90 profissionais, de 44 escolas, se encontraram na Escola de Formação da Gameleira entre os dias 25 e 27 de julho
As cantineiras que atuam nas 44 escolas da rede estadual que ofertarão a Educação Integral e Integrada para o Ensino Médio, a partir de 1º de agosto, receberam, entre os dias 25 e 27 de julho, uma capacitação oferecida pelo projeto “Cozinha Brasil”, do Serviço Social da Indústria (SESI). A ação, realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE), aconteceu na Escola de Formação da SEE, no campus Gameleira.
Participaram da capacitação 90 servidoras, representando 25 Superintendências Regionais de Ensino (SREs), das 44 escolas que aderiram e corresponderam aos critérios estabelecidos na portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação, que instituiu o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral no Ensino Médio. A implementação da educação integral no ensino médio nessas escolas ocorrerá de forma gradual, iniciando com 9.640 alunos do 1º ano do Ensino Médio e chegando aos demais no final de três anos.
O curso, com carga horária de 10 horas, foi dividido em três módulos. “O primeiro módulo é teórico, com explicações sobre os alimentos, sua composição, seus nutrientes e como melhorar a alimentação, substituindo alguns temperos e óleos por produtos mais saudáveis”, explicou a nutricionista e instrutora do Sesi para o programa “Cozinha Brasil”, Natalie Ferraresi.

Há dois anos e meio à frente do projeto a instrutora disse que sempre insiste na substituição, por exemplo, do óleo pela cebola. “A cultura culinária mineira utiliza muito óleo, e alguns casos a banha de porco. Insisto muito que a banha de porco não é saudável. A criação desses animais não é a mesma de antigamente e nem a vida de nossos avós foi a mesma que levamos hoje”, relata a nutricionista.
No segundo e terceiro dias a dinâmica misturou teoria e prática, abordando assuntos como o congelamento e descongelamento de alimentos, formas de armazenamento, além da substituição do óleo, do sal e do açúcar por produtos mais saudáveis.
As nutricionistas da Diretoria de Suprimento Escolar da SEE, Renata Miranda Mendes e Maria do Rosário Lanna, falaram aos participantes sobre a promoção da alimentação saudável e dos cardápios a serem oferecidos no programa destinado ao Ensino Médio, em que as refeições deverão atender a 70% das necessidades nutricionais do aluno, 1.700 quilo/calorias, durante o período escolar (Conforme Resolução 026 do Ministério da Educação –MEC). Segundo as nutricionistas, serão ofertadas quatro refeições: café da manhã, colação (uma fruta ou iogurte entre o café e o almoço), o almoço e a alimentação escolar (a mesma servida ao ensino regular).
No último dia, enquanto metade da turma participava de orientações e palestras sobre a proposta da Educação Integral e Integrada, a outra metade participou da orientação, elaboração e produção de receitas na cozinha montada no refeitório da Escola de Formação, com as turmas invertendo as dinâmicas no período da tarde.

Tokytchow Anraku trabalha há três anos na cantina da Escola Estadual Ministro Alfredo Vilhena Valadão, na região do Barreiro. Ela morou por quase uma década no Japão, onde seus filhos estudaram. Anraku fez uma comparação com a alimentação escolar no país asiático e no Brasil. “Ao contrário dos brasileiros, que usam muito tempero e gordura, os japoneses procuram ressaltar o sabor contido em cada alimento. As escolas contam com hortas e as crianças plantam e acompanham o processo de nascimento, crescimento, colheita, separação e preparação dos alimentos até o momento do consumo, na própria escola. Eles levam sempre um produto que plantaram para apresentar às suas famílias”, contou.
A servidora elogiou a inciativa da SEE em capacitar os cantineiros para atendimento à Educação Integral e Integrada no Ensino Médio. Ela ressalta que estarão servindo alimentação a adolescentes, que já vêm com hábitos alimentares cultivados desde suas infâncias, e admite que poderá haver resistências. “Essas capacitações nos permitem respeitar e conhecer as preferências e os espaços de cada um e trabalhar para uma melhor convivência e adaptação no que se refere à alimentação”, disse Tokytchow Anraku.

Lucian Custódio da Silva, da Escola Estadual Dr. Hermílio da Silveira, de Alfenas, trabalha com pequenos reparos na instituição e substitui cantineiros quando esses se ausentam da escola. “Estou participando para me qualificar para a cantina. Estou há dois anos no Estado e agora temos a oportunidade de entender o diferencial na alimentação quando tratamos de cuidados com a saúde”, pontuou Lucian.
Para Terezinha Honório Reis, da Escola Estadual Lima Duarte, em Antônio Carlos, há um diferencial quando se trata de servir alimentação em tempo integral a alunos do Ensino Médio. “Eles têm hábitos alimentares mais consolidados e precisamos oferecer um cardápio mais variado. Passando o dia todo na escola, o estudante fará todas as suas refeições, do café da manhã à merenda do final da tarde, na unidade escolar e precisamos estar atentos para atender esse público com qualidade balanceada”, destacou a cantineira.
De acordo com Terezinha, que trabalha há uma década em cantinas, o curso de qualificação pode ajudar a quebrar tabus e corrigir procedimentos que nem sempre os servidores tinham conhecimento que podem trazer danos à saúde. “Aqui soube, por exemplo, que o vasilhame deve ser enxuto após a lavagem. Antes deixávamos escorrer até a secagem, e isso pode provocar contaminações”.
A organização da cantina, a disposição dos locais de materiais de limpeza, de alimentos, a manipulação, os cuidados durante a preparação, chamaram a atenção de Valdene Martins de Souza, da Escola Estadual Professor Botelho Reis, de Leopoldina. Ela trabalha há 15 anos no setor e considerou a formação muito importante para “mudar velhos hábitos e aprender novas técnicas”.
Por Elian Oliveira (ACS/SEEMG)