Evento será realizado em 45 escolas e vai mobilizar mais de 24 mil alunos
Depois de algumas semanas de preparação, estudantes, professores e demais funcionários das 45 escolas estaduais atendidas pela Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Itajubá colocam em prática, neste sábado, 23/09, as atividades preparadas para a Virada Educação de Minas Gerais 2017, iniciativa da Secretaria de Estado de Educação que acontece em todo o Estado. Na regional, o mote adotado para esta edição será “A escola dos meus sonhos”, e vai mobilizar 24.200 alunos – de diferentes modalidades de ensino – espalhados por 21 municípios mineiros. “A ideia é que eles apresentem à comunidade escolar projetos que reflitam seus sonhos, anseios e que demonstrem, também, o que desejam para as instituições de ensino”, explica Jorge Abranches, assessor pedagógico da SRE de Itajubá.
De acordo com Jorge, para transformar o espaço escolar, é fundamental conceder espaço para os educandos expressarem suas ideias, perspectivas e expectativas. “Eles são movidos por seus sonhos. Acreditamos que, ao abrirmos essa oportunidade, os projetos desenvolvidos serão mais exitosos e as escolas serão mais participativas, já que os estudantes perceberão que são os protagonistas das mudanças”, diz, acrescentando que também é preciso estimular todos da comunidade escolar. “Temos que alimentar os sonhos de todos os nossos profissionais, pois, do contrário, as ações não terão resultados tão positivos”, ressalta. A proposta encaminhada às instituições foi elaborada pela Coordenadoria da Juventude da SRE de Itajubá em parceria com especialistas da Escola Estadual Barão do Rio Branco, em Itajubá.
A diretora educacional da SRE, Silvia Teixeira, comenta que o documentário “Nunca me Sonharam”, que contou com a participação da Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, foi um dos motivadores da temática para o VEM 2017. “Um filme que retrata a vivência, desejos, sonhos, ideais dos jovens do Ensino Médio, que demonstra que eles têm forças para alcançar seus objetivos, é motivação para a educação em qualquer momento. Em todas as nossas ações, buscaremos, sempre, dar voz e ouvir todos os alunos”, afirma. Sugerido para apresentação durante o período preparatório da Virada, o filme – disponível gratuitamente na plataforma Videocamp –, com direção de Cacau Rhoden e produção do Instituto Unibanco e Maria Farinha Filmes, percorreu, por dois anos, as cinco regiões do país e coletou relatos de discentes, docentes e especialistas em educação.
Parceira na elaboração do evento, Alzinete de Carvalho, especialista em educação na Escola Estadual Barão do Rio Branco, lacalizada em Itajubá, destaca a importância dos discentes serem protagonistas das iniciativas. “Quando inseridos em ações relevantes, eles tornam-se mais autônomos, participativos e críticos. Todo esse movimento contribui para que tenham condições efetivas de comunicação, argumentação, resolução de problemas, participação social e cidadã, para saberem propor e fazer escolhas, além de terem mais prazer em aprender”, diz.
O documento orientador encaminhado às escolas, além de estimular o protagonismo juvenil e propor a construção coletiva das ações, sugere que sejam entrelaçados, também, a Campanha VEM e o Programa de Convivência Democrática. “O intuito é fortalecer, incentivar e unificar essas duas iniciativas para redescobrir e reinventar o espaço escolar. É necessário que todos estejam envolvidos para propiciar um sentimento de pertencimento e acolhimento”, ressalta Jorge Abranches. Realizada pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) desde 2015, a Campanha VEM visa sensibilizar os jovens em situação de evasão escolar a retomarem os estudos – na primeira edição, foram registradas mais de 114 mil novas matrículas no Ensino Médio Regular e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
O Programa de Convivência Democrática, lançado pela SEE no início de 2017, por meio da Coordenação de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, busca, entre outros objetivos, compreender e enfrentar, através de projetos e estratégias educativas, as violências no ambiente escolar; incentivar a participação política da comunidade; reconhecer e valorizar as diferenças e diversidades no ambiente escolar, além de fortalecer a política de educação integral nos territórios onde as escolas estão inseridas. “Utilizamos o ambiente educacional e de aprendizagem para que os jovens possam propor atividades, falar sobre seus problemas, dificuldades, expor suas ideias, para promover debates e discussões que contribuirão para resolução de conflitos e formulação de novos pensamentos”, diz Silvia Teixeira.
Alzinete de Carvalho, especialista na Escola Estadual Barão do Rio Branco, aponta algumas mudanças promovidas pelo Programa de Convivência Democrática. “Percebemos uma melhora nas atitudes dos alunos, que estão mais responsáveis, comprometidos, participativos, confiantes em exporem suas ideias e em auxiliar nas decisões relativas ao processo educacional”, afirma. A instituição conta com 847 educandos, matriculados nos anos finais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Coletividade
Durante todo o sábado, os participantes da Virada Educação poderão conferir as atividades que foram desenvolvidas coletivamente pela comunidade escolar de cada uma das 45 instituições de ensino. “Sugerimos a metodologia Dragon Dreaming, que propõe nas suas quatro etapas – sonhar, planejar, realizar e celebrar –, a construção de projetos de maneira colaborativa, permitindo a integração de toda comunidade escolar. Em uma das etapas, por exemplo, os sonhos foram discutidos por todos, possibilitando uma reflexão coletiva sobre a temática ‘Escola dos meus sonhos’”, diz Alzinete.
Segundo a especialista, a etapa “sonhar”, primeira do método Dragon Dreaming, está dividida em quatro fases. “Na primeira, também denominada sonhar, os alunos buscaram, dentro de si mesmos, seus anseios, conscientizando-se dos seus sonhos. Já na fase planejar, realizada por meio de debates em sala de aula, eles externaram e registraram tudo que identificaram para as escolas; na terceira, chamada realizar, apresentarão os sonhos comuns de cada ano escolar, e, na última fase, a celebrar, haverá, após as exposições, o Café dos Sonhos, para confraternização de todos os envolvidos nas atividades”, explica.
Apesar de um esforço coletivo, o assessor pedagógico da SRE de Itajubá, Jorge Abranches, explica que as atividades levarão em consideração as especificidades de cada escola. “Reconhecemos que cada ambiente escolar é diferente e único. Nesse sentido, as instituições de ensino deverão considerar e valorizar todas as características e peculiaridades de sua comunidade”, salienta.
Os resultados das 3ª e 4ª fases serão apresentados durante a Virada Educação e, em seguida, as escolas darão início à consecução das demais etapas da metodologia. “Após conhecerem as ações e propostas dos estudantes para construção de um ambiente mais participativo, dinâmico e democrático, as instituições deverão tornar essas iniciativas permanentes e, também, promover outras, de acordo com a demanda de cada comunidade escolar”, friza Alzinete de Carvalho.
Por William Campos Viegas – ACS/SEEMG