Escola Estadual Domingos Justino, de Mateus Leme, teve cinco projetos premiados e credenciais para eventos científicos no Equador, Inglaterra, Escócia, Rússia e em Portugal

Em muitas escolas da rede estadual de ensino de Minas Gerais, a iniciação científica já está consolidada e é atividade primordial na grade curricular de estudantes de diferentes modalidades de ensino.  A prova disso é a Escola Estadual Domingos Justino Ribeiro, em Mateus Leme, que, mais uma vez, conquistou prêmios com trabalhos científicos realizados por alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Com 9 pesquisas finalistas na Feira de Ciências, Tecnologia, Educação e Cultura (Fecitec) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a instituição garantiu 5 premiações em diferentes categorias e credenciais para eventos nacionais e internacionais.  “Não há felicidade maior para uma professora do que ver seus alunos brilharem, serem reconhecidos e premiados”, comemora Fabíola Fonseca, docente e orientadora de alguns trabalhos.

Diversos projetos desenvolvidos por estudantes de escolas estaduais se destacaram na 4ª edição Fecitec/UFV, realizada em outubro, no campus Florestal. De acordo com os critérios estabelecidos no edital da feira, a comissão julgadora classificou os três melhores trabalhos de cada nível de ensino por área e/ou subárea de conhecimento. As unidades da rede estadual conquistaram 37 colocações entre os três primeiros lugares de cada categoria.

A pesquisa das alunas Lohana Tomaz Silva e Lorena Tomaz Silva, da E.E. Domingo Justino Ribeiro, conquistou a 1ª colocação na categoria Ciências da Saúde com nota máxima e 6 credenciais para eventos científicos internacionais. Foto: Fabíola Fonseca

A Escola Estadual Domingos Justino, de Mateus Leme, que vem colecionando premiações em todo o país, foi um dos grandes destaques da feira. Na categoria Ciências da Saúde, as irmãs gêmeas Lohana Tomaz Silva e Lorena Tomaz Silva, estudantes do 1º ano do Ensino Médio, apresentaram a pesquisa “A batata milagrosa: Estudos das propriedades medicinais e características botânicas”, conquistaram a 1ª colocação, com nota máxima, e 6 credenciais para eventos científicos no Equador, Inglaterra, Escócia, Rússia e em Portugal, nas cidades de Braga e Porto. “São três anos de muito esforço e aprendizagem. Essa premiação na Fecitec foi um dos melhores resultados já conquistado por nós em feiras de Ciências com o projeto”, comenta Lohana.

Sonhando em seguir carreira acadêmica na área de Biologia ou Bioquímica, Lohana explica que o trabalho busca descobrir quais as características medicinais e metabólicas do vegetal contribuem para a cura do câncer. “Conhecida popularmente como batata milagrosa, a planta ornamental possui potente ação contra tumores cancerígenos, principalmente de pulmão, e auxilia no tratamento de doenças crônicas e feridas cutâneas”, diz a jovem, acrescentando que a experiência com iniciação científica já no Ensino Médio contribuirá para um futuro promissor no ensino superior.

A professora Fabíola Fonseca, que é a orientadora das alunas, destaca que a motivação dos estudantes pelo estudo científico é um dos fatores que colabora para a instituição sempre ser premiada em eventos como a Fecitec/UFV. “O ingresso deles na iniciação científica ocorre gradativamente, primeiro com a feira da própria escola, e, depois, em outros encontros externos. Porém, percebemos que boa parte continua desenvolvendo estudos mesmo sem obrigatoriedade por parte da escola”, afirma a educadora que ressalta o amadurecimento dos estudantes. “Aos poucos, eles começam a gostar e passam a legitimar seu lugar no espaço escolar. Tornam-se mais conscientes, críticos, responsáveis e aprendem a defender e a valorizar suas ideias e seus trabalhos”, conclui.

“Caracterização Fitoquímica dos Tubérculos da Planta Inhame”  foi outro projeto da escola premiado em segundo lugar. Foto: Fabíola Fonseca

Premiações

A Escola Estadual Domingos Justino Ribeiro também conquistou dois segundos lugares com os projetos “Caracterização Fitoquímica dos Tubérculos da Planta Inhame” e “Sustentabilidade: Lixo”, desenvolvidos por alunos do Ensino Fundamental, que concorreram, respectivamente, nas categorias Ciências Biológicas e Ciências Sociais Aplicadas; e dois terceiros lugares – com as pesquisas “Reciclando”, na categoria Multidisciplinar, e “Jogo multifuncional sensorial”, na categoria Ciências Humanas, apresentadas, respectivamente, por estudantes dos ensinos Fundamental e Médio. “Participamos da Fecitec/UFV desde a sua segunda edição e sempre trouxemos prêmios para a escola”, lembra Fabíola.

Gustavo Henrique Santos, responsável, juntamente com as estudantes Sarah Maria de Oliveira e Gabriela Fernanda Oliveira, pelo trabalho “Sustentabilidade Lixo”, que visa disseminar entre os moradores do município informações sobre o lixo e reciclagem, conta que a premiação representa reconhecimento e valorização. “É a primeira vez que fomos premiados em um evento científico. É um fator motivador para continuarmos investigando e ajudar a cidade a caminhar para um futuro mais sustentável”, diz.


O projeto “Sustentabilidade: Lixo”, desenvolvidos por alunos do Ensino Fundamental da E.E. Domingos Justino, conquistou um segundo lugar. Foto: Fabíola Fonseca

Na Fecitec/UFV, que chegou a sua quarta edição em 2017 e foi realizada no final de outubro, foram apresentados, no total, 146 projetos, sendo 104 realizados por estudantes do Ensino Médio/Técnico, 39 do Ensino Fundamental, de instituições públicas e privadas de diversos municípios mineiros, além de 3 pesquisas de discentes do ensino superior.

Veja a lista completa dos trabalhos premiados na 4ª Fecitec/UFV: http://eventos.caf.ufv.br/feiraciencias/?page_id=1798

Tradição

Segundo Fabíola Fonseca, a iniciação científica e a participação em eventos na área já é uma tradição na Escola Estadual Domingos Justino Ribeiro. “Além de um trabalho exaustivo quanto à escrita e apresentação de trabalhos científicos, estimula a continuação dos projetos e, assim, os estudantes precisam aprofundar seus estudos e demonstrar avanços significativos para participação na feira interna”, explica a professora de Ciências, ressaltando que os temas investigados são propostos pelos educandos e que o orientador e coorientador apenas os auxiliam para não se distanciarem do foco principal dos projetos.

A professora destaca o papel da escola em apostar e desenvolver o conhecimento científico entre os jovens estudantes. “Primamos pela integralidade, o trabalho conjunto de todos os membros da instituição. Além disso, prezamos pelo ensino por investigação, metodologia que faz com que os alunos construam caminhos para responder seus questionamentos. A intenção é empossá-los de conhecimentos, mas, primordialmente, formar cidadãos que saibam usá-los de forma crítica e ética”, afirma.

O projeto “Jogo multifuncional sensorial” conquistou terceiro lugar na categoria Ciências Humanas do Ensino Médio. Foto: Fabíola Fonseca

Além das premiações e credenciais na Fecitec/UFV, a escola também conquistou reconhecimento em outros eventos científicos. A estudante do 3º ano do Ensino Médio, Vanessa Aparecida Vasconcelos, participou da 32ª edição da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), no Rio Grande do Sul, e garantiu vaga na edição 2018 da Intel ISEF – International Science Engineering Fair (confira aqui a matéria completa).  Na UFMG Jovem, a instituição levou o 2º lugar geral na categoria Ensino Fundamental; Fabíola Fonseca ganhou o prêmio de Professora Destaque, na categoria Ensino Médio; além de 5 prêmios e 4 credenciais na primeira edição da Feira Mineira de Iniciação Científica (Femic). 

Por William Campos Viegas (ACS/SEE)