Engenharia e Conversação em Inglês. “Percebemos grande interesse dos alunos e também dos professores. Tivemos até efetivos que se candidataram para dar aulas da parte flexível do currículo e isso já é um retorno muito bom”, disse Reinaldo.

O professor de português Levi Rosa de Campos confirma o entusiasmo de professores e alunos. “Os estudantes estão na expectativa de ter um ensino mais diferenciado e os professores desta escola são muito animados para fazer um bom trabalho. Neste começo, estamos trazendo o aluno para perto, conhecendo seus anseios, para que consigamos fazer com que eles se sintam bem dentro da escola, que esse ensino integral e integrado faça sentido pra eles. Esse é nosso maior desafio e maior motivação”, disse Levi.

As alunas do Estadual Central Ana Clara Gonçalves e Fernanda Viana, ambas de 15 anos, estão vibrantes com mais esta oportunidade. “Se pudesse trocar pelo ensino regular, eu não trocaria. Melhorei bastante meu rendimento e acho muito interessante a questão de ficar mais tempo na escola para estudar”, disse Fernanda, aluna do 2º ano, que faz o Currículo 1 oferecido pela escola e prefere, da parte flexível, a matéria “Introdução à Engenharia”, disse Fernanda.

Fernanda acredita que seu desempenho escolar melhorou depois da jornada ampliada e do ensino integrado. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

Já Ana Clara, que está matriculada no 1º ano e pela primeira vez no Ensino Médio Integral e Integrado, as perspectivas são as melhores. “Espero que seja um ano muito produtivo, com boas experiências escolares, a começar pelo ‘Aprofundamento do Enem’, disciplina da parte flexível do currículo que mais quero estudar para ter uma base consistente para meu ingresso na universidade, pois pretendo estudar engenharia ou medicina”, afirmou a adolescente.

Ana Clara pensa que o Ensino Médio Integral e Integrado será uma boa preparação para ingressar na universidade. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

 

Na Escola Paulina Aluotto Ferreira, em Brumadinho, Território Metropolitano de Belo Horizonte, as opiniões de estudantes não são muito diferentes. A aluna Clara Stelly, de 15 anos, que está no 1º ano e também vai cursar o Ensino Médio Integral e Integrado pela primeira vez, explica que gostou das propostas dos professores e aprova a ampliação da carga horária para estudar mais. “Eu até pensei que fosse chato passar o dia na escola o dia inteiro, mas chato é ficar em casa sem fazer nada e mais ainda sem aprendizado porque, se você não estuda, não vai ter nada na vida. Eu quero fazer medicina, então sei que essa rotina vai ser muito boa pra mim, para me acostumar a estudar o dia inteiro, tanto para o Enem quanto na própria universidade. Tenho certeza de que essa experiência será ótima pro meu futuro”, disse.

Clara tem como colega de curso técnico de informática na Paulina Aluotto Ferreira a aluna Maria Eduarda Barbosa, de 15 anos, que aposta no Ensino Integral e Integrado para sua formação. “Esta é uma oportunidade que a gente não tinha antes, e com ela vamos poder avançar ainda mais em conhecimentos. Fico ansiosa para chegar o dia seguinte para aprender mais, principalmente sobre Informática”, disse, alegre, a adolescente.

A veterana do Ensino Médio Integral e Integrado, Letícia Lemes, do segundo ano, é aluna do 2º ano na mesma escola e valoriza o aprendizado. “A gente tem ótimos professores que sempre estão por perto, conversam com a gente, tiram nossas dúvidas, dão aulas práticas muito interessantes. Enfim, estamos gostando muito dessas novas possibilidades”, declarou.

O diretor da Paulina Aluotto Ferreira, Márcio Roberto Lopes de Souza, explica que na escola são cerca de 180 alunos do Ensino Médio Integral e Integrado e que os cursos técnicos ofertados são informática e administração, além das disciplinas da parte flexível do integral e integrado não profissionalizante, como conversação em inglês, iniciação musical para violão e fotografia. “Acho esta política de ensino muito importante porque os alunos estão na escola porque eles querem, porque gostam de passar toda essa jornada com opções de aprendizado. Queria ter oferecido mais vagas, cheguei a ter mais de 30 alunos na fila de espera”, disse o diretor.

As amigas Clara, Letícia e Maria Eduarda, da Paulina Aluotto: boas expectativas para o Ensino Médio Integral e Integrado em 2018. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

Educação Integral e Integrada no Ensino Médio

Em Minas Gerais, o Ensino Médio Integral e Integrado começou a ser ofertado em agosto de 2017 em 44 escolas estaduais que aderiram e corresponderam aos critérios estabelecidos na portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação, que instituiu o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral. A partir de 2018, mais 35 escolas passarão a oferecer a modalidade e quase 20 mil estudantes serão contemplados.

O currículo é constituído de duas partes – formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular, e flexível, de acordo com três campos de integração: Cultura, Artes e Cidadania; Múltiplas Linguagens; Comunicação e Novas Mídias e Pesquisa e Inovação Tecnológica e ainda com a oferta de pelo menos um curso técnico à escolha dos estudantes .