Ação conta com a participação de 32 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio

Durante a manhã, Josiane Figueiredo atua como tradutora intérprete de Libras na Escola Estadual Secretário Tristão da Cunha, no município de Divisa Nova. Ela acompanha o aluno do 1º ano do Ensino Médio, Kassy Jony de Oliveira, e foi ao observar como era o dia a dia do estudante, que Josiane decidiu desenvolver o projeto “Oficina de Libras – “Ouvindo o silêncio”.

A iniciativa teve início em março deste ano. “Queria criar algo que tornasse a escola mais inclusiva. Antes, só eu e o Kassy sabíamos Libras e quando chegava o horário do recreio ele tentava se expressar com os outros alunos e a comunicação era difícil. Depois que comecei as oficinas os colegas conseguiram se comunicar melhor com ele”, destaca Josiane Figueiredo. Hoje, Kassy auxilia a intérprete nas oficinas. “Ele é um instrutor. Nós preparamos aula juntos e ele corrige os sinais e instrui tudo dentro da aula”, completa Josiane.

Oficina conta com a participação de 32 estudantes. Foto: Divulgação da Escola

As oficinas acontecem toda segunda-feira de 19h às 21h e contam com participação de alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino. Ao todo, 32 alunos participam da oficina, onde trabalham com teatro, confeccionam jogos da memória e tabela periódica, tudo a partir da estrutura da língua brasileira de sinais.

Abner Jabes de Oliveira Lata é aluno do 9º ano. Ele conta que sempre teve vontade de aprender Libras e que a oficina foi uma ótima oportunidade. “Já tinha curiosidade desde muito tempo. Até cheguei a ver vídeos na internet, mas não era suficiente. Os sinais eram soltos. Com a oficina ficou bem mais fácil. As aulas são dinâmicas e a gente aprende direito”, disse o estudante.

Em parceria com a professora de Artes, os muros da escola foram pintados com o alfabeto em Libras. Foto: Arquivo da Escola

Júlia de Oliveira Tirre também participa da oficina e conta o que mais a surpreendeu durante as aulas. “O que acho mais interessante é a colocação dos sinais. Antes achava que era como o Português, mas é diferente. Também não sabia que existiam tantas leis voltadas para o surdo”, afirma a aluna do 9º ano.

A ideia de Josiane é continuar com a oficina no próximo ano com outros alunos. “Os estudantes que participam este ano serão multiplicares da Língua”, conclui.