Diretoria da Juventude vai alimentar práticas que mantenham as redes de representantes em contato. Foto: Arquivo / Escola

Melhorar a comunicação entre os representantes estudantis da rede estadual de ensino de Minas Gerais, potencializar a formação de coletivos e ajudar todas as escolas a efetivar as ações de fomento à participação dos jovens na gestão escolar: essa é a perspectiva da Diretoria de Juventude da Secretaria de Estado de Educação (SEE) para 2018.                  

Os três objetivos fazem parte da política de Fomento à Participação Estudantil que começou a ser implementada pela Diretoria em 2017, ano em que foram consolidadas ações de muita importância como criação de coletivos juvenis, eleições de representantes de turma, formação dos conselhos desses representantes nas escolas e da rede de representação estudantil em cada Superintendência Regional de Ensino (SRE).

Neste ano, o foco é nas práticas que mantenham as redes de representantes em contato e que potencializem os coletivos formados, por meio de encontros de alunos de uma ou várias escolas, reuniões dos líderes de turma com equipes das SREs, entre outras possibilidades. A diretora de Juventude da SEE, Priscylla Ramalho, explica que muitos estudantes já criaram seus próprios meios de manter seus processos de comunicação, como grupos em redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas. Mas, mesmo assim, é preciso um suporte da secretaria para que esse processo se amplie e consolide.

“Uma das premissas desta política de fomento é orientar a criação de um banco de contatos com e-mails dos representantes que fazem parte das redes para que haja uma comunicação permanente entre eles, a escola e as SREs. Vamos trabalhar para que isso seja consolidado em 2018, principalmente porque percebemos uma aceitação cada vez maior por parte das equipes das regionais e das escolas. Começamos a receber um retorno muito positivo que mostra que os gestores estão conscientes sobre a importância da gestão democrática e sobre como a participação de estudantes que se organizam em grupos, coletivos ou conselhos podem impactar de forma muito positiva na gestão escolar”, afirmou Priscylla.

Participação estudantil é incentivada pela Secretaria de Estado de Educação em Minas Gerais. Foto: Arquivo / Escola

Arthur Banhato, estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Padre Alberto Fuger, no Território Sul de Minas Gerais, foi eleito representante de turma em 2017 e também da rede da superintendência que representa a sua regional. “Em todas as reuniões e rodas de conversa em que estou presente fico pensando em como posso levar as informações para a rede, para o conselho da minha escola e para os outros colegas em geral. Iniciamos um grupo de Whatsapp e sempre mantemos contato. Vou iniciar na escola em 2018 um projeto de empreendedorismo para propor a liderança, para despertar nos estudantes o interesse de ter um propósito, e tenho total apoio da diretora para isso. E quem sabe daí não surgem bons projetos, coletivos consistentes?”, disse Arthur, animado com a política de fomento à participação da SEE. Segundo ele, tudo que tem sido feito pela secretaria neste sentido fez muita diferença porque os alunos estão mais animados, com a esperança de poderem fazer mais, quando antes só era permitido fazer o mínimo.

MidiAção

Além do incentivo aos encontros e grupos de discussão, on-line ou não, outra estratégia da SEE para manter e expandir a comunicação é o MidiAção, programa que visa incentivar e apoiar a implementação de uma rádio nas escolas estaduais para dar voz aos estudantes e ampliar seus espaços de participação, tanto no ambiente escolar quanto na sociedade em que vivem. Primeiramente, o MidiAção será iniciado em parte das escolas que ofertam o Ensino Médio Integral e Integrado, nas diversas regiões do Estado. Na região metropolitana de Belo Horizonte, foram mapeadas 40 escolas que desenvolvem ou já desenvolveram a sua rádio e que serão incentivadas a retomar esta ação. “Implantar o MidiAção em toda a rede estadual será nosso desafio, mas vamos trabalhar para que a equipe consiga ir até as regionais para ofertar formação a professores e estudantes, de modo que, com poucos recursos, possam dar início à produção de rádio. A formação é o que é mais necessário para iniciar o programa, já que é possível fazê-lo utilizando um celular e um notebook, apenas. Pretendemos treinar o maior número possível de pessoas este ano”, relatou Priscylla.

Enquanto não acontece a eleição de representantes de turma na Escola Estadual Três Poderes, em Belo Horizonte, a aluna Laura Krueger participa como pode. Bem articulada e com uma história dentro da ciência por meio da iniciação científica, a jovem já participou de ações da Virada da Educação em 2017, como convidada da SEE, e busca continuamente formas de ter mais voz no ambiente escolar. “Acho que essa política de fomento à participação é totalmente inovadora, porque a gente passa a maior parte do nosso tempo dentro de escola, então temos autonomia para falar sobre isso, para participar dos processos que acontecem. Ninguém melhor que os estudantes para fazer parte de uma gestão democrática, pois é na escola que começamos nossa construção como cidadão, que temos nossas primeiras experiências sociais. Então acho importantíssimo o apoio ao protagonismo da juventude”, manifestou Laura.

Como as escolas ainda estão no processo de adaptação à política de fomento à participação da Diretoria de Juventude da SEE, Priscylla explica que todo o suporte será dado aos gestores que ainda não realizaram as eleições de representantes de turma. “Acreditamos que gradativamente isso será adotado pelas escolas, pois envolve aprendizado e aceitação de algumas mudanças, pois os estudantes, de certa forma, farão parte da gestão da escola. Aquelas que já têm seus líderes de turma perceberam o quanto isso ajudou na administração e na tomada de decisões, e temos certeza de que isso será com todas. Além do ganho para toda a comunidade escolar, a participação estudantil contribui individualmente também com a formação integral e integrada de cada jovem”, concluiu Priscylla.

Protagonismo juvenil tem sido bem recebido pelos gestores das escolas estaduais. Foto: Arquivo / Escola