Com objetivo de descobrir novos talentos, divulgar e valorizar as habilidades artísticas dos alunos, projeto contou com atividades artísticas para a comunidade escolar e familiares
Aos seis anos de idade, Alberto da Cruz Junior começou a dedicar-se à arte do desenho. Passados dez anos, o estudante do 3º ano do Ensino Médio, da Escola Estadual São Sebastião, já contabiliza mais de 60 desenhos. “Amo desenhar. É um hobby que me faz esquecer do mundo por um instante e, então, descobrir coisas novas”, conta ele, que aprecia e segue os traços peculiares do Mangá – na cultura japonesa, a palavra significa “desenhos involuntários” e dá nome às histórias em quadrinhos do Japão, com personagens caracterizados pelos olhos grandes e corpos esguios.
Alberto foi um dos alunos que participou do Projeto Festival de Talentos. “Iniciativas como essa são importantes, pois, além de valorizar, estimula a gente a melhorar nossos dons e também inspira os estudantes que, por algum motivo, não quiseram se apresentar”, diz. O projeto, cuja culminância ocorreu no dia 15 de setembro, reuniu os 550 discentes, dos ensinos Fundamental II e Médio, familiares e demais profissionais da instituição de ensino, localizada em Gonzaga, município que integra a da Superintendência Regional de Ensino de Guanhães.

A ideia do Festival surgiu da observação dos professores e gestores sobre as aptidões artísticas dos educandos. “Percebemos que alguns gostam de interpretar, desenhar, cantar, outros já frequentam cursos de violão, violino, teclado, flauta doce, fanfarra oferecidos pela prefeitura e apresentam-se em igrejas, eventos municipais, etc”, explica a professora de Educação Física, Kellen Almeida. O encontro de talentos ocorreu nos turnos da manhã e tarde. “Nesta primeira edição não houve premiação, pois não desenvolvemos a ação como uma forma de competição, mas de demonstração, e tivemos a preocupação de não intimidar os participantes”, conclui.
Interdisciplinar, o projeto visa descobrir novos talentos, divulgar e valorizar as habilidades artísticas dos alunos. “Além de incentivar, por meio da arte, o desenvolvimento da autonomia desses jovens, buscando o aperfeiçoamento de seus dons, também procuramos contribuir para que as mães, os pais e familiares acreditem e invistam em seus filhos”, afirma Kellen, informando que o Festival, realizado em parceria com a Secretaria de Cultura do município, também tem como objetivo promover o entretenimento e levar cultura à comunidade escolar.
Para a diretora da Escola Estadual São Sebastião, Arlene Maria Soares, é fundamental que a instituição valorize as artes e os talentos dos educandos. “A escola é o lugar de propiciar o desenvolvimento do pensamento artístico, da sensibilidade, percepção e imaginação, seja praticando várias formas artísticas ou contemplando e conhecendo as apresentadas por eles nas diferentes atividades letivas”, diz, lembrando que o Festival de Talentos também cumpre o papel de aproximar a escola da comunidade externa. “Permite que o público reconheça e valorize as potencialidades de nossos jovens, e, quem sabe, dê oportunidade em outros setores para que mostrem suas habilidades”.

Artistas e protagonistas
Além do desenho feito por Alberto, o evento apresentou, no total, 13 atrações – canto, dança, rima, voz e violão, violino, teclado, rap. Segundo a educadora, a arte é um caminho para aproximar os jovens da escola e motivá-los a estudar. “Eles podem se expressar com mais liberdade, autonomia. Quando os estudantes têm a oportunidade de fazer e demonstrar o que sabem e o que gostam, a educação torna-se mais prazerosa, o ambiente escolar fica mais atraente e com isso a aprendizagem mais significativa para os jovens”, ressalta.
Mobilizando toda comunidade escolar e conquistando os presentes durante as apresentações, o projeto, segundo a diretora Arlene, também estimula o protagonismo juvenil. “Eles, sempre, devem ser o centro das ações norteadoras do conhecimento e são os principais atores na construção dos saberes. A escola deve desenvolver meios para elevar a autoestima dos alunos, estimular a participação de forma crítica, construtiva e solidária para formar cidadãos capazes de refletir e propor soluções não só para os problemas escolares, mas também para os encontrados na comunidade em que vivem”, afirma.

No festival, a estudante do 2º ano do Ensino Médio, Kenia Alves Costa, 16 anos, apresentou um número de voz e violão. “Desde os 14 anos toco violão. É um instrumento que sou apaixonada e que considero muito bonito. Foi muito legal poder cantar e mostrar para os meus colegas e familiares um pouquinho do meu talento”, declara. Habilidosa também com o cajón, instrumento de percussão originário do Peru colonial, a aluna cantou a música 4 da manhã, da dupla Um44k, formada pelos cantores Luan Otten e Saulo Poncio.

Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)