Projeto de peças teatrais escritas por alunos do 8º ano foi escolhido entre 150 apresentados por educadores de todo o país.

A professora de Língua Portuguesa, Marta Regina Martins, da Escola Estadual Dr. Wenceslau Braz, de Monte Santo de Minas, apresentou seu projeto “Autores e Atores nascem na sala de aula” durante o Seminário Nacional do Programa Escrevendo o Futuro: com a palavra, o professor-autor!, nos dias 3 e 4 de outubro, em São Paulo. O evento teve como objetivo promover reflexões sobre práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula e de outras questões que norteiam o ensino da leitura e da escrita em todo o país.

O convite para participação, segundo Marta Martins, veio em função de uma aluna ter sido semifinalista da Olimpíada de Língua Portuguesa, em 2016. “Foram inscritos 150 trabalhos de todo o país e selecionados 10 a serem apresentados durante o seminário”, contou a professora.

A professora Marta Regina Martins, da Escola Estadual Dr. Wenceslau Braz, de Monte Santo de Minas, apresentou seu projeto durante o Seminário Nacional do Programa Escrevendo o Futuro. Foto: Divulgação

O projeto “Autores e Atores nascem na sala de aula” consistiu em trabalhar com os alunos de 8º ano as técnicas de texto e produção teatral. A turma foi dividida em seis grupos e, desde março, estudou vários textos de teatro, passando a produzir suas próprias histórias, baseadas no conteúdo da Olimpíada: O lugar onde eu vivo. “Foram oito etapas do início até a apresentação dos trabalhos, numa sequência pedagógica”, conta a educadora.

O formato do texto teatral foi tratado em roda de conversa com todos os alunos, que foram incentivados a selecionar livros de peças da coleção “Literatura em minha casa” e comparar com outros formatos já lidos.

Num segundo momento, foi apresentada ao grupo fragmento da peça teatral “Um fantasma camarada”, de Helen Louise Miller, e adaptação de Margarita Shulman. A turma foi dividida em grupos e cada um teve 15 minutos para ler e dramatizar o texto, relatando, logo após, as impressões sobre a atividade.

Na sequência, houve aulas expositivas, apresentação de roteiro para planejamento do texto, observações sobre a variedade linguística e elementos básicos da narrativa, cenários, palcos. Foram estudados autores e estilos diversos, como Ariano Suassuna e Gil Vicente.

O projeto “Autores e Atores nascem na sala de aula” consistiu em trabalhar com os alunos de 8º ano as técnicas de texto e produção teatral. Foto: Arquivo pessoal

Já em sua fase final, foram elaboradas questões para que os alunos registrassem os conhecimentos adquiridos e finalmente a produção do texto final e sua dramatização.

“A escolha do projeto de nossa escola foi muito bom e o seminário foi muito importante devido ao momento delicado em que passa a educação no Brasil. A valorização de nosso trabalho foi muito gratificante. Ganhei uma faixa de saudação na escola, que comemorou muito nossa indicação”, contou a professora Marta.

Além do projeto da professora de Monte Santo de Minas, a educadora Elizete Vilela de Faria Silva, da Escola Municipal Otávio Olímpio de Oliveira, de Divinópolis, também foi selecionada e apresentou o trabalho “Escrevo-te estas bem traçadas linhas – Unindo vozes contra o preconceito”.

O formato do texto teatral foi tratado em roda de conversa com todos os alunos, que foram incentivados a selecionar livros de peças da coleção “Literatura em minha casa”. Foto: Arquivo pessoal

Seminário

O encontro reuniu cerca de 200 profissionais atuantes na área de ensino da língua portuguesa, entre professores de escolas públicas, docentes de universidades, mediadores de cursos on-line do Programa Escrevendo o Futuro, técnicos de secretarias de educação, pesquisadores e profissionais de organizações do terceiro setor. O evento teve o propósito de valorizar práticas docentes realizadas em diferentes regiões do Brasil e integrar discussões atuais sobre o ensino da leitura e da escrita nas escolas públicas brasileiras.

Foram dois dias de reflexões e trocas de experiências, organizadas em palestras, rodas de conversa e apresentações de práticas pedagógicas, com foco no protagonismo docente. Tanto as palestras quanto as rodas de conversa realizadas no evento foram transmitidas ao vivo pela página da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro no Facebook, permitindo que internautas de todo o Brasil pudessem acompanhar as questões abordadas ao longo do encontro.

O Seminário foi encerrado com a roda de conversa sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e contou com mediação de Angela Dannemann, Superintendente do Itaú Social, e participação de Maria José Nóbrega, assessora em programas de formação continuada de professores; Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do Cenpec; e Kátia Bräkling, consultora na elaboração de currículos na área de língua portuguesa.

Duas professoras mineiras apresentaram seus projetos no Seminário. Foto: Arquivo pessoal

O debate reforçou a importância do documento, que vai definir os conhecimentos e habilidades que os estudantes brasileiros têm direito de aprender ao longo da educação básica, além de orientar os currículos de redes de ensino e escolas do todo o país, e também destacou as fragilidades presentes na atual versão da BNCC, que encontra-se atualmente sob análise do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Maria Aparecida Laginestra, coordenadora do Programa Escrevendo o Futuro, ressalta que o uso social da escrita estava muito presente nos projetos apresentados. Os professores ouviram os anseios e reivindicações que estavam circulando na escola e em seu entorno, perceberam que os estudantes queriam escrever, mas de forma verdadeira e real. Assim, os alunos compreenderam que a escrita é poderosa e que eles podem fazer uso dessa força.

A coordenadora ainda aponta: “Também é preciso destacar o professor enquanto autor, pois ele deu conta da difícil tarefa de escrever e planejar uma sequência didática nova. Além disso, esses docentes puderam refletir sobre as suas práticas e elaboraram uma narrativa do que aconteceu em suas salas de aula, tiveram a coragem de dividir seus avanços e desafios com todos e tornaram público o trabalho que fizeram, o que pode inspirar outros colegas”.

O Programa

O Programa Escrevendo o Futuro é uma iniciativa da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec - Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, que contribui para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas de todo o país.

Realiza diversas modalidades de formação presencial e a distância para educadores, além de um concurso de textos que premia as melhores produções dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação.

Também são parceiros do programa na execução das ações o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Canal Futura.

Com informações da Assessoria do Seminário Nacional do Programa Escrevendo o Futuro