Encerrado no domingo (17), evento teve avaliação positiva entre os participantes

Foi encerrada no último domingo (17) a 5ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais, realizada na reserva Xucuru-Kariri, em Caldas, no Território Sudoeste. O evento foi viabilizado pela parceria da Secretaria de Estado de Educação (SEE) com a Secretaria de Estado de Esportes (SEESP) e a Prefeitura Municipal de Caldas, e teve o apoio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC) e Secretaria de Estado de Saúde (SES).

A abertura oficial dos Jogos, na quinta-feira (14), contou com a presença do secretário de Estado de Esportes, Arnaldo Gontijo. Na oportunidade, o secretário, que é descendente de índios da tribo Caxixó, da cidade de Martinho Campos, encontrou-se com familiares que estavam em Caldas e com representantes das demais tribos que integraram a competição. Representando a Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, participaram da abertura o chefe de gabinete Hércules Macedo, a subsecretária de Educação Básica, Augusta Mendonça e a Superintendente de Ensino de Poços de Caldas, Rosimar do Prado.

A 5ª edição dos Jogos Indígenas terminou no domingo 17. Foto: Elian oliveira/ACS

Na disputa das oito modalidades tradicionais dos Jogos Indígenas, entre as 11 etnias participantes do evento, a etnia Krenak foi a que mais vezes subiu ao lugar mais alto do pódio. Representantes da tribo foram campeões masculinos no derruba toco, corrida do maracá e corrida de tora, e cabo de guerra (masculino e feminino). A etnia Xacriabá sagrou-se campeã nas disputas do futebol masculino e feminino, e nas corridas femininas do maracá e de tora. Os representantes da sede da tribo Pataxó ficaram com os títulos do derruba toco e zarabatana femininos e do arremesso de lança masculino e feminino, enquanto os representantes da aldeia de Açucena foram campeões masculinos no arco e flecha. Os anfitriões da etnia Xucuru-Kariri venceram as disputas do arco e flecha feminino e da zarabatana masculina. Os indígenas Maxacali levaram o título do bodok masculino.

Os jogos são forma de fortalecimento da diversidade cultural indígena em Minas Gerais. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

De acordo com o Cacique Jal, Xucuru-Kariri, anfitriã, “os jogos foram melhores do que esperávamos. Quero agradecer a participação das equipes presentes, todas as aldeias e caciques, e parabenizar o apoio do governador do estado Fernando Pimentel e seu secretariado, em especial a de Esportes, Educação, Saúde, Cultura e Direitos Humanos, a Superintendência Regional de Ensino de Poços de Caldas, o apoio da prefeitura de Caldas, de Andradas, Ipuiuna, Poço Fundo e Pouso Alegre, do Corpo de Bombeiros. Estes foram dias que ficarão guardados em nossas memórias. Reiteremos o apelos dos povos indígenas para que possamos participar das competições nacionais”.

Foram cinco dias de competições. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Para o Cacique Bayara, Pataxó de Açucena, “os Jogos Indígenas são resultados de integração dentro do estado para que nossos jovens tenham participação dos jogos tradicionais de nossas aldeias. É uma forma de reconhecimento de nossa cultura e seu fortalecimento para que cessem o preconceito sobre as manifestações culturais das nações indígenas”.

João Fiuza, Xakriabá de São João das Misssões, lembrou que sua etnia foi pioneira em 2012. “Um começo com muitas dificuldades e as melhorias são evidentes a cada edição dos jogos, depois de nós foram os Pataxó, os Krenak, os Maxakali e agora os Xucuru- Kariri. Esperamos que o governo do estado continue essa parceria com os povos indígenas do estado. É uma oportunidade de encontro com nossos irmãos”.

O Cacique Mesaque Pataxó considerou que a 5ª edição “muito gratificante, sabendo que estamos cada vez mais fortalecidos e as aldeias se empenhando para esses momentos de fortalecimento de nossa cultura. Todos saímos vitoriosos, uma vez que o evento é de grande valia, é festa a todo momento esperamos poder melhorar a qualidade dos jogos a cada encontro”.

PAra os Kaxixó o encontro foi uma promoção do diálogo e a troca de culturas”. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Para Manoel Kelé, Maxakali os Jogos Indígenas são uma competição “onde todos são vencedores. Uma disputa saudável, um encontro de culturas de diferentes povos indígenas de Minas Gerais. Ninguém saiu perdendo”.
Itamar Krenak falou que o evento é um momento importante, enquanto indígena, de se fortalecer a parte cultura e social. “É um espaço de integração de povos, momentos de muita alegria, de resgatar nossas raízes e caminhar com os parentes, articulando pontos importantes também como a saúde, a educação e questões como território”.

No entendimento dos Maxacali, todos foram vencedores. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Vice-Cacique ods Kaxixo, de Martinho Campo, Altair Kaxixo avaliou que os trabalhos foram muito importantes “para o fortalecimento de nossa cultura e de nosso conhecimento, nossas raízes, buscando maior união entre os povos, uma promoção do diálogo e a troca de culturas”.

A competição

Os Jogos dos Povos Indígenas são idealizados pelo Conselho dos Povos Indígenas do Estado de Minas Gerais (COPIMG) e têm como objetivo promover o esporte socioeducacional nas aldeias indígenas mineiras como instrumento de fortalecimento da identidade das culturas tradicionais, estimulando valores originais e intercâmbio entre as etnias para a promoção da cidadania indígena. A realização do evento constitui uma significativa oportunidade de valorização e fortalecimento da identidade das etnias indígenas residentes em Minas, uma vez quee promove o encontro e articulação entre as mais diversas comunidades.
Várias localidades no Brasil promovem jogos regionais indígenas. Desde 1996 são realizados os Jogos Brasileiros e, em 2015, foi realizada a primeira edição dos Jogos Mundiais Indígenas em Palmas, Tocantins. Indígenas de 22 países e 24 etnias brasileiras participaram do evento.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Esportes