Este ano, o curso de formação continuada de educadores do campo está sendo realizado com 300 professores de 10 cidades mineiras

Educadores do município de Januária iniciaram, esta semana, o desenvolvimento dos Planos de Ação Pedagógica (PAP), frutos do Programa Escola da Terra. O curso de formação continuada de educadores vem construindo, ao longo de sete meses de trabalho, a ampliação dos saberes e tem possibilitado aos professores desenvolver práticas formativas em torno dos princípios da Educação do Campo.

No dia 23 de agosto, a Escola Estadual Nova Odessa, situada em uma comunidade rural de Januária, recebeu o senhor José Emílio, morador antigo da comunidade, para uma roda de conversa e cantoria, fruto do PAP da professora Ticiane Teixeira, intitulado “Seu Zé vai à escola”. Através do Escola da Terra, para trabalhar Música e Arte com os alunos da Educação Integral, a professora desenvolveu uma sequência de atividades, como entrevistas, pesquisas, produção de artesanato, que culminou em um tarde de muito ensinamento e aprendizado para alunos e professores: “Seu José é artesão, compõe músicas e toca violão e, por último e não menos importante, tem uma história de vida no campo que vai ensinar muito para as nossas crianças”, destaca a a professora.

Escola Estadual Nova Odessa, situada em uma comunidade rural de Januária, recebeu o projeto

O Programa Escola da Terra tem uma proposta de formação em rede. A tutora Fernanda, que acompanha 15 professores que trabalham nas escolas do campo de Januária, teve seu trabalho de formação refletido nas salas de aula:  “Conhecendo o contexto de luta da educação do campo, foi gratificante ver na prática os frutos do Programa Escola da Terra, os saberes do  campo precisam sim ser (re)conhecidos e valorizados, e o projeto ‘Seu Zé vai à escola’ proporcionou isso”, relatou a tutora.

O Escola da Terra é um curso de formação continuada de educadores, parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Educação (SEE) e Ministério da Educação (MEC). Desde fevereiro desde ano, vem desenvolvendo ações em vários municípios de Minas Gerais, entre eles Januária e Bonito de Minas, com aproximadamente 100 professores que atuam nas Escolas do Campo. “São frutos de um trabalho que tem transcende da formação de professores, na construção de uma escola de direitos e de uma educação protagonizada pelos sujeitos do campo”, diz a formadora e também mestranda em Educação do Campo pela UFMG, Nayara Carneiro.

Visita à E.E. Manoel Pereira Magalhães, na comunidade de Raizama, em Bonito de Minas. Foto: Divulgação

Para a tutora de Bonito de Minas, Gilvânia Pimenta, o Programa tem significado “descobertas”. “Eu descobri um campo que vai além de espaço produtivo. Um campo de cultura, de identidades, de sujeitos e possibilidades”, declarou.  Em Bonito de Minas os PAPs serão desenvolvidos a partir da primeira semana de setembro, envolvendo diversas comunidades do município.

PAP sobre a reutilização da água desenvolvido na E.E. Antônio Corrêa e Silva, na comunidade quilombola do Alegre, em Januária. Foto: Divulgação

Visita ao setor de plantas medicinais do IFNMG feita pelos alunos da E.E. Monsenhor Florisval Montalvão, da comunidade Quilombola do Riacho, em Januária. Foto: Divulgação

Escola da Terra

Ação do Programa Nacional de Educação no Campo (PRONACAMPO), o Escola da Terra está presente em 13 estados brasileiros e, em Minas Gerais, é realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (NepCampo) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE), Ministério da Educação (MEC) e municípios mineiros.

A iniciativa tem por objetivo promover a melhoria das condições de acesso, permanência e aprendizagem dos estudantes do campo e quilombolas em suas comunidades. O Programa oferece apoio à formação de professores que atuam nas turmas dos anos iniciais do ensino fundamental compostas por estudantes de várias idades, e em escolas de comunidades quilombolas, fortalecendo a escola como espaço de vivência.

Em Minas Gerais são reconhecidas 626 escolas do campo, que atendem aproximadamente 140 mil estudantes. Em 2017, o Escola da Terra II está sendo realizado com 300 professores de 10 cidades: Novo Cruzeiro, Teófilo Otoni, Ubaporanga, Caratinga, Itamarandiba, Minas Novas, Januária, Bonito de Minas, Francisco Sá e Coração de Jesus. Na primeira fase, o programa chegou a 17 municípios do estado e formou mil docentes.